domingo, 15 de junho de 2014

De Volta ao Tempo Comum
Rev. Edson Cortasio Sardinha




Com a Festa do Dia de Pentecostes retornamos ao Tempo Comum. Serão no total 34 Semanas e terminará no dia 29 de novembro, vésperas do primeiro Domingo do Advento.
“Tempo comum”, “Tempo ordinário” ou “Tempo durante o ano” são três designações para o período de cerca de dois terços de todo o ano litúrgico (33 ou 34 semanas) e que tem como característica própria celebrar o mistério de Cristo na sua globalidade, em vez de se centrar numa dimensão desse mesmo mistério de Cristo.
O Tempo Comum começa na segunda-feira a seguir ao domingo que ocorre depois do dia 6 de Janeiro e prolonga-se até à terça-feira antes da Quaresma inclusive; retoma-se na segunda-feira a seguir ao Domingo do Pentecostes e termina antes das Vésperas do primeiro Domingo do Advento.
            O que caracteriza este longo tempo litúrgico é a celebração do mistério de Cristo na sua globalidade, especialmente nos Domingos.
Esta globalidade significa que a manifestação do Senhor não se celebra exclusivamente no ciclo natalício, mas continua no Tempo comum; significa que a Páscoa não se celebra apenas no ciclo próprio, mas que ilumina toda a existência cristã ao longo do ano; significa que toda a vida de Cristo, com a salvação que traz e torna presente, acompanha a vivência cristã de todo o ano litúrgico. Todo domingo é Páscoa do Senhor.
            É na celebração do Domingo, Dia do Senhor e “Páscoa semanal”, que o Tempo comum encontra o seu centro significativo. Ora, os Domingos do Tempo comum são aqueles que se podem considerar os Domingos no seu estado mais puro: Páscoa semanal e primeiro dia da semana, que dá sentido à vivência de toda a semana.
Antes da Igreja celebrar o Natal ou a Páscoa cristã, ela celebrava todos os domingo o Tempo Comum. Isso significa que todo domingo é festa que celebra o nascimento, morte e ressurreição de Jesus. 
            Nos domingos do Tempo Comum, as leituras do Evangelho apresentam Jesus na normalidade quotidiana dos seus gestos e dos seus ensinamentos. Os textos evangélicos aparecem-nos, assim, como a grande escola dos discípulos de Cristo, dos cristãos, que acompanham o Mestre e O escutam no dia a dia; que procuram configurar as suas vidas com a do próprio Cristo. O Tempo comum é tempo de amadurecimento da vivência da fé.
Todas as ações da Igreja, seja no Tempo Comum ou nos Ciclos do Natal e Páscoa, deverão visar o discipulado.

A Igreja morre quando deixa de fazer novos discípulos e discípulas. Nossa Missão é semear a justiça e a paz através de um forte comprometimento com a Palavra do Senhor que nos manda fazer discípulos de todas as nações (Mt 28.19).

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Dia de Pentecostes
Rev. Edson Cortasio Sardinha
            O tema deste domingo é o Espírito Santo. Dom de Deus a todos os crentes. O Espírito que dá vida, renova, transforma, constrói comunidade e faz nascer o Homem Novo. Por isso neste dia oramos: “Vem Espírito Criador” (Veni Creator Spiritus). Este hino foi escrito por Rabano Mauro (780-856), na Mongúcia, no século IX.    No ano de 1662 entrou para o Livro de Oração Comum (Book of Common Prayer) da Igreja Anglicana. Martinho Lutero usou-o como base para o seu coral de Pentecostes "Komm, Gott Schöpfer, Heiliger Geist" composto em 1524.
            Encontrei um texto muito bom no site dos Dehonianos de Portugal e adaptei para este artigo acrescentando alguns apontamentos.
            A experiência do Espírito ocorre no dia de Pentecostes. O Pentecostes era uma festa judaica, celebrada cinquenta dias após a Páscoa. Originariamente, era uma festa agrícola, na qual se agradecia a Deus a colheita da cevada e do trigo; mas, no primeiro século d.C, tornou-se para os judeus a festa histórica que celebrava a aliança, o dom da Lei no Sinai e a constituição do Povo de Deus. O povo saiu do Egito e chegou ao Monte Sinai onde Moisés recebeu a Lei. A Festa judaica fala da Lei dada por Deus e escrita em pedras.
            Ao situar neste dia o dom do Espírito, Deus sugere que o Espírito é a Lei da nova aliança (pois é Ele que, no tempo da Igreja, dinamiza a vida dos crentes) e que, por Ele, se constitui a nova comunidade do Povo de Deus – a comunidade messiânica, que viverá da Lei escrita, pelo Espírito, no coração de cada discípulo (cf. Ez 36.26-28).
            O Espírito é apresentado como “a força de Deus”, através de dois símbolos: o vento de tempestade e o fogo. São os símbolos da revelação de Deus no Sinai, quando Deus deu ao Povo a Lei e constituiu Israel como Povo de Deus (cf. Ex 19,16.18; Dt 4,36).
            Estes símbolos evocam a força irresistível de Deus, que vem ao encontro do homem, comunica com o homem e que, dando ao homem o Espírito, constitui a comunidade de Deus. O Espírito vem em forma de língua de fogo. A língua não é somente a expressão da identidade cultural de um grupo humano, mas é também a maneira de comunicar, de estabelecer laços duradouros entre as pessoas, de criar comunidade.
            “Falar outras línguas” é criar relações, é a possibilidade de superar o gueto, o egoísmo, a divisão, o racismo, a marginalização… Aqui, temos o reverso de Babel (cf. Gn 11,1-9): lá, os homens escolheram o orgulho, a ambição desmedida que conduziu à separação e ao desentendimento; aqui, regressa-se à unidade, à relação, à construção de uma comunidade capaz do diálogo, do entendimento, da comunicação.
            É o surgimento de uma humanidade unida, não pela força, mas pela partilha da mesma experiência interior, fonte de liberdade, de comunhão, de amor. A comunidade messiânica é a comunidade onde a ação de Deus (pelo Espírito) modifica profundamente as relações humanas, levando à partilha, à relação, ao amor.
            É neste enquadramento que devemos entender os efeitos da manifestação do Espírito (cf. Act 2,5-13): todos “os ouviam proclamar na sua própria língua as maravilhas de Deus”. O elenco dos povos convocados e unidos pelo Espírito atinge representantes de todo o mundo antigo, desde a Mesopotâmia, passando por Canaan, pela Ásia Menor, pelo norte de África, até Roma: a todos deve chegar a proposta libertadora de Jesus, que faz de todos os povos uma comunidade de amor e de partilha.

            A comunidade de Jesus é assim capacitada pelo Espírito para criar a nova humanidade, a anti-Babel. A possibilidade de ouvir na própria língua “as maravilhas de Deus” outra coisa não é do que a comunicação do Evangelho, que irá gerar uma comunidade universal. Sem deixarem a sua cultura e as suas diferenças, todos os povos escutarão a proposta de Jesus e terão a possibilidade de integrar a comunidade da salvação, onde se fala a mesma língua e onde todos poderão experimentar esse amor e essa comunhão que tornam povos tão diferentes, irmãos.
            O essencial passa a ser a experiência do amor que, no respeito pela liberdade e pelas diferenças, deve unir todas as nações da terra. O Pentecostes dos “Atos” é, podemos dizê-lo, a página programática da Igreja e anuncia aquilo que será o resultado da ação das “testemunhas” de Jesus: a humanidade nova, a anti-Babel, nascida da ação do Espírito, onde todos serão capazes de comunicar e de se relacionar como irmãos e irmãs, porque o Espírito reside no coração de todos como lei suprema, como fonte de amor e de liberdade.

Imagem: Rosácea da Igreja Metodista de Vila Isabel em dedicação ao Espírito Santo.

Fonte pesquisada: http://www.dehonianos.org

terça-feira, 27 de maio de 2014

Dia da Ascensão do Senhor

Dia da Ascensão do Senhor
Rev. Edson Cortasio Sardinha



            Em 2013 estive pela primeira vez na Capela da Ascensão. Esta Capela pertence aos mulçumanos, contudo um dia pertenceu a igreja dos Cruzados que separaram, segundo uma antiga tradição, este lugar do Monte das Oliveiras para celebrar a Ascensão do Senhor. Em Jerusalém esta festa é celebrada na quinta-feira da sexta semana da Páscoa em Jerusalém.
            Encontrei um excelente texto sobre a Ascensão do Senhor baseado em Atos dos Apóstolos no site dos dehonianos de Portugal e fiz um resumo para a nossa edificação.
           A Festa da Ascensão de Jesus sugere que, no final do caminho percorrido no amor e na doação, está a vida definitiva, a comunhão com Deus. Sugere também que Jesus nos deixou o testemunho e que somos nós, seus seguidores, que devemos continuar a realizar o projeto libertador de Deus para os homens e para o mundo.

I. Ambiente
            O livro dos “Atos dos Apóstolos” dirige-se a comunidades que vivem num certo contexto de crise. Estamos na década de 80, cerca de cinqüenta anos após a morte de Jesus. Passou já a fase da expectativa pela vinda iminente do Cristo glorioso para instaurar o “Reino” e há uma certa desilusão. As questões doutrinais trazem alguma confusão; a monotonia favorece uma vida cristã pouco comprometida e as comunidades instalam-se na mediocridade; falta o entusiasmo e o empenho… O quadro geral é o de um certo sentimento de frustração, porque o mundo continua igual e a esperada intervenção vitoriosa de Deus continua adiada. Quando vai concretizar-se, de forma plena e inequívoca, o projeto salvador de Deus?
            É neste ambiente que podemos inserir o texto que hoje nos é proposto como primeira leitura. Nele, o catequista Lucas avisa que o projeto de salvação e de libertação que Jesus veio apresentar passou (após a ida de Jesus para junto do Pai) para as mãos da Igreja, animada pelo Espírito. A construção do “Reino” é uma tarefa que não está terminada, mas que é preciso concretizar na história e exige o empenho contínuo de todos os crentes. Os cristãos são convidados a redescobrir o seu papel, no sentido de testemunhar o projeto de Deus, na fidelidade ao “caminho” que Jesus percorreu.

II. Mensagem
            O nosso texto começa com um prólogo (vers. 1-2) que relaciona os “Atos” com o 3º Evangelho – quer na referência ao mesmo Teófilo a quem o Evangelho era dedicado, quer na alusão a Jesus, aos seus ensinamentos e à sua ação no mundo (tema central do 3º Evangelho). Neste prólogo são também apresentados os protagonistas do livro – o Espírito Santo e os apóstolos, ambos vinculados com Jesus.
            Depois da apresentação inicial, vem o tema da despedida de Jesus (vers. 3-8). O autor começa por fazer referência aos “quarenta dias” que mediaram entre a ressurreição e a ascensão, durante os quais Jesus falou aos discípulos “a respeito do Reino de Deus”. O número quarenta é, certamente, um número simbólico: é o número que define o tempo necessário para que um discípulo possa aprender e repetir as lições do mestre.
            Aqui define, portanto, o tempo simbólico de iniciação ao ensinamento do Ressuscitado. As palavras de despedida de Jesus (vers. 4-8) sublinham dois aspectos: a vinda do Espírito e o testemunho que os discípulos vão ser chamados a dar “até aos confins do mundo”. Temos aqui resumida a experiência missionária da comunidade de Lucas: o Espírito irá derramar-se sobre a comunidade crente e dará a força para testemunhar Jesus em todo o mundo, desde Jerusalém a Roma. Na realidade, trata-se do programa que Lucas vai apresentar ao longo do livro, posto na boca de Jesus ressuscitado.
            O autor quer mostrar com a sua obra que o testemunho e a pregação da Igreja estão entroncados no próprio Jesus e são impulsionados pelo Espírito.
            O último tema é o da ascensão (vers. 9-11). Evidentemente, esta passagem necessita de ser interpretada para que, através da roupagem dos símbolos, a mensagem apareça com toda a claridade.
Temos, em primeiro lugar, a elevação de Jesus ao céu (vers. 9a). A ascensão é uma forma de expressar, simbolicamente, que a exaltação de Jesus é total e atinge dimensões supra-terrenas; é a forma literária de descrever o culminar de uma vida vivida para Deus, que agora reentra na glória da comunhão com o Pai.
Temos, depois, a nuvem (vers. 9b) que subtrai Jesus aos olhos dos discípulos. Pairando a meio caminho entre o céu e a terra a nuvem é, no Antigo Testamento, um símbolo privilegiado para exprimir a presença do divino (cf. Ex 13,21.22; 14,19.24; 24,15b-18; 40,34-38). Ao mesmo tempo, simultaneamente, esconde e manifesta: sugere o mistério do Deus escondido e presente, cujo rosto o Povo não pode ver, mas cuja presença adivinha nos acidentes da caminhada. Céu e terra, presença e ausência, luz e sombra, divino e humano, são dimensões aqui sugeridas a propósito de Cristo ressuscitado, elevado à glória do Pai, mas que continua a caminhar com os discípulos.
            Temos, ainda, os discípulos a olhar para o céu (vers. 10a). Significa a expectativa dessa comunidade que espera ansiosamente a segunda vinda de Cristo, a fim de levar ao seu termo o projeto de libertação do homem e do mundo. Temos, finalmente, os dois homens vestidos de branco (vers. 10b). O branco sugere o mundo de Deus – o que indica que o seu testemunho vem de Deus. Eles convidam os discípulos a continuar no mundo, animados pelo Espírito, a obra libertadora de Jesus; agora, é a comunidade dos discípulos que tem de continuar na história a obra de Jesus, embora com a esperança posta na segunda e definitiva vinda do Senhor.
            O sentido fundamental da ascensão não é que fiquemos a admirar a elevação de Jesus; mas é convidar-nos a seguir o “caminho” de Jesus, olhando para o futuro e entregando-nos à realização do seu projeto de salvação no meio do mundo.

Conclusão
            A ressurreição/ascensão de Jesus garante-nos, antes de mais, que uma vida, vivida na fidelidade aos projetos do Pai, é uma vida destinada à glorificação, à comunhão definitiva com Deus. Quem percorre o mesmo “caminho” de Jesus subirá, como Ele, à vida plena.
            A ascensão de Jesus recorda-nos, sobretudo, que Ele foi elevado para junto do Pai e nos encarregou de continuar a tornar realidade o seu projeto libertador no meio dos homens e mulheres, nossos irmãos. É essa a atitude que tem marcado a caminhada histórica da Igreja? Ela tem sido fiel à missão que Jesus, ao deixar este mundo, lhe confiou?
            O nosso testemunho tem transformado e libertado a realidade que nos rodeia? Qual o real impacto desse testemunho na nossa família, no local onde desenvolvemos a nossa atividade profissional, na nossa comunidade cristã ou religiosa?
            É relativamente freqüente ouvirmos dizer que os seguidores de Jesus gostam mais de olhar para o céu do que comprometerem-se na transformação da terra. Estamos, efetivamente, atentos aos problemas e às angústias dos homens, ou vivemos de olhos postos no céu, num espiritualismo alienado? Sentimo-nos questionados pelas inquietações, pelas misérias, pelos sofrimentos, pelos sonhos, pelas esperanças que enchem o coração dos que nos rodeiam? Sentimo-nos solidários com todos os homens, particularmente com aqueles que sofrem?


Referência: http://www.dehonianos.org

sexta-feira, 2 de maio de 2014

No Caminho de Emaús

No Caminho de Emaús
03º Domingo da Páscoa - Ano A
Rev. Edson Cortasio Sardinha
                      


            Hoje o Livro de Oração Comum (protestante do século XVI) traz a seguinte coleta (oração): “ Deus Todo-poderoso, tu mostras a luz da verdade aos que erram para que regressem ao caminho da retidão; ajuda os que são de Cristo a renunciar a tudo que se oponha à fé que professam e a andar nos passos do divino Mestre. Mediante Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém”.
            O Evangelho de hoje (Lucas 24.13-25) fala do Senhor auxiliando seus discípulos a voltarem ao caminho da fé.
            O terceiro domingo da Páscoa é um convite a descobrir o Senhor que acompanha os homens e mulheres pelos caminhos da vida, aviva com a sua Palavra os corações magoados, decepcionados e desolados, se revela sempre que a comunidade dos discípulos se reúne para “partir o pão”; e apela para que todos sejam testemunhas da ressurreição.
            A história que o Evangelho deste domingo nos apresenta é exclusiva de Lucas: nenhum outro evangelista a refere. O texto põe-nos a caminhar com dois discípulos de Jesus que, no dia de Páscoa, vão de Jerusalém para Emaús.
            De acordo com o autor do texto, os dois homens dirigiam-se para uma aldeia chamada Emaús, a sessenta estádios de Jerusalém (cerca de 10 quilômetros). Uma localidade com esse nome, a essa distância de Jerusalém é, no entanto, desconhecida… Pensou-se que o texto poderia referir-se a Amwas, uma localidade situada a cerca de trinta quilômetros a oeste de Jerusalém (alguns manuscritos antigos não falam de sessenta estádios, mas de cento e sessenta estádios, o que nos colocaria no sítio certo); no entanto, parece ser uma distância excessiva para percorrer num dia, sem paragens e a conversar despreocupadamente.
            A cena coloca-nos, em primeiro lugar, diante de dois discípulos que vão a caminho de Emaús. Um chama-se Cléofas; o outro não é identificado. Os dois estão, nitidamente, tristes e desanimados, pois os seus sonhos de triunfo e de glória ao lado de Jesus ruíram pela base, aos pés de uma cruz. Esse Messias poderoso, capaz de derrotar os opressores, de restaurar o reino grandioso de Davi (”nós esperávamos que fosse Ele quem havia de libertar Israel”) e de distribuir benesses e honras aos seus colaboradores diretos revelou-se, afinal, um fracasso.
Rev. Edson Sardinha nas ruínas de Emaús
            Em lugar de triunfar, deixou-Se matar numa cruz; e a sua morte é um fato consumado pois ”é já o terceiro dia depois que isto aconteceu” (o ”terceiro dia” após a morte é o dia da morte definitiva, do não regresso do túmulo). Abandonam a comunidade – que, doravante, não parece fazer qualquer sentido – e regressam à sua aldeia, dispostos a esquecer do sonho, a pôr os pés na terra e a enfrentar, de novo, uma vida dura e sem esperança.
            A discussão entre eles a propósito de ”tudo o que tinha acontecido” (v. 14) deve entender-se neste enquadramento: é essa partilha solidária dos sonhos desfeitos que torna menos doloroso o desencanto.
            Na sequência, o autor do relato introduz no quadro uma nova personagem: Jesus. Ele faz-se companheiro de viagem destes discípulos em caminhada, interroga-os sobre ”o que se passou nestes dias” em Jerusalém, escuta as suas preocupações, torna-se o confidente da sua frustração. Os dois homens contam a história do ”mestre” cuja proposta os seduziu; mas a versão que contam termina no túmulo: falta, na sua descrição, a fé no Senhor ressuscitado – ainda que conheçam a tradição do túmulo vazio.
            Para responder às inquietações dos dois discípulos e para lhes demonstrar que o projeto de Deus não passava por quadros de triunfo humano, mas pelo amor até às últimas consequências e pelo dom da vida, ”começando por Moisés e passando pelos profetas, explicou-lhes em todas as Escrituras o que lhe dizia respeito”. É na escuta e na partilha da Palavra que o plano salvador de Deus ganha sentido: só através da Palavra de Deus – explicada, meditada e acolhida – o crente pode perceber que o amor até às últimas consequências e o dom da vida não são um fracasso, mas geram vida nova e definitiva. A escuta da Palavra de Deus dá a entender ao crente a lógica de Deus e demonstra-lhe que a vida oferecida como dom não é perdida, mas é semente de vida plena. Os discípulos percebem, então, que ”o messias tinha de sofrer tudo isso para entrar na glória”: a vida plena e definitiva não está – de acordo com os esquemas de Deus – nos êxitos humanos, nos tronos, no poder; mas está na cruz.
            Os três (Jesus, Cléofas e o discípulo não identificado) chegam, finalmente, a Emaús. Os discípulos continuam a não reconhecer Jesus, mas convidam-no a ficar com eles. Ele aceita e sentam-se à mesa. Enquanto comiam, Jesus ”tomou o pão, recitou a bênção, partiu-o e entregou-lhes”. As palavras usadas por Lucas para descrever os gestos de Jesus evocam a celebração da Santa Ceia (eucarística) da Igreja primitiva. Dessa forma, Lucas recorda aos membros da sua comunidade que é possível encontrar Jesus vivo e ressuscitado – esse Jesus que por amor enfrentou a cruz, mas que continua a fazer-se companheiro de caminhada dos homens e mulheres nos caminhos da história – na celebração da Santa Ceia, no Culto, adoração, na comunhão da assembleia reunida: sempre que os irmãos se reúnem em nome de Jesus para ”partir o pão”, Jesus lá está, vivo e atuante, no meio deles.
            A última cena da nossa história põe os discípulos a retomar o caminho, a regressar a Jerusalém e a anunciar aos irmãos que Jesus está, efetivamente, vivo.
            O texto deixa uma mensagem muito importante: depois de fazer a experiência do encontro com Cristo vivo e ressuscitado na acolhida da Palavra e na celebração do partir o pão, cada crente é, implicitamente, convidado a voltar à estrada, a dirigir-se ao encontro dos irmãos e irmãs, e a testemunhar que Jesus está vivo e presente na história e na caminhada dos homens e mulheres.
        
Irmã Marisa nas escadas do Mosteiro de Latrum, em Emaús
    Emaús é a nossa história de cada dia: os nossos olhos fechados que não reconhecem o Ressuscitado, os nossos corações que duvidam fechados na tristeza, os nossos velhos sonhos vividos com decepção, o nosso caminho, talvez, afastando-se do Ressuscitado. N’Ele, durante este tempo, ajustemos os passos para que Ele possa caminhar junto de nós no caminho da vida. Há urgência em abrir os nossos olhos para reconhecer a sua Presença e a sua ação no coração do mundo e para levar a Boa Notícia: Jesus Ressuscitou! Ele ressuscitou realmente!

Referência: Texto adaptado de Joaquim Garrido, Manuel Barbosa, José Ornelas Carvalho da Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos). LISBOA – Portugal.


A música “Ao partir do pão”, de Wlamir Alencar, fala-nos sobre o encontro de Jesus com os discípulos de Emaús.



     LETRA DA MÚSICA “AO PARTIR DO PÃO”


Quem podia imaginar
que aquela cruz
era só o começo
de uma história de amor.
Comentavam com grande dor
tudo o que se passou
e jamais esperavam
reencontrar o senhor.
Aconteceu sem mesmo esperar
ele apareceu em meio aos dicípulos
a caminhar
Falava de amor
e o som de sua voz
abrasava os seus corações,
e diziam:
Senhor fica conosco
é tarde e o dia declina
quase sem esperança
partimos sem direção.
Mas ao redor da mesa
se abriram os nossos olhos
te reconhecemos
ao partir do pão.
Já não chore Jeruzalém
a alegria voltou.
Teu senhor está vivo
ele ressucitou.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

A Páscoa do Senhor

   Jesus Ressuscitou! 
Ele ressuscitou Realmente!





Rev. Edson Cortasio Sardinha

            Hoje começamos o Culto com a seguinte Antífona: "Jesus Ressuscitou! Ele ressuscitou realmente!"
            No Livro de Oração Comum do século XVI (o livro de oração amado por João Wesley) tem três orações para o Culto matutino:
            "Ó Deus, que para a nossa redenção entregaste o teu unigênito Filho à morte de cruz, e pela tua gloriosa ressurreição nos libertaste do poder de nosso inimigo; concede que morramos diariamente para o pecado, a fim de que vivamos sempre com Ele na alegria de sua ressurreição; mediante Jesus Cristo, teu Filho, nosso Senhor, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém".

            "Ó Pai Celestial, que fizeste com que a aurora santa brilhasse com a glória da ressurreição do Senhor; aviva em tua Igreja o Espírito de adoção, que nos é dado no Batismo, a fim de que nós, sendo renovados tanto no corpo como na mente, te adoremos com sinceridade e verdade; mediante Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém".

            "Onipotente Deus, que por teu unigênito Filho Jesus Cristo venceste a morte e nos franqueaste as portas da vida eterna; concede que nós, que celebramos com alegria o dia da ressurreição do Senhor, ressuscitemos da morte do pecado, pelo teu Espírito vivificador; mediante Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém".

            Estas orações expressam a grande celebração que é o Domingo da Páscoa para a Igreja cristã.  
            É o domingo de todos os domingos. O dia mais aguardado pela cristandade. O dia da renovação do nosso batismo e da confiança irrestrita no poder de Jesus sobre a morte. 
            É também o dia onde deveríamos lembrar de todos os cristãos que já morrerem e louvar a Deus pois todos ressuscitarão por Cristo, assim como Cristo ressuscitou. Ele é as primícias dos que dormem (I Co 15.20).
                João Wesley (1703-1791) dizia: "Há uma esperança" em todos aqueles que receberam este Espírito, uma esperança cheia de imortalidade. Sabem que morrer não é perder-se; os seus objetivos vão além da sepultura. Podem dizer alegremente: "Bendito seja o Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, de acordo com a sua misericórdia abundante, nos gerou de novo para uma esperança viva pela ressurreição de Jesus Cristo dos mortos, para uma herança incorruptível e imaculada e que não desaparecerá".         
            Gregório Magno (540-604) escreveu que: “Diante deste mistério (Ressurreição de Cristo), ficamos tão profundamente admirados e maravilhados, como diante dos mistérios da Encarnação e do nascimento virginal de Cristo”.
            Por causa da ressurreição de Cristo o domingo passou a ser o principal dia da semana. Jerônimo (347-420) dizia:  “O domingo é o dia da ressurreição, é o dia dos cristãos, é o nosso dia”.
            Agostinho de Hipona (354-430) chamava a Vigília Pascal de a mãe de todas as vigílias. A Páscoa é o dia da nossa esperança. Ele afirmava: “A ressurreição de Cristo é a nossa esperança”.
            Jesus ressuscitou e passou ser o Senhor da Igreja. Inácio de Antioquia (35-107) escreveu: “É a Ele (Jesus) que eu procuro, a Ele, que morreu por nós; é Ele que eu quero, Ele, que ressuscitou por nós”.
            Nossa igreja, nossa fé e nosso culto a Deus estão firmados na ressurreição de Cristo. Paulo diz: "E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé" (1 Co 15:14).
            Por isso com toda alegria celebremos: Jesus Ressuscitou! Ele ressuscitou realmente!

domingo, 13 de abril de 2014

A Via-Sacra dos Evangelhos

 


A Via-Sacra dos Evangelhos

Quatorze estações de Cristo segundo os Evangelhos. Rev. Edson C. Sardinha
1. Jesus ora no Horto de Getsêmani, Monte das Oliveiras
Nós te adoramos, Senhor Jesus e te bendizemos
Porque pela Tua santa cruz remistes o mundo.
Mt 26.36-46.
Contemple Jesus orando no Horto.
Oração: Senhor. Ajuda-me a aceitar a tua vontade. Que eu tenha um coração submisso para dizer: Não faça a minha vontade e sim a Tua. Reina sobre minha vida e me converta. Em Nome de Jesus. Amém.

2. Jesus, traído por Judas, é aprisionado
Nós te adoramos, Senhor Jesus e te bendizemos
Porque pela Tua santa cruz remistes o mundo.
Mt 26.47-56.
Contemple Jesus sendo traído e preso.
Oração: Senhor. Quantas vezes com o meu pecado eu te traí. Quantas vezes o Senhor foi aprisionado e sofreu por causa das minhas iniquidades.  Liberta-me de uma vida ímpia. Transforma-me em discípulo seu. Em Nome de Jesus. Amém.

3. A condenação de Jesus perante o Sinédrio
Nós te adoramos, Senhor Jesus e te bendizemos
Porque pela Tua santa cruz remistes o mundo.
Mt 26.57-66
Contemple Jesus sendo julgado pelo Sinédrio.
Oração: Senhor. Os religiosos não te aceitaram e te condenaram. Muitas vezes a minha religiosidade pode me afastar de ti. Ajuda-me a ser seguidor de Cristo. Que eu seja discípulo do Senhor e te receba como Senhor e Salvador. Em Nome de Jesus. Amém.

4. As negações do Apóstolo Pedro
Nós te adoramos, Senhor Jesus e te bendizemos
Porque pela Tua santa cruz remistes o mundo.
Mt 26.69-75.
Contemple Jesus sendo negado por Pedro.
Oração: Senhor. Teu apóstolo Pedro te negou três vezes. Quantas vezes tenho te negado vivendo uma vida que não te agrada. Ajude-me a ser santo e fiel aos seus Mandamentos. Que na privacidade de minha vida eu seja tão fiel quanto diante dos outros nos serviços da Igreja. Em Nome de Jesus. Amém.

5. Jesus entregue a Pilatos
Nós te adoramos, Senhor Jesus e te bendizemos
Porque pela Tua santa cruz remistes o mundo.
Jo 18.28 -40.
Contemple Jesus sendo entregue a Pilatos.
Oração: Senhor. Os homens pediram sua morte diante de Pilatos. Pilatos desejou agradar a homens e aceitou a condenação. Que eu seja fiel ao Senhor. Que eu não oscile na fé diante das provas e das pressões humanas. Que eu te reconheça como rei da minha vida. Em Nome de Jesus. Amém.

6. A flagelação e a coroação de espinhos de Jesus.
Nós te adoramos, Senhor Jesus e te bendizemos
Porque pela Tua santa cruz remistes o mundo.
Mc 15.15-20.
Contemple Jesus sofrendo nas mãos dos soldados.
Oração: Senhor. Meus pecados causam dores e sofrimentos em ti.  Minha vida pode te flagelar e te coroar de espinhos. Ajuda-me a ser um servo fiel. Que minha existência venha causar prazer e alegria no Senhor. Que meu testemunho exalte e alegre o teu coração. Em Nome de Jesus. Amém.

7. Jesus carrega a Cruz
Nós te adoramos, Senhor Jesus e te bendizemos
Porque pela Tua santa cruz remistes o mundo.
Mt 27.31.
Contemple Jesus carregando a Cruz.
Oração: Senhor. Quão pesado foi a cruz que o Senhor carregou. Ajuda-me a negar a mim mesmo, tomar também a minha cruz e segui-lo. Que eu seja fiel a ti e não fuja da cruz e do sofrimento. Ajuda-me a ser fiel até a morte. Em Nome de Jesus. Amém.
8. Jesus e Simão Cirineu
Nós te adoramos, Senhor Jesus e te bendizemos
Porque pela Tua santa cruz remistes o mundo.
Mc 15.21,22.
Contemple Jesus sendo ajudado por Simão.
Oração: Senhor. Pela graça de Deus, Simão te ajudou a carregar a pesada cruz. Que eu também esteja disposto a te ajudar a evangelizar e espalhar as Boas Novas que salvam vidas. Ajuda-me a ser como Simão. Transforma a minha vida e conte comigo para a salvação da humanidade. Usa-me na tua missão de salvar o mundo. Em Nome de Jesus. Amém.

9. O encontro de Jesus com as mulheres de Jerusalém
Nós te adoramos, Senhor Jesus e te bendizemos
Porque pela Tua santa cruz remistes o mundo.
Lc 23.27-31.
Contemple Jesus sendo consolado pelas mulheres.
Oração: Senhor. Tu dizes as mulheres que viriam tempos piores pela frente. Assim como o Senhor consolou as mulheres e as preparou para as provações e lutas, prepare o meu coração para enfrentar as dificuldades da vida. Que nada venha me afastar do seu santo caminho. Em Nome de Jesus. Amém.

10. A crucificação de Jesus
Nós te adoramos, Senhor Jesus e te bendizemos
Porque pela Tua santa cruz remistes o mundo.
Mc 15.24.
Contemple Jesus sendo crucificado.
Oração: Senhor. Na cruz o Senhor me salvou. A igreja foi comprada pelo precioso sangue do Senhor. Louvado seja o Senhor. Ajuda-me a honrar a tua bendita morte na cruz. Que eu seja testemunha fiel de sua santa paixão. Em Nome de Jesus. Amém.

11. Jesus e o ladrão convertido
Nós te adoramos, Senhor Jesus e te bendizemos
Porque pela Tua santa cruz remistes o mundo.
Lc 23.32-43
Contemple Jesus ministrando perdão ao ladrão convertido.
Oração: Senhor. No último momento o ladrão se converteu de seus pecados e pediu a entrada no paraíso. Ajuda-me a evangelizar as vidas que necessitam ter um encontro contigo. Ajuda-me a aproveitar a oportunidade para converter as áreas de minha vida que necessitam de santificação e graça. Em Nome de Jesus. Amém.

12. Maria e o Apóstolo João ao pé da Cruz de Jesus
Nós te adoramos, Senhor Jesus e te bendizemos
Porque pela Tua santa cruz remistes o mundo.
Jo 19.25-27.
Oração: Senhor. Tua mãe Maria e teu servo João sofreram muito diante da cruz, mas escutaram com serenidade suas palavras e orientações. Que eu tenha a paz para escutar suas orientações mesmo nos momentos mais difíceis da caminhada. Eu preciso te escutar e te acolher. Em Nome de Jesus. Amém.

13. A morte de Jesus
Nós te adoramos, Senhor Jesus e te bendizemos
Porque pela Tua santa cruz remistes o mundo.
Jo 19.28 – 34.
Contemple Jesus morrendo na cruz.
Oração: Senhor. Tua morte não foi o fim. Mas foi o principio da minha redenção. Olho para sua bendita morte e renovo meu compromisso de ser fiel até a morte. Por amor de ti. Em Nome de Jesus. Amém.

14. Jesus deposto no sepulcro
Nós te adoramos, Senhor Jesus e te bendizemos
Porque pela Tua santa cruz remistes o mundo.
Jo 19.38-42.
Contemple Jesus sendo sepultado.
Oração: Senhor. Naquela sexta-feira a tarde o mundo ficou em silêncio. Seu corpo foi colocado no frio sepulcro. Mas o Senhor foi ao abismo e tomou a chave da morte e do inferno. O Senhor esteve triunfando sobre o mal e garantindo nossa vida eterna. Que eu tenha serenidade para contemplar a sua morte te louvar pelo sua fidelidade e amor por nós até o fim. Que eu ame e viva a justiça de Deus no mundo. Em Nome de Jesus. Amém.

Oração Final:
            Senhor, tem piedade de nós.
            Cristo, tem piedade de nós.
            Senhor, tem piedade de nós.
            Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dá hoje. E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal; pois teu é o Reino, e o poder, e a glória para sempre. Amém.


Nós te adoramos, Senhor Jesus e te bendizemos
Porque pela Tua santa cruz remistes o mundo.

sábado, 12 de abril de 2014



Domingo de Ramos e a Semana da nossa Salvação
Rev. Edson Cortasio Sardinha 
Mateus 21.1-11

            O Domingo de Ramos tem início em Betfagé. Betfagé (que significa "Casa de Figos") estava localizada no Monte das Oliveiras, na estrada de Jerusalém a Jericó e muito perto de Betânia. Era o limite da jornada de um dia de sábado de Jerusalém, isto é, 2.000 côvados (1 Km).
            No local existe uma linda igreja Franciscana. O santuário de Betfagé está situado no lado leste do Monte das Oliveiras. Aqui se comemora o encontro de Jesus com Marta e Maria antes de ressuscitar Lázaro, e a entrada de Jesus em Jerusalém em meio à alegria dos discípulos e da multidão que bradava hosanas.
            A peregrina Egeria (da Galécia, Espanha), foi a autora de um diário de viagem a Terra Santa no século IV. Ele relata com detalhes as liturgias realizadas na Terra Santa. Ela é a primeira a mencionar a tradição da procissão que tem início no santuário de Betfagé. Egéria escreveu:
             “ O domingo que inicia a semana pascal [...] todo o povo sobe ao monte das oliveiras [...] e quando chega a undécima hora (isto é, as cinco da tarde), se lê o trecho do Evangelho onde as crianças vão ao encontro do senhor com ramos ou palmas [...] Em seguida o bispo se levanta e com ele todo o povo. Então desde o monte das oliveiras se faz todo o percurso a pé, enquanto o povo precede o bispo, ao canto de hinos e antífonas, conforme o texto bíblico e a tradição cristã: Bendito aquele que vem em nome do Senhor. E todas as crianças do lugar, até mesmo os que não podem ainda caminhar pela idade e são carregados pelos pais, trazem nas mãos os ramos de palma ou de oliveira; no mesmo modo como foi conduzido o Senhor até a cidade, assim também é conduzido o bispo. Do alto do monte se vai até a cidade, e depois, atravessando a cidade, chega-se a Anástasis (Igreja do Santo Sepulcro)”.
            Epifanio Monaco Testemunhou que desde o século IX a procissão se inicia de um lugar ainda mais distante: “Cerca de uma milha (da Assenção), há o lugar onde Cristo se sentou sobre o jumentinho. Lá se encontra uma oliveira da qual todos os anos se corta um ramo, depois de terem pagado o preço, e em procissão adentram a Jerusalém, o dia das Palmas”. 
            Mateus 21. 1-3 diz que “Quando se aproximaram de Jerusalém e chegaram a Betfagé, ao monte das Oliveiras, enviou Jesus dois discípulos, dizendo-lhes: 2   Ide à aldeia que aí está diante de vós e logo achareis presa uma jumenta e, com ela, um jumentinho. Desprendei-a e trazei-mos. 3   E, se alguém vos disser alguma coisa, respondei-lhe que o Senhor precisa deles. E logo os enviará”. Betfagé fala da oferta feita ao Senhor Jesus: uma jumenta e um jumentinho. Caso alguém perguntasse por que estavam levando a jumenta e o jumentinho os discípulos deveriam apenas dizer: “O Senhor precisa deles”. Isso bastaria.  Hoje devemos perguntar: “O que o Senhor precisa de nós?” O que precisamos deixar para que o Senhor leve? O que da nossa vida será importante para o avanço da obra do Senhor?
            Voltar a Betfagé é voltar a ouvir os discípulos nos desafiarem dizendo: “O Senhor precisa deles”.
            A jumenta e o jumentinho foram essenciais para que a profecia fosse cumprida: “ Ora, isto aconteceu para se cumprir o que foi dito por intermédio do profeta: Dizei à filha de Sião: Eis aí te vem o teu Rei, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de animal de carga” (Mt 21.4,5).
            Os donos dos animais contribuíram para que a profecia fosse realizada. Hoje Deus também conta com cada um de nós para que a profecia seja realizada na vida das pessoas. Precisamos declarar: “Senhor, eis-me aqui!”
            É um domingo de doações. Há doações de jumentos, vestes e ramos de árvores (Mt 21.6-8). As multidões clamavam (Mt 21.9): “Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas!” Mateus diz que “toda a cidade se alvoroçou, e perguntavam: Quem é este?” O povo respondia gritando (11): “Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galiléia!”(21.10).
            Com isso tem início a semana santa. A grande semana da nossa salvação.
            Jesus chora ao ver a cidade, purifica o templo, ensina sobre o fim dos tempos, é traído por Judas, inaugura a santa Ceia no cenáculo, vai ao jardim do Getsêmani, é preso e levado para o Sinédrio na casa de Caifás, é entregue a Pilatos, levado a Herodes e novamente com Pilatos é condenado pelo povo. É levado ao pelourinho para apanhar e depois carrega sua cruz para fora da cidade. No calvário é crucificado. Morre e ressuscita ao terceiro dia para a nossa salvação. Aqui está a salvação da Igreja: Jesus morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para nos dar a nova vida.

            Que esta Semana Santa seja vivida com oração e serenidade para que possamos ouvir novamente a história da nossa salvação.