terça-feira, 16 de setembro de 2014

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Leitura da Didaqué – Capítulos 6 - 10.
A Santa Liturgia
20 de setembro de 2014.



Leia cada versículo e comente em grupo

CAPÍTULO VI
1Fique atento para que ninguém o afaste do caminho da instrução, pois quem faz isso ensina coisas que não pertencem a Deus.
2Você será perfeito se conseguir carregar todo o jugo do Senhor. Se isso não for possível, faça o que puder.
3A respeito da comida, observe o que puder. Não coma nada do que é sacrificado aos ídolos pois esse culto é destinado a deuses mortos.

O que significa fazer o que puder? Isso não seria um liberalismo? Como entender as duas vezes que aparecem a frase “o que puder”?

A CELEBRAÇÃO LITÚRGICA 

CAPÍTULO VII

Sacramento do Batismo
1 Quanto ao batismo, faça assim: depois de ditas todas essas coisas, batize em água corrente, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
2 Se você não tiver água corrente, batize em outra água. Se não puder batizar com água fria, faça com água quente.
3 Na falta de uma ou outra, derrame água três vezes sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
4 Antes de batizar, tanto aquele que batiza como o batizando, bem como aqueles que puderem, devem observar o jejum. Você deve ordenar ao batizando um jejum de um ou dois dias.

Qual a forma prioritária para o Batismo?
O que significa as diversas opções para o Batismo?
Quem realiza o Batismo?
Qual a relação do Jejum com o Batismo?
Quem deveria Jejuar?

CAPÍTULO VIII

Jejum e Oração

1 Os seus jejuns não devem coincidir com os dos hipócritas. Eles jejuam no segundo e no quinto dia da semana. Porém, você deve jejuar no quarto dia e no dia da preparação.
2 Não ore como os hipócritas, mas como o Senhor ordenou em seu Evangelho. Ore assim: "Pai nosso que estás no céu, santificado seja o teu nome, venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai nossa dívida, assim como também perdoamos os nossos devedores e não nos deixes cair em tentação, mas livrai-nos do mal porque teu é o poder e a glória para sempre".
3 Orem assim três vezes ao dia.

Quem são os hipócritas?
Qual o dia de jejum dos cristãos primitivos?
Qual a importância do Pai nosso?
Por que deveriam orar três vezes ao dia?
Você segue alguma disciplina de oração e jejum? Poderia compartilhar?

CAPÍTULO IX

Sacramento da Eucaristia

1 Celebre a Eucaristia assim:
2 Diga primeiro sobre o cálice: "Nós te agradecemos, Pai nosso, por causa da santa vinha do teu servo Davi, que nos revelaste através do teu servo Jesus. A ti, glória para sempre".
3 Depois diga sobre o pão partido: "Nós te agradecemos, Pai nosso, por causa da vida e do conhecimento que nos revelaste através do teu servo Jesus. A ti, glória para sempre.
4 Da mesma forma como este pão partido havia sido semeado sobre as colinas e depois foi recolhido para se tornar um, assim também seja reunida a tua Igreja desde os confins da terra no teu Reino, porque teu é o poder e a glória, por Jesus Cristo, para sempre".
5 Que ninguém coma nem beba da Eucaristia sem antes ter sido batizado em nome do Senhor pois sobre isso o Senhor disse: "Não dêem as coisas santas aos cães".

A Eucaristia era marcada por uma simplicidade. Observe a simplicidade da oração sobre o cálice e sobre o Pão.
Já existia uma oração própria para a Eucaristia. Oração não era de consagração dos elementos, mas de agradecimento. Por que?
Ao mesmo tempo em que há uma oração escrita, há também uma simplicidade e liberdade no Rito. O que isso significa?
Quem celebra o ritual da Eucaristia?
Por que o não batizado não poderia tomar a Eucaristia?

CAPÍTULO X
1 Após ser saciado, agradeça assim:
2 "Nós te agradecemos, Pai santo, por teu santo nome que fizeste habitar em nossos corações e pelo conhecimento, pela fé e imortalidade que nos revelaste através do teu servo Jesus. A ti, glória para sempre.
3 Tu, Senhor ­onipotente criaste todas as coisas por causa do teu nome e deste aos homens o prazer do alimento e da bebida, para que te agradeçam. A nós, porém, deste uma comida e uma bebida espirituais e uma vida eterna através do teu servo.
4 Antes de tudo, te agradecemos porque és poderoso. A ti, glória para sempre.
5 Lembra-te, Senhor, da tua Igreja, livrando-a de todo o mal e aperfeiçoando-a no teu amor. Reúne dos quatro ventos esta Igreja santificada para o teu Reino que lhe preparaste, porque teu é o poder e a glória para sempre.
6 Que a tua graça venha e este mundo passe. Hosana ao Deus de Davi. Venha quem é fiel, converta-se quem é infiel. Maranatha. Amém."
7 Deixe os profetas agradecerem à vontade.

Já existia também uma oração para depois da Eucaristia. Esta oração está organizada em dois momentos: Agradecimento e intercessão. Qual o conteúdo do agradecimento e da intercessão?
Quais desafios este encontro gerou em seu coração?


sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Leitura da Didaqué - Capítulos 4 e 5




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Leitura da Didaqué – Capítulos 4 - 5.
06 de setembro de 2014   

Texto Bíblico: Mateus 7.13,14.

Leia e comente cada “versículo”


CAPÍTULO IV

1Filho, lembre-se dia e noite daquele que prega a Palavra de Deus para você. Honre-o como se fosse o próprio Senhor, pois Ele está presente o­nde a soberania do Senhor é anunciada.

2Procure estar todos os dias na companhia dos fiéis para encontrar forças em suas palavras.

3Não provoque divisão. Ao contrário, reconcilia aqueles que brigam entre si. Julgue de forma justa e corrija as culpas sem distinguir as pessoas.

4Não hesite sobre o que vai acontecer.

5Não te pareças com aqueles que dão a mão quando precisam e a retiram quando devem dar.

6Se o trabalho de suas mãos te rendem algo, as ofereça como reparação pelos seus pecados.

7Não hesite em dar, nem dê reclamando porque, na verdade, você sabe quem realmente pagou sua recompensa. Reverencia, como à própria imagem de Deus.

12Deteste toda a hipocrisia e tudo aquilo que não agrada o Senhor.

13Não viole os mandamentos dos Senhor. Guarde tudo aquilo que você recebeu: não acrescente ou retire nada.

14Confesse seus pecados na reunião dos fiéis e não comece a orar estando com má consciência. Este é o caminho da vida.

Qual o versículo que mais fala a sua necessidade hoje? Por que?
Como os cristãos viviam na época da Didaqué?
O texto fala de falsos cristãos?
Como era resolvido o problema do pecado?
O que significa trabalhar com as mãos para reparar os pecados?

CAPÍTULO V

1Este é o caminho da morte: primeiro, é mau e cheio de maldições - homicídios, adultérios, paixões, fornicações, roubos, idolatria, magias, feitiçarias, rapinas, falsos testemunhos, hipocrisias, coração com duplo sentido, fraudes, orgulho, maldades, arrogância, avareza, palavras obscenas, ciúmes, insolência, altivez, ostentação e falta de temor de Deus.

Quais destes pecados estão mais presentes em nosso cristianismo do século XXI?
O que é o pecado da falta de temor de Deus?

2Nesse caminho trilham os perseguidores dos justos, os inimigos da verdade, os amantes da mentira, os ignorantes da justiça, os que não desejam o bem nem o justo julgamento, os que não praticam o bem mas o mal. A calma e a paciência estão longe deles. Estes amam as coisas vãs, são ávidos por recompensas, não se compadecem com os pobres, não se importam com os perseguidos, não reconhecem o Criador. São também assassinos de crianças, corruptores da imagem de Deus, desprezam os necessitados, oprimem os aflitos, defendem os ricos, julgam injustamente os pobres e, finalmente, são pecadores consumados. Filho, afaste-se disso tudo.

Este caminho de iniquidade está presente em nossos dias?
O que são pecadores consumados?
Como se afastar dos pecadores consumados e de todas as suas práticas?

Como ser o sal da terra e a luz do mundo? 
Como estar sendo renovado na esperança e na alegria do Senhor, apesar de tantos pecados?
Quais desafios este encontro gerou em seu coração?


segunda-feira, 25 de agosto de 2014

VI Retiro de Espiritualidade e Contemplação da OESI

O Retiro de Contemplação e Espiritualidade tem sido uma prática em minha vida espiritual há seis anos.
            Neste ano desejamos retornar ao Caminho de Emaús. Verificar a espiritualidade desta caminhada e aprender caminhando. Não existe caminho pronto. Sempre será uma experiência nova. Cada retiro Deus trabalha áreas específicas em nosso coração.
            Nesta caminhada tivemos a companhia dos Padres do Deserto. O termo, Padres do Deserto inclui um grupo influente de eremitas (sozinho) e cenobitas (em grupo) do século IV que se estabeleceram no deserto egípcio. As origens do monaquismo oriental se encontram nessas ermidas primitivas e comunidades religiosas.
            Paulo de Tebas é o primeiro eremita do qual se tem notícia, a estabelecer a tradição do ascetismo e contemplação monástica e Pacômio de Tebaida é considerado o fundador do cenobitismo, do monasticismo primitivo.
            Ao final do terceiro século, contudo, Antão do Egito orienta colônias de eremitas na região central. Esses primitivos monásticos atraíram um grande número de seguidores aos seus retiros, através da influência de sua simples e concentrada busca pela união com Deus e santificação. Os Padres do Deserto eram frequentemente solicitados para dar direção espiritual e conselho aos seus discípulos. Suas respostas foram gravadas e colecionadas num trabalho chamado "Paraíso" ou "Apotegmas dos Padres".
            Neste Retiro os Apotegmas e Orações dos Padres do Deserto foram refletidos por Anselm Grün. Também estudamos uma parte da palestra de Armand Veilleux sobre a “Lectio Divina como escola de oração entre os Padres do Deserto”.
            Como todos os Retiros anteriores, a “espinha dorsal” do encontro foi o Livro de Oração Comum considerado por João Wesley o melhor livro de oração.
            Também tivemos um momento especial para os Exercícios Espirituais no modelo de Inácio de Loyola. 

            Neste Retiro encontramos com o Cristo ressuscitado, tivemos nosso coração abrasado por sua presença e fomos renovados para a caminhada da fé.


Pastor Edmar e Patrícia

Na capela

Oração da manhã

Ministros da Oração

Livro de Oração



Cânticos de adoração

Reflexão Bíblica

Palavra compartilhada


Diaconisa Suely


Jandira e Dirce

Comentário Bíblico



Elonede e Tersa

Paulo Soares


Momento de oração

    

Creusa, Eliane e Patrícia

Os participantes

Preparação para a foto oficial

Lugar lindo

Espaço de oração

Silêncio


Caminho de Emaús




Creusa


terça-feira, 12 de agosto de 2014

3 Leitura da Didaqué – Capítulos 1 - 3. (Estudos de Espiritualidade)



3
Leitura da Didaqué – Capítulos 1 - 3.
16 de agosto de 2014

Texto Bíblico: Mateus 5.1-12

Nossa chave hermenêutica será a Espiritualidade. Iremos ler a Didaqué pensando a espiritualidade dos primeiros cristãos e a nossa.

O CAMINHO DA VIDA E O CAMINHO DA MORTE
CAPÍTULO I
            1Existem dois caminhos: o caminho da vida e o caminho da morte. Há uma grande diferença entre os dois.
            2Este é o caminho da vida: primeiro, ame a Deus que o criou; segundo, ame a seu próximo como a si mesmo. Não faça ao outro aquilo que você não quer que façam a você.
            3Este é o ensinamento derivado dessas palavras: bendiga aqueles que o amaldiçoam, ore por seus inimigos e jejue por aqueles que o perseguem. Ora, se você ama aqueles que o amam, que graça você merece? Os pagãos também não fazem o mesmo? Quanto a você, ame aqueles que o odeiam e assim você não terá nenhum inimigo.
            4Não se deixe levar pelo instinto. Se alguém lhe bofeteia na face direita, ofereça-lhe também a outra face e assim você será perfeito. Se alguém o obriga a acompanhá-lo por um quilometro, acompanhe-o por dois. Se alguém lhe tira o manto, ofereça-lhe também a túnica. Se alguém toma alguma coisa que lhe pertence, não a peça de volta porque não é direito.
            5Dê a quem lhe pede e não peças de volta pois o Pai quer que os seus bens sejam dados a todos. Bem-aventurado aquele que dá conforme o mandamento pois será considerado inocente. Ai daquele que recebe: se pede por estar necessitado, será considerado inocente; mas se recebeu sem necessidade, prestará contas do motivo e da finalidade. Será posto na prisão e será interrogado sobre o que fez... e daí não sairá até que devolva o último centavo.
            6Sobre isso também foi dito: que a sua esmola fique suando nas suas mãos até que você saiba para quem a está dando.

O caminho da vida é o caminho da prática do Mandamento do Senhor. Somente com  a graça de Deus teremos condições de perseverar no caminho da vida.
Este caminho também está relacionado ao relacionamento com o próximo.
A espiritualidade da não reação é fácil? O que fazer para não reagir? 
A espiritualidade de dar a quem pede é também provocadora. Você ainda é preso aons bens?

CAPÍTULO II
            1O segundo mandamento da instrução é:
            2Não mate, não cometa adultério, não corrompa os jovens, não fornique, não roube, não pratique a magia nem a feitiçaria. Não mate a criança no seio de sua mãe e nem depois que ela tenha nascido.
            3Não cobice os bens alheios, não cometa falso juramento, nem preste falso testemunho, não seja maldoso, nem vingativo.
            4Não tenha duplo pensamento ou linguajar pois o duplo sentido é armadilha fatal.
            5A sua palavra não deve ser em vão, mas comprovada na prática.
            6Não seja avarento, nem ladrão, nem fingido, nem malicioso, nem soberbo. Não planeje o mal contra o seu próximo.
            7Não odeie a ninguém, mas corrija alguns, ore por outros e ame ainda aos outros, mais até do que a si mesmo.

Os valores espirituais dos primeiros cristãos são difíceis para você hoje? Qual o mandamento mais difícil para você?
Nossa espiritualidade não deve ser  com vãs palavras "...mas comprovada na prática". O que isso significa?

CAPÍTULO III
            1Filho, procure evitar tudo aquilo que é mau e tudo que se parece com o mal.
            2Não seja colérico porque a ira conduz à morte. Não seja ciumento também, nem briguento ou violento, pois o homicídio nasce de todas essas coisas.
            3Filho, não cobice as mulheres pois a cobiça leva à fornicação. Evite falar palavras obscenas e olhar maliciosamente já que os adultérios surgem dessas coisas.
            4Filho, não se aproxime da adivinhação porque ela leva à idolatria. Não pratique encantamentos, astrologia ou purificações, nem queira ver ou ouvir sobre isso, pois disso tudo nasce a idolatria.
            5Filho, não seja mentiroso pois a mentira leva ao roubo. Não persiga o dinheiro nem cobice a fama porque os roubos nascem dessas coisas.
            6Filho, não fale demais pois falar muito leva à blasfêmia. Não seja insolente, nem tenha mente perversa porque as blasfêmias nascem dessas coisas.
            7Seja manso pois os mansos herdarão a terra.
            8Seja paciente, misericordioso, sem maldade, tranquilo e bondoso. Respeite sempre as palavras que você escutou.
            9Não louve a si mesmo, nem se entregue à insolência. Não se junte com os poderosos, mas aproxima dos justos e pobres.
            10Aceite tudo o que acontece contigo como coisa boa e saiba que nada acontece sem a permissão de Deus.

Este caminho espiritual é árduo: evitar o mau, a cólera, o ciúme, a cobiça sexual, adivinhações, mentira, falar demais, não louvar a si mesmo. O que mais tem te atrapalhado na caminhada espiritual?
"Não se junte aos poderosos, mas com os justos e os pobres". Qual a intenção desta regra? Você já consegue aceitar tudo que acontece com você como uma coisa boa?

Este encontro foi importante para mim? Por que? O que nestes capítulos mais falou comigo? Qual área de minha vida eu precisa crescer mais?


sábado, 9 de agosto de 2014

Grupo de Estudo de Espiritualidade Cristã



Iniciamos um Grupo de Estudo sobre Espiritualidade Cristã no dia 02 de agosto de 2014. Iniciamos estudando a Espiritualidade do Livro de Didaqué.  Iremos reler todo o Didaqué revendo a espiritualidade dos primeiros cristãos e cristãs. Depois iremos reler o livro História Eclesiástica de Eusébio de Cesareia. Sempre introduzindo com a Palavra de Deus. Somos apenas cristãos e cristãs. Aqui estão presbiterianos, metodistas e católicos, mas nos Estudos de Espiritualidade da OESI (Ordem Evangélica dos Servos Intercessores) somos apenas cristãos. Após os estudos temos uma devocional onde oramos a Oração das Vésperas e cantamos músicas de Taizé. Nossas reuniões tem ocorrido aos sábados, às 17 horas. Hoje tivemos nosso segundo encontro.    

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

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Introdução ao Didaqué
09 de agosto de 2014
   
Didaquê (português brasileiro) ou Didaqué (português europeu) (Διδαχń, "ensino", "doutrina", "instrução" em grego clássico), Instrução dos Doze Apóstolos (do grego Didache kyriou dia ton dodeka apostolon ethesin) ou Doutrina dos Doze Apóstolos é um escrito do século I que trata do catecismo cristão.
            É constituída apenas por dezesseis pequenos capítulos, mas é de grande relevância histórica e teológica. Considera-se originário da Palestina ou da Síria, mas em relação à data em que foi escrita, os estudiosos dividem-se: uns colocam-na antes da destruição do templo (entre 60 a 70 a.e.c) e outros no período posterior (entre 70 e 90 a.e.c.). Quanto à autoria, pensa-se que não terão sido os doze apóstolos a escrever diretamente o texto, mas o nome terá sido dado por refletir os ensinamentos atribuídos aos Doze.
            O título lembra a referência de «E perseveravam na doutrina dos apóstolos ...» (Atos 2:42).


1. Importância:
            “Um dos documentos mais fascinantes e ao mesmo tempo mais intrigantes a emergirem da igreja primitiva” (M. W. Holmes).
            “Nenhum documento da igreja antiga tem se revelado tão desconcertante para os estudiosos como esse folheto aparentemente inocente” ... “A criança mimada da crítica” (C. C. Richardson).
            “É a única evidência contemporânea direta que temos sobre as condições da vida da Igreja no período obscuro entre o Novo Testamento e a organização mais plenamente desenvolvida do 2º século” (M. Staniforth).
            “O documento mais importante do período sub-apostólico e a mais antiga fonte de lei eclesiástica que possuímos... Enriqueceu e aprofundou de modo extraordinário o nosso conhecimento dos primórdios da Igreja” (J. Quasten).

2. Descoberta do manuscrito:
            O título do documento era conhecido através de referências em vários escritores antigos.
            Em 1873, Filoteos Bryennios, o metropolita grego de Nicomédia, encontrou na biblioteca do mosteiro do Santo Sepulcro (biblioteca do patriarca grego de Jerusalém), em Constantinopla (Istambul), um rolo de manuscritos em grego, datado de 1056, copiado por um escriba chamado Leo.
            Tratava-se de 120 folhas de pergaminho contendo a Sinopse de Crisóstomo dos Livros do AT e do NT, a Epístola de Barnabé, as duas epístolas de Clemente, a Didaquê, a Epístola de Maria de Cassobelae a Inácio e a versão longa das cartas de Inácio (12 cartas).
            Em 1883, dez anos após a descoberta, Bryennios publicou a Didaqué pela primeira vez, em Constantinopla. Em 1887, o manuscrito (Cod. 54 ou Codex Ierosolymitanus) foi levado para a biblioteca patriarcal de Jerusalém, onde se encontra até hoje.
            Existem outras versões antigas da Didaquê: copta, etíope, georgiana e latina.

3. Testemunhos antigos:
            As muitas menções de trechos da Didaqué em escritos da igreja antiga atestam a sua importância. Ela deve ter gozado de ampla circulação por algum tempo, sendo aceita pelo menos por uma parte da igreja como um livro digno de ser lido no culto divino. Clemente de Alexandria a cita uma vez como Escritura (graphé). (Strom. I, 20, 100).
            Vários autores acharam necessário destacar que a Didaqué não possuía caráter canônico. Eusébio de Cesaréia refere-se a ela como um dos livros apócrifos ou espúrios (Hist. Ecles., III, 25, 4). Atanásio faz o mesmo, mas declara que ela ainda era usada na instrução catequética (Ep. Fest. 39).
            O autor da Didascália (início do terceiro século) conhecia toda a Didaqué. Esta serve de base para o 7º livro das Constituições Apostólicas (Síria, quarto século). Os Dois Caminhos (caps. 1-6) são muito semelhantes aos capítulos 18-20 da Epístola de Barnabé (100-130 AD). É possível que ambos os documentos tenham se baseado em uma fonte comum. Grande parte desse material também aparece na Ordem Eclesiástica Apostólica (quarto século) e na Vida de Schnudi (quinto século).

4. Partes constitutivas:
            O documento tem duas partes distintas:
            (a) Os Dois Caminhos (1-6): código de moralidade cristã, apresentando as diferentes virtudes e vícios que constituem, respectivamente, o Caminho da Vida e o Caminho da Morte. Essa seção é uma adaptação de um tratado moral autônomo, provavelmente de origem judaica, que era conhecido e usado em Alexandria. No início do segundo século, esse texto judaico teria sido inserido em um primitivo manual eclesiástico – a Didaquê, recebendo importantes acréscimos cristãos.
            (b) Manual eclesiástico (7-16): compêndio de regras que tratam de diversos aspectos da vida da igreja, tais como: batismo, jejum, eucaristia, missionários itinerantes, ministros locais, etc. São esses antigos regulamentos que conferem à Didaquê um interesse e importância singulares, pois refletem a vida de uma primitiva comunidade cristã na Síria (ou no Egito) no final do 1º século. (M. Staniforth).
           
            Johannes Quasten faz uma divisão diferente: (a) instruções litúrgicas: caps. 1-10; (b) regulamentos disciplinares: caps. 11-15; (c) conclusão: a parousia do Senhor e deveres dela decorrentes: cap. 16. A primeira seção é composta de duas partes: regras de moralidade (1-6) e instruções litúrgicas (7-10).

            Segundo o mesmo autor, alguns temas importantes do documento são: oração e liturgia, confissão, hierarquia, beneficência, eclesiologia e escatologia. Contém as mais antigas orações eucarísticas conhecidas e a única referência ao batismo por efusão nos dois primeiros séculos. Não faz nenhuma referência ao episcopado monárquico e aos presbíteros.
            Uma versão latina, intitulada “Doctrina apostolorum” e correspondente à Didaquê 1-6 (sem 1.3b-2.1), apoia-se no texto grego de uma doutrina judaica tardia dos dois caminhos. Essa doutrina destinava-se à instrução moral de gentios desejosos de aderir à sinagoga como “tementes a Deus”.
            O escrito era intitulado “Didaché Kuríou tois éthnesin”. Pela inserção das palavras “diá ton dódeka apostólon” no título e pela interpolação de 1.3b-2.1, a doutrina recebeu um caráter cristão. (Altaner e Stuiber).

5. Evidências de antiguidade
·           O título “servo de Deus” aplicado a Jesus.
·           A simplicidade litúrgica e das orações.
·           As orações eucarísticas apontam para um período em que a Ceia do Senhor era ainda uma ceia.
·           O batismo em água corrente e por imersão.
·           Preocupação em distinguir as práticas cristãs dos rituais judaicos (8.1).
·           Ausência de preocupação com um credo universal.
·           Nenhuma referência aos livros do Novo Testamento.
·           Nenhuma referência ao episcopado monárquico.
·           Ênfase aos ofícios carismáticos e itinerantes: apóstolos e profetas.
·           Dupla estrutura de bispos e diáconos (ver Fp 1.1).
   
6. Composição
            C. Richardson entende que o “didaquista” foi mais um compilador do que um autor. Ou seja, ele não escreveu a Didaquê, mas reuniu dois documentos pré-existentes, fazendo algumas adaptações. Ele provavelmente compôs o capítulo final (16).

            Os Dois Caminhos (caps. 1-5) representariam uma forma tardia de um catecismo original no qual o didaquista inseriu em bloco alguns ensinos tipicamente cristãos. Tais ensinos revelam um conhecimento de Mateus e Lucas, e também do Pastor de Hermas (1.5 = Man. 2.4-6) e da Epístola de Barnabé (16.2 = Barn. 4.9).
           
            O manual de ordem eclesiástica (caps. 6-15) refletiria o período sub-apostólico nas igrejas rurais da Síria. Evidências: (a) é claramente dependente do evangelho de Mateus, que provavelmente se originou na Síria; (b) as orações eucarísticas refletem uma região em que o trigo é semeado nas colinas (9.4); (c) a seção batismal pressupõe uma região em que existem termas (7.2); (d) os profetas e mestres lembram a situação de Antioquia (Atos 13.1). A imagem que se obtém dessa fonte é de comunidades rurais que recebem periodicamente a visita dos líderes de algum centro cristão.
           
            A Didaquê propriamente dita deve ter sido composta em Alexandria. Evidências: (a) os Dois Caminhos circulavam ali, pois a Epístola de Barnabé e a Ordem Eclesiástica Apostólica procedem daquela localidade; (b) é possível que Clemente de Alexandria conhecesse a Didaquê; (c) o documento revela uma atitude liberal em relação ao cânon do NT, aparentemente incluindo Barnabé e Hermas, o que aponta para Alexandria; (d) até o quarto século a Didaquê era altamente valorizada no Egito, sendo quase considerada canônica, e foi mencionada por Atanásio como adequada para a instrução catequética.



7. Data e autenticidade
            Autor: um ministro sagrado de idade avançada, formado na escola de Tiago, o Menor, que teria imigrado para a Síria por ocasião da guerra civil (R. Frangiotti).
            Estudiosos estimam que são escritos anteriores a destruição do templo de Jerusalém, entre os anos 60 e 70 d.C. Outros estimam que foi escrito entre os anos 70 e 90 d.C., contudo são coesos quanto a origem sendo na Palestina ou Síria.
            Segundo Willy Rordorf, a Didaquê é uma "compilação anônima de diversas fontes derivadas da tradição viva, de comunidades eclesiais bem definidas", portanto a questão da datação equivale à questão das datas das tradições ali registradas, que indubitavelmente remontariam ao século I d. C., derrubando as teses de datação tardia (séc. II).
            Quanto à sua autenticidade, é de senso comum que o mesmo não tenha sido escrito pelos doze apóstolos, ainda que o título do escrito lhes faça menção. Contudo, estudiosos acreditam na compilação de fontes orais tendo recebido os ensinamentos que resultaram na elaboração do texto. Também é senso comum que tenha sido escrito por mais de uma pessoa.
            O texto foi mencionado por escritores antigos, inclusive por Eusébio de Cesaréia que viveu no século III, em seu livro "História Eclesiástica", mas a descoberta desse manuscrito, na íntegra, em grego, num códice do século XI ( ano 1056 ) ocorreu somente em 1873 num mosteiro em Constantinopla, o chamado Codex Hierosolymitanus.
            É considerado apócrifo por Eusébio, Atanásio (c. 367) e Rufino (c. 380).

Conteúdo
            Nos escritos da Didaqué, além da catequese e liturgia cristã, o evangelho de Jesus é recomendado. A Didaqué também cita a oração do “Pai Nosso” como sendo “ensinada pelo Senhor” e finda com a afirmação em consonância com o livro Apocalipse, do Novo Testamento, de que Jesus voltará:

“... conforme foi dito: "O Senhor virá e todos os santos estarão com ele". Então o mundo assistirá o Senhor chegando sobre as nuvens do céu."      
           
            Nos escritos da Didaqué também são reforçados o batismo no nome do Pai, Filho e Espírito Santo, sendo argumento para os que aceitam o dogma da Trindade, contrapondo-se a defesa dos não trinitários de que não existiam escritos cristãos do primeiro século que defendessem o batismo no nome de Jesus.

            A respeito de Jesus, ainda sobre o batismo, diz:

“Que ninguém coma nem beba da Eucaristia sem antes ter sido batizado em nome do Senhor, pois sobre isso o Senhor disse: "Não deem as coisas santas aos cães"       ”
           
            Tais escritos também sustentam argumentos de que existiam escritos do primeiro século apoiando a defesa da tese teológica de que Jesus é Deus.

            Sobre questões polêmicas como o batismo, adverte para o batismo em imersão; sendo admitido por aspersão na inexistência de água corrente.
            A Didaqué também acentua a disposição ao jejum por parte do candidato ao batismo e daquele que o vai batizar por cerca de três dias antes do batismo.

            Nos escritos da Didaqué há uma similaridade quando se referencia ora ao Pai como o Senhor, ora a Jesus como o Senhor, o que é aceito por alguns como a interposição entre as duas pessoas. Também fazendo a distinção de pessoa chamando Jesus de servo do Pai.

            A Didaqué faz registro da celebração da eucaristia:

“Reuni-vos no dia do Senhor, para romperdes o pão e dardes graças”.

            A Didaqué cita diretamente ou faz menção indireta a diversos livros do novo testamento: Mateus, Lucas, I Epístola aos Coríntios, Hebreus, I Epístola de Pedro, Atos dos Apóstolos, Romanos, Efésios, Carta aos Tessalonicenses e Apocalipse.

Bibliografia:

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