segunda-feira, 25 de agosto de 2014

VI Retiro de Espiritualidade e Contemplação da OESI

O Retiro de Contemplação e Espiritualidade tem sido uma prática em minha vida espiritual há seis anos.
            Neste ano desejamos retornar ao Caminho de Emaús. Verificar a espiritualidade desta caminhada e aprender caminhando. Não existe caminho pronto. Sempre será uma experiência nova. Cada retiro Deus trabalha áreas específicas em nosso coração.
            Nesta caminhada tivemos a companhia dos Padres do Deserto. O termo, Padres do Deserto inclui um grupo influente de eremitas (sozinho) e cenobitas (em grupo) do século IV que se estabeleceram no deserto egípcio. As origens do monaquismo oriental se encontram nessas ermidas primitivas e comunidades religiosas.
            Paulo de Tebas é o primeiro eremita do qual se tem notícia, a estabelecer a tradição do ascetismo e contemplação monástica e Pacômio de Tebaida é considerado o fundador do cenobitismo, do monasticismo primitivo.
            Ao final do terceiro século, contudo, Antão do Egito orienta colônias de eremitas na região central. Esses primitivos monásticos atraíram um grande número de seguidores aos seus retiros, através da influência de sua simples e concentrada busca pela união com Deus e santificação. Os Padres do Deserto eram frequentemente solicitados para dar direção espiritual e conselho aos seus discípulos. Suas respostas foram gravadas e colecionadas num trabalho chamado "Paraíso" ou "Apotegmas dos Padres".
            Neste Retiro os Apotegmas e Orações dos Padres do Deserto foram refletidos por Anselm Grün. Também estudamos uma parte da palestra de Armand Veilleux sobre a “Lectio Divina como escola de oração entre os Padres do Deserto”.
            Como todos os Retiros anteriores, a “espinha dorsal” do encontro foi o Livro de Oração Comum considerado por João Wesley o melhor livro de oração.
            Também tivemos um momento especial para os Exercícios Espirituais no modelo de Inácio de Loyola. 

            Neste Retiro encontramos com o Cristo ressuscitado, tivemos nosso coração abrasado por sua presença e fomos renovados para a caminhada da fé.


Pastor Edmar e Patrícia

Na capela

Oração da manhã

Ministros da Oração

Livro de Oração



Cânticos de adoração

Reflexão Bíblica

Palavra compartilhada


Diaconisa Suely


Jandira e Dirce

Comentário Bíblico



Elonede e Tersa

Paulo Soares


Momento de oração

    

Creusa, Eliane e Patrícia

Os participantes

Preparação para a foto oficial

Lugar lindo

Espaço de oração

Silêncio


Caminho de Emaús




Creusa


terça-feira, 12 de agosto de 2014

3 Leitura da Didaqué – Capítulos 1 - 3. (Estudos de Espiritualidade)



3
Leitura da Didaqué – Capítulos 1 - 3.
16 de agosto de 2014

Texto Bíblico: Mateus 5.1-12

Nossa chave hermenêutica será a Espiritualidade. Iremos ler a Didaqué pensando a espiritualidade dos primeiros cristãos e a nossa.

O CAMINHO DA VIDA E O CAMINHO DA MORTE
CAPÍTULO I
            1Existem dois caminhos: o caminho da vida e o caminho da morte. Há uma grande diferença entre os dois.
            2Este é o caminho da vida: primeiro, ame a Deus que o criou; segundo, ame a seu próximo como a si mesmo. Não faça ao outro aquilo que você não quer que façam a você.
            3Este é o ensinamento derivado dessas palavras: bendiga aqueles que o amaldiçoam, ore por seus inimigos e jejue por aqueles que o perseguem. Ora, se você ama aqueles que o amam, que graça você merece? Os pagãos também não fazem o mesmo? Quanto a você, ame aqueles que o odeiam e assim você não terá nenhum inimigo.
            4Não se deixe levar pelo instinto. Se alguém lhe bofeteia na face direita, ofereça-lhe também a outra face e assim você será perfeito. Se alguém o obriga a acompanhá-lo por um quilometro, acompanhe-o por dois. Se alguém lhe tira o manto, ofereça-lhe também a túnica. Se alguém toma alguma coisa que lhe pertence, não a peça de volta porque não é direito.
            5Dê a quem lhe pede e não peças de volta pois o Pai quer que os seus bens sejam dados a todos. Bem-aventurado aquele que dá conforme o mandamento pois será considerado inocente. Ai daquele que recebe: se pede por estar necessitado, será considerado inocente; mas se recebeu sem necessidade, prestará contas do motivo e da finalidade. Será posto na prisão e será interrogado sobre o que fez... e daí não sairá até que devolva o último centavo.
            6Sobre isso também foi dito: que a sua esmola fique suando nas suas mãos até que você saiba para quem a está dando.

O caminho da vida é o caminho da prática do Mandamento do Senhor. Somente com  a graça de Deus teremos condições de perseverar no caminho da vida.
Este caminho também está relacionado ao relacionamento com o próximo.
A espiritualidade da não reação é fácil? O que fazer para não reagir? 
A espiritualidade de dar a quem pede é também provocadora. Você ainda é preso aons bens?

CAPÍTULO II
            1O segundo mandamento da instrução é:
            2Não mate, não cometa adultério, não corrompa os jovens, não fornique, não roube, não pratique a magia nem a feitiçaria. Não mate a criança no seio de sua mãe e nem depois que ela tenha nascido.
            3Não cobice os bens alheios, não cometa falso juramento, nem preste falso testemunho, não seja maldoso, nem vingativo.
            4Não tenha duplo pensamento ou linguajar pois o duplo sentido é armadilha fatal.
            5A sua palavra não deve ser em vão, mas comprovada na prática.
            6Não seja avarento, nem ladrão, nem fingido, nem malicioso, nem soberbo. Não planeje o mal contra o seu próximo.
            7Não odeie a ninguém, mas corrija alguns, ore por outros e ame ainda aos outros, mais até do que a si mesmo.

Os valores espirituais dos primeiros cristãos são difíceis para você hoje? Qual o mandamento mais difícil para você?
Nossa espiritualidade não deve ser  com vãs palavras "...mas comprovada na prática". O que isso significa?

CAPÍTULO III
            1Filho, procure evitar tudo aquilo que é mau e tudo que se parece com o mal.
            2Não seja colérico porque a ira conduz à morte. Não seja ciumento também, nem briguento ou violento, pois o homicídio nasce de todas essas coisas.
            3Filho, não cobice as mulheres pois a cobiça leva à fornicação. Evite falar palavras obscenas e olhar maliciosamente já que os adultérios surgem dessas coisas.
            4Filho, não se aproxime da adivinhação porque ela leva à idolatria. Não pratique encantamentos, astrologia ou purificações, nem queira ver ou ouvir sobre isso, pois disso tudo nasce a idolatria.
            5Filho, não seja mentiroso pois a mentira leva ao roubo. Não persiga o dinheiro nem cobice a fama porque os roubos nascem dessas coisas.
            6Filho, não fale demais pois falar muito leva à blasfêmia. Não seja insolente, nem tenha mente perversa porque as blasfêmias nascem dessas coisas.
            7Seja manso pois os mansos herdarão a terra.
            8Seja paciente, misericordioso, sem maldade, tranquilo e bondoso. Respeite sempre as palavras que você escutou.
            9Não louve a si mesmo, nem se entregue à insolência. Não se junte com os poderosos, mas aproxima dos justos e pobres.
            10Aceite tudo o que acontece contigo como coisa boa e saiba que nada acontece sem a permissão de Deus.

Este caminho espiritual é árduo: evitar o mau, a cólera, o ciúme, a cobiça sexual, adivinhações, mentira, falar demais, não louvar a si mesmo. O que mais tem te atrapalhado na caminhada espiritual?
"Não se junte aos poderosos, mas com os justos e os pobres". Qual a intenção desta regra? Você já consegue aceitar tudo que acontece com você como uma coisa boa?

Este encontro foi importante para mim? Por que? O que nestes capítulos mais falou comigo? Qual área de minha vida eu precisa crescer mais?


sábado, 9 de agosto de 2014

Grupo de Estudo de Espiritualidade Cristã



Iniciamos um Grupo de Estudo sobre Espiritualidade Cristã no dia 02 de agosto de 2014. Iniciamos estudando a Espiritualidade do Livro de Didaqué.  Iremos reler todo o Didaqué revendo a espiritualidade dos primeiros cristãos e cristãs. Depois iremos reler o livro História Eclesiástica de Eusébio de Cesareia. Sempre introduzindo com a Palavra de Deus. Somos apenas cristãos e cristãs. Aqui estão presbiterianos, metodistas e católicos, mas nos Estudos de Espiritualidade da OESI (Ordem Evangélica dos Servos Intercessores) somos apenas cristãos. Após os estudos temos uma devocional onde oramos a Oração das Vésperas e cantamos músicas de Taizé. Nossas reuniões tem ocorrido aos sábados, às 17 horas. Hoje tivemos nosso segundo encontro.    

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

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Introdução ao Didaqué
09 de agosto de 2014
   
Didaquê (português brasileiro) ou Didaqué (português europeu) (Διδαχń, "ensino", "doutrina", "instrução" em grego clássico), Instrução dos Doze Apóstolos (do grego Didache kyriou dia ton dodeka apostolon ethesin) ou Doutrina dos Doze Apóstolos é um escrito do século I que trata do catecismo cristão.
            É constituída apenas por dezesseis pequenos capítulos, mas é de grande relevância histórica e teológica. Considera-se originário da Palestina ou da Síria, mas em relação à data em que foi escrita, os estudiosos dividem-se: uns colocam-na antes da destruição do templo (entre 60 a 70 a.e.c) e outros no período posterior (entre 70 e 90 a.e.c.). Quanto à autoria, pensa-se que não terão sido os doze apóstolos a escrever diretamente o texto, mas o nome terá sido dado por refletir os ensinamentos atribuídos aos Doze.
            O título lembra a referência de «E perseveravam na doutrina dos apóstolos ...» (Atos 2:42).


1. Importância:
            “Um dos documentos mais fascinantes e ao mesmo tempo mais intrigantes a emergirem da igreja primitiva” (M. W. Holmes).
            “Nenhum documento da igreja antiga tem se revelado tão desconcertante para os estudiosos como esse folheto aparentemente inocente” ... “A criança mimada da crítica” (C. C. Richardson).
            “É a única evidência contemporânea direta que temos sobre as condições da vida da Igreja no período obscuro entre o Novo Testamento e a organização mais plenamente desenvolvida do 2º século” (M. Staniforth).
            “O documento mais importante do período sub-apostólico e a mais antiga fonte de lei eclesiástica que possuímos... Enriqueceu e aprofundou de modo extraordinário o nosso conhecimento dos primórdios da Igreja” (J. Quasten).

2. Descoberta do manuscrito:
            O título do documento era conhecido através de referências em vários escritores antigos.
            Em 1873, Filoteos Bryennios, o metropolita grego de Nicomédia, encontrou na biblioteca do mosteiro do Santo Sepulcro (biblioteca do patriarca grego de Jerusalém), em Constantinopla (Istambul), um rolo de manuscritos em grego, datado de 1056, copiado por um escriba chamado Leo.
            Tratava-se de 120 folhas de pergaminho contendo a Sinopse de Crisóstomo dos Livros do AT e do NT, a Epístola de Barnabé, as duas epístolas de Clemente, a Didaquê, a Epístola de Maria de Cassobelae a Inácio e a versão longa das cartas de Inácio (12 cartas).
            Em 1883, dez anos após a descoberta, Bryennios publicou a Didaqué pela primeira vez, em Constantinopla. Em 1887, o manuscrito (Cod. 54 ou Codex Ierosolymitanus) foi levado para a biblioteca patriarcal de Jerusalém, onde se encontra até hoje.
            Existem outras versões antigas da Didaquê: copta, etíope, georgiana e latina.

3. Testemunhos antigos:
            As muitas menções de trechos da Didaqué em escritos da igreja antiga atestam a sua importância. Ela deve ter gozado de ampla circulação por algum tempo, sendo aceita pelo menos por uma parte da igreja como um livro digno de ser lido no culto divino. Clemente de Alexandria a cita uma vez como Escritura (graphé). (Strom. I, 20, 100).
            Vários autores acharam necessário destacar que a Didaqué não possuía caráter canônico. Eusébio de Cesaréia refere-se a ela como um dos livros apócrifos ou espúrios (Hist. Ecles., III, 25, 4). Atanásio faz o mesmo, mas declara que ela ainda era usada na instrução catequética (Ep. Fest. 39).
            O autor da Didascália (início do terceiro século) conhecia toda a Didaqué. Esta serve de base para o 7º livro das Constituições Apostólicas (Síria, quarto século). Os Dois Caminhos (caps. 1-6) são muito semelhantes aos capítulos 18-20 da Epístola de Barnabé (100-130 AD). É possível que ambos os documentos tenham se baseado em uma fonte comum. Grande parte desse material também aparece na Ordem Eclesiástica Apostólica (quarto século) e na Vida de Schnudi (quinto século).

4. Partes constitutivas:
            O documento tem duas partes distintas:
            (a) Os Dois Caminhos (1-6): código de moralidade cristã, apresentando as diferentes virtudes e vícios que constituem, respectivamente, o Caminho da Vida e o Caminho da Morte. Essa seção é uma adaptação de um tratado moral autônomo, provavelmente de origem judaica, que era conhecido e usado em Alexandria. No início do segundo século, esse texto judaico teria sido inserido em um primitivo manual eclesiástico – a Didaquê, recebendo importantes acréscimos cristãos.
            (b) Manual eclesiástico (7-16): compêndio de regras que tratam de diversos aspectos da vida da igreja, tais como: batismo, jejum, eucaristia, missionários itinerantes, ministros locais, etc. São esses antigos regulamentos que conferem à Didaquê um interesse e importância singulares, pois refletem a vida de uma primitiva comunidade cristã na Síria (ou no Egito) no final do 1º século. (M. Staniforth).
           
            Johannes Quasten faz uma divisão diferente: (a) instruções litúrgicas: caps. 1-10; (b) regulamentos disciplinares: caps. 11-15; (c) conclusão: a parousia do Senhor e deveres dela decorrentes: cap. 16. A primeira seção é composta de duas partes: regras de moralidade (1-6) e instruções litúrgicas (7-10).

            Segundo o mesmo autor, alguns temas importantes do documento são: oração e liturgia, confissão, hierarquia, beneficência, eclesiologia e escatologia. Contém as mais antigas orações eucarísticas conhecidas e a única referência ao batismo por efusão nos dois primeiros séculos. Não faz nenhuma referência ao episcopado monárquico e aos presbíteros.
            Uma versão latina, intitulada “Doctrina apostolorum” e correspondente à Didaquê 1-6 (sem 1.3b-2.1), apoia-se no texto grego de uma doutrina judaica tardia dos dois caminhos. Essa doutrina destinava-se à instrução moral de gentios desejosos de aderir à sinagoga como “tementes a Deus”.
            O escrito era intitulado “Didaché Kuríou tois éthnesin”. Pela inserção das palavras “diá ton dódeka apostólon” no título e pela interpolação de 1.3b-2.1, a doutrina recebeu um caráter cristão. (Altaner e Stuiber).

5. Evidências de antiguidade
·           O título “servo de Deus” aplicado a Jesus.
·           A simplicidade litúrgica e das orações.
·           As orações eucarísticas apontam para um período em que a Ceia do Senhor era ainda uma ceia.
·           O batismo em água corrente e por imersão.
·           Preocupação em distinguir as práticas cristãs dos rituais judaicos (8.1).
·           Ausência de preocupação com um credo universal.
·           Nenhuma referência aos livros do Novo Testamento.
·           Nenhuma referência ao episcopado monárquico.
·           Ênfase aos ofícios carismáticos e itinerantes: apóstolos e profetas.
·           Dupla estrutura de bispos e diáconos (ver Fp 1.1).
   
6. Composição
            C. Richardson entende que o “didaquista” foi mais um compilador do que um autor. Ou seja, ele não escreveu a Didaquê, mas reuniu dois documentos pré-existentes, fazendo algumas adaptações. Ele provavelmente compôs o capítulo final (16).

            Os Dois Caminhos (caps. 1-5) representariam uma forma tardia de um catecismo original no qual o didaquista inseriu em bloco alguns ensinos tipicamente cristãos. Tais ensinos revelam um conhecimento de Mateus e Lucas, e também do Pastor de Hermas (1.5 = Man. 2.4-6) e da Epístola de Barnabé (16.2 = Barn. 4.9).
           
            O manual de ordem eclesiástica (caps. 6-15) refletiria o período sub-apostólico nas igrejas rurais da Síria. Evidências: (a) é claramente dependente do evangelho de Mateus, que provavelmente se originou na Síria; (b) as orações eucarísticas refletem uma região em que o trigo é semeado nas colinas (9.4); (c) a seção batismal pressupõe uma região em que existem termas (7.2); (d) os profetas e mestres lembram a situação de Antioquia (Atos 13.1). A imagem que se obtém dessa fonte é de comunidades rurais que recebem periodicamente a visita dos líderes de algum centro cristão.
           
            A Didaquê propriamente dita deve ter sido composta em Alexandria. Evidências: (a) os Dois Caminhos circulavam ali, pois a Epístola de Barnabé e a Ordem Eclesiástica Apostólica procedem daquela localidade; (b) é possível que Clemente de Alexandria conhecesse a Didaquê; (c) o documento revela uma atitude liberal em relação ao cânon do NT, aparentemente incluindo Barnabé e Hermas, o que aponta para Alexandria; (d) até o quarto século a Didaquê era altamente valorizada no Egito, sendo quase considerada canônica, e foi mencionada por Atanásio como adequada para a instrução catequética.



7. Data e autenticidade
            Autor: um ministro sagrado de idade avançada, formado na escola de Tiago, o Menor, que teria imigrado para a Síria por ocasião da guerra civil (R. Frangiotti).
            Estudiosos estimam que são escritos anteriores a destruição do templo de Jerusalém, entre os anos 60 e 70 d.C. Outros estimam que foi escrito entre os anos 70 e 90 d.C., contudo são coesos quanto a origem sendo na Palestina ou Síria.
            Segundo Willy Rordorf, a Didaquê é uma "compilação anônima de diversas fontes derivadas da tradição viva, de comunidades eclesiais bem definidas", portanto a questão da datação equivale à questão das datas das tradições ali registradas, que indubitavelmente remontariam ao século I d. C., derrubando as teses de datação tardia (séc. II).
            Quanto à sua autenticidade, é de senso comum que o mesmo não tenha sido escrito pelos doze apóstolos, ainda que o título do escrito lhes faça menção. Contudo, estudiosos acreditam na compilação de fontes orais tendo recebido os ensinamentos que resultaram na elaboração do texto. Também é senso comum que tenha sido escrito por mais de uma pessoa.
            O texto foi mencionado por escritores antigos, inclusive por Eusébio de Cesaréia que viveu no século III, em seu livro "História Eclesiástica", mas a descoberta desse manuscrito, na íntegra, em grego, num códice do século XI ( ano 1056 ) ocorreu somente em 1873 num mosteiro em Constantinopla, o chamado Codex Hierosolymitanus.
            É considerado apócrifo por Eusébio, Atanásio (c. 367) e Rufino (c. 380).

Conteúdo
            Nos escritos da Didaqué, além da catequese e liturgia cristã, o evangelho de Jesus é recomendado. A Didaqué também cita a oração do “Pai Nosso” como sendo “ensinada pelo Senhor” e finda com a afirmação em consonância com o livro Apocalipse, do Novo Testamento, de que Jesus voltará:

“... conforme foi dito: "O Senhor virá e todos os santos estarão com ele". Então o mundo assistirá o Senhor chegando sobre as nuvens do céu."      
           
            Nos escritos da Didaqué também são reforçados o batismo no nome do Pai, Filho e Espírito Santo, sendo argumento para os que aceitam o dogma da Trindade, contrapondo-se a defesa dos não trinitários de que não existiam escritos cristãos do primeiro século que defendessem o batismo no nome de Jesus.

            A respeito de Jesus, ainda sobre o batismo, diz:

“Que ninguém coma nem beba da Eucaristia sem antes ter sido batizado em nome do Senhor, pois sobre isso o Senhor disse: "Não deem as coisas santas aos cães"       ”
           
            Tais escritos também sustentam argumentos de que existiam escritos do primeiro século apoiando a defesa da tese teológica de que Jesus é Deus.

            Sobre questões polêmicas como o batismo, adverte para o batismo em imersão; sendo admitido por aspersão na inexistência de água corrente.
            A Didaqué também acentua a disposição ao jejum por parte do candidato ao batismo e daquele que o vai batizar por cerca de três dias antes do batismo.

            Nos escritos da Didaqué há uma similaridade quando se referencia ora ao Pai como o Senhor, ora a Jesus como o Senhor, o que é aceito por alguns como a interposição entre as duas pessoas. Também fazendo a distinção de pessoa chamando Jesus de servo do Pai.

            A Didaqué faz registro da celebração da eucaristia:

“Reuni-vos no dia do Senhor, para romperdes o pão e dardes graças”.

            A Didaqué cita diretamente ou faz menção indireta a diversos livros do novo testamento: Mateus, Lucas, I Epístola aos Coríntios, Hebreus, I Epístola de Pedro, Atos dos Apóstolos, Romanos, Efésios, Carta aos Tessalonicenses e Apocalipse.

Bibliografia:

http://www.mackenzie.com.br/ - A DIDAQUÊ. Alderi Souza de Matos.
http://www.monergismo.com/textos/credos/didaque.htm
RORDORF, W. "Didaché". In: DI BERARDINO, A.. Dicionário patrístico e de antiguidades cristãs. Tradução de Cristina Andrade. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002. pp. 404, 405.
Altaner, Berthold e Stuiber, Alfred. Patrologia: Vida, Obras e doutrina dos Padres da Igreja. São Paulo: Paulinas, 1988.
Eusébio de CESARÉIA. História eclesiástica. Trad. Wolfgang Fischer. São Paulo: Novo Século, 1999.
Frangiotti, Roque (Ed.). Padres Apostólicos. Trad. Ivo Storniolo e Euclides M. Balancin. Coleção patrística, vol. 1 São Paulo:. Paulus, 1995.
HITCHCOCK, Roswell e BROWN, Francis (Eds.). Ensino dos Doze Apóstolos: recentemente descoberto e publicado pela Philotheos Bryennios, metropolitano de Nicomédia. <place u2:st="on"> <state u2:st="on"> Nova Iorque </ estado> </ place>: Charles Scribner, 1884.
HOLMES, Michael W. (Ed.). Os pais apostólicos: textos gregos e traduções inglesas. Grand Rapids: Baker, 1999.
LAKE, Kirsopp (Ed.). Os pais apostólicos. Vol. I. Londres: William Heinemann; New York: Macmillan, 1912.
Moreschini, Claudio e Norelli, Enrico. História da literatura Cristã Antiga grega e latina. Vol. I: De Paulo era à Constantiniana. São Paulo: Loyola, 1996.
Quasten, Johannes. Patrologia. Vol. I: Os primórdios da literatura patrística. Westminster, Maryland: Christian Classics, 1993.
RICHARDSON, Cyril C. et al. (Eds.). Padres da cristãs. A Biblioteca de clássicos cristãos, vol. I. Philadelphia: Westminster, 1953.
Schaff, Philip e WACE, Henry. Eusébio: a história da igreja, a vida de Constantino, o Grande, e oração em louvor de Constantino. Nicéia e Pais Pós-Nicéia, Segunda Série, vol. I. Reprint. Grand Rapids: Eerdmans, 1986 (1890).
________. Santo Atanásio: selecionar obras e letras. Nicéia e Pais Pós-Nicéia, Segunda Série, vol. IV. Reprint. T & T Clark: Edinburgh; Grand Rapids: Eerdmans, 1987 (1891).
Staniforth, Maxwell (Ed.). Os primeiros escritos cristãos: Padres Apostólicos. New York: Barnes & Noble, 1993.


sábado, 12 de julho de 2014

Estudo da OESI - nº1


Como surgiu o Novo Monasticismo na Igreja Evangélica?

·         Oração das Vésperas

·         Reflexão Bíblica: Atos 2.41-47

·         Conversando sobre espiritualidade

            Introdução:
            O que é o Novo Monasticismo?
            Tanto o termo em si, e a existência real do movimento chamado de novo monasticismo teve realmente suas origens na escrita, o ensino e prática de Dietrich Bonhoeffer .
            Começou no dia 26 de abril de 1935, quando Bonhoeffer colocou em prática o seu interesse no ensino monástico na fundação de um seminário ilegal em Zingst, Alemanha , durante a Segunda Guerra Mundial. Em junho do mesmo ano, mudou-se para Finkenwalde . A Polícia de Segurança do Estado fechou a instituição em 1937, prendendo 27 dos seus alunos.
            No mesmo ano, Bonhoeffer escreveu seu famoso livro,  o Preço do discipulado .  Dietrich foi executado pelos nazistas em 9 de abril de 1945 em Flossenburg, na prisão , apenas algumas semanas antes do fim da Segunda Guerra Mundial. Ele tinha 39 anos.
           

            I. 1940: Irmão Roger de Taizé, na França
            O irmão Roger (luterano)  deixou sua casa na Suíça e se mudou para a França para ajudar os refugiados fugindo da ocupação nazista. Ele fundou a comunidade monástica de Taizé , em França .
            Embora à primeira vista e de muitos modos, aparentemente  era uma parte do"monaquismo antigo" , mas sua Comunidade monástica ajudou a construir muitos dos "marcos" da corrente "do monaquismo Novo" no sentido criar uma "ponte" entre os dois.
            É uma Comunidade monástica independente, que era no início Interdenominacional e Protestante.  Eles agora se referem como um grupo "ecumênico".  Atualmente, seus monges também incluem os membros da Igreja Católica Romana  Ortodoxa Oriental .
            Três marcas de Taizé no novo monaquismo:
            1.) Taizé foi a primeira comunidade independente monástica (não filiado a uma denominação).
            2.) Taizé foi a primeira  Comunidade Interdenominacional monástica (a primeira protestante, mais tarde, incluindo Católica Romana e Ortodoxa Oriental).
            3.) Taizé foi a primeira Comunidade monástica a apelar para um grande número de jovens. Começando em 1950, e especialmente a partir de 1960. São Jovens em número cada vez maior na busca de Deus e do sentido da vida.

             II. 1944: Irmandade Evangélica de Maria
            As fundadoras foram Madre Basilea (Drª Klara Schlink, 1904 - 2001), doutorado em Psicologia na Universidade de Hamburgo, 1934 - foi líder do Movimento Cristão das Estudantes Alemãs e Madre Martyria (Erika Madauss,1904 - 1999), formada Faculdade de Treinamento para Assistência Social, em Hamburgo e Londres.
            Madre Basilea e Madre Martyria tomaram uma corajosa posição cristã, durante o regime de Hitler. Quando era a presidente nacional do "Movimento Cristão das Estudantes Alemãs" (1933-35), Madre Basilea recusou-se a compactuar com a política nazista, que impedia aos judeus cristãos de participarem dos encontros e reuniões.
             Durante a II Guerra Mundial ela arriscou a vida e a carreira, falando publicamente sobre o destino singular de Israel. Convocada duas vezes a comparecer perante a polícia de segurança nazista pelo fato de proclamar o senhorio de Jesus Cristo, permitiram-lhe que saísse ilesa, a despeito de sua firme postura.
            Madre Martyria mantinha estudos da Bíblia para jovens e também ensinava-lhes o Antigo Testamento, que  era proibido durante o regime de Hitler.
            Em 11 de Setembro de 1944 Darmstadt (Alemanha) é destruída por um ataque aéreo; mais de 12.000 pessoas foram mortas. Durante anos as Madres haviam orado por um reavivamento nos grupos de estudos bíblicos para moças que elas lideravam; agora, suas orações haviam sido atendidas -mas de maneira diferente daquela que haviam esperado. Naquela noite, as moças conheceram a Deus em Sua santidade, como Juiz e Senhor sobre a vida e a morte. Nada podia ficar escondido; nenhum cristianismo morno poderia manter-se em Sua presença santa.
            Em seguida àquela noite de terror, houve um movimento dentre as moças, para que  trouxessem à luz o pecado e  recebessem o perdão. "Onde existe perdão dos pecados, há também vida e salvação" (Martinho Lutero). O momento de Deus havia chegado. Das cinzas surgiu vida nova.
            Tem início uma nova Irmandade Evangélica: 30 de março de 1947: Cerimônia inaugural da Irmandade, na casa dos pais da Madre Basilea, chamada "Casa Steinberg", que havia, em grande parte, escapado ao bombardeio.
            O co-fundador, Paul Riedinger, um Pastor-Superintendente da Igreja Metodista (f. 1949), deu à Irmandade o nome de Maria, a mãe de Jesus, que exemplificava a fé e a dedicação à vontade de Deus, seguindo Jesus até à cruz.
            As primeiras Irmãs eram na maioria da igreja luterana, mas atualmente a Irmandade conta com membros de muitas denominações evangélicas, procedentes de 18 nacionalidades.

            III. R.A. Torrey III, funda a Abadia de Jesus na Coréia em 1964
            Por volta de 1964, Reuben Archer Torrey III , um sacerdote episcopal e Missionário na Ásia ( ele tinha sido criado na China, seus pais também foram missionários ), neto de Dwight Moody'sR.A.Torrey , fundada a Abadia de Jesus como uma comunidade missionária da Coreia.  
            É filiada livremente com a Episcopal Church.  Eles são evangélicos na doutrina e são uma Comunidade Monástica Leiga. Usam o termo "monges" ao se referir a si mesmos.

            IV. 1994: Comunidade Northumbria 
            O Nether Springs Trust foi criada em meados dos anos oitenta, na jornada espiritual em finais dos anos setenta e início dos anos oitenta por John e Linda Skinner e Andy Raines , que começaram a tentar seguir Dietrich Bonhoeffer  nas idéias de um novo monasticismo --- pessoas comuns aprendendo e praticando em suas próprias vidas, os aspectos da espiritualidade monástica tradicional. 
            Em 1989 Nether Springs fundiu com o Ministério Northumbria, e em 1994 tornou-se Comunidade Northumbria (uma comunidade dispersa). 
            São evangélicos influenciados tanto pelos primeiros franciscanos como pelos primeiros monges celtas.

            V. 1999: S G Preston ( Monge Preston ) e sua esposa Linda (Monja Linda ) co-fundam a The Prayer Fundação e os Cavaleiros de Oração:  Ordens Monásticas 
            Em 1999, a SG Preston ( Monk Preston ) e sua esposa Linda ( Linda Monk ), fundam a Oração Fundação , um ministério Evangélico Interdenominacional para promover e incentivar a oração no Corpo de Cristo. Acreditam que todos os ministérios cristãos, também devem pregar o Evangelho.
             A partir de outubro 2007, registraram Monges em 7 países da América e Europa e mais de 1.700 voluntários em 43 países no mundo.
             Ao mesmo tempo, eles fundaram a Interdenominacional ( Monjes que permanecem em suas próprias denominações ) a Ordem Monástica Cavaleiros de Oração como um dos ministérios da Fundação Oração
            Foi a primeira Ordem Monástica para permitir Monjas. 
            Ensinaram que o monaquismo deveria ter sido posto à prova das grandes doutrinas dos protestantes da Reforma, como a Igreja institucional foi, e chegaram à conclusão de que os monges devem ser autorizados a casar . 
            Mais tarde, eles aprenderam que os monges cristãos Celtas (400-1100 dC) também tinham essa opinião, e também estavam muito ocupados com missões, viajando como monges missionários para a Inglaterra e Europa Continental.  
            Oração Fundação  re-definiu o termo "Monge", indicando: "tudo o que realmente significa o termo" monge "é um cristão, especialmente dedicado à Palavra de Deus e a oração" . 
            Em 19 de julho de 1999, Linda se tornou a primeira mulher Monja: a primeira mulher a receber oficialmente"status de monja" na história do cristianismo.  Eles são uma moderna Ordem Religiosa dos monges celtas no espírito Franciscano.

            VI. O crescimento do Novo Movimento Monaquismo: 2004-2005
            Entre 2004 e 2005 dezenas de Ordens evangélicas monásticas foram formadas, principalmente em nos EUA, mas também no Reino Unido. Estes costumam combinar grupos de casados e solteiros, alguns com filhos. Fazendo missões e evangelismo em suas próprias localidades, e geralmente zelosos para ajudar os pobres. 
            A ideia é ir além de aceitar a Cristo, e viver o Evangelho em sua vida diária. Os termos Novo Monaquismo e Neo-Monaquismo entrou em uso geral para descrever o que é agora um movimento, e começa a influenciar a comunhão cristã inteira.
            Em 2008 foi estimado mais de 100 grupos na América do Norte que afirmam ser "evangélicos" e "monástico" de acordo com o The Boston Globe  (3 de fevereiro de 2008).

            OESI - Ordem Evangélica dos Servos Intercessores
            Nossos sonhos, propósitos e projetos segundo orientação do Senhor.

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