sábado, 1 de novembro de 2014

Martinho Lutero e sua Espiritualidade

Martinho Lutero
por
Orlando Boyer

No cárcere, sentenciado pelo Papa a ser queimado vivo, João Huss disse: “Podem matar um ganso (na sua língua, 'huss' é ganso ), mas daqui a cem anos, Deus suscitará um cisne que não poderão queimar” .

Enquanto caía a neve, e o vento frio uivava como fera em redor da casa, nasceu esse “cisne”, em Eisbelen, Alemanha. No dia seguinte, o recém-nascido era batizado na Igreja de São Pedro e São Paulo. Sendo dia de São Martinho, recebeu o nome de Martinho Lutero.
Cento e dois anos depois de João Huss expirar na fogueira, o “cisne” afixou, na porta da Igreja em Wittenberg, as suas noventa e cinco teses contra as indulgências, ato que gerou a Grande Reforma.
Para dar o valor devido à obra de Martinho Lutero, é necessário notar algo das trevas e confusão dos tempos em que nasceu.
Calcula-se que, pelo menos, um milhão de albigenses foram mortos na França, a fim de cumprir a ordem do Papa, para que esses “hereges” fossem cruelmente exterminados. Wiclif, “a Estrela da Alva da Reforma”, traduzira a Bíblia para a língua inglesa. João Huss, discípulo de Wiclif, morrera na fogueira, na Boêmia, cantando hinos, nas chamas, até o último suspiro. Jerônimo de Praga, companheiro de Huss e também erudito, sofrera o mesmo suplício, pedindo ao Senhor que perdoasse seus pecados. João Wessália, notável pregador de Erfurt, fora preso por ensinar que a salvação é pela graça; seu frágil corpo fora metido entre ferros, onde morreu quatro anos antes do nascimento de Lutero. Na Itália, quinze anos depois de Lutero nascer, Savonarola, homem dedicado a Deus e fiel pregador da Palavra, foi enforcado e seu corpo reduzido a cinzas, por ordem da Igreja Romana.
Em tempos assim, nasceu Martinho Lutero. Como muitos dos demais célebres entre os homens, era de família pobre.
Os pais de Martinho, para vestir, alimentar e educar seus sete filhos, esforçaram-se incansavelmente. O pai trabalhava nas minas de cobre; a mãe, além do serviço doméstico, trazia lenha nas costas, da floresta.
O pai de Martinho, satisfeitíssimo pelos trabalhos escolares do filho, na vila onde morava, mandou-o, aos treze anos, para a escola franciscana na cidade de Magdeburgo.
Para conseguir a sua subsistência em Magdeburgo, Martinho era obrigado a esmolar pelas ruas, cantando canções de porta em porta. Seus pais, achando que em Eisenach passaria melhor, mandaram-no para estudar nessa cidade, onde moravam parentes de sua mãe. Porém esses parentes não o auxiliaram, e o moço continuou a mendigar o pão.
Quando estava a ponto de abandonar os estudos, para trabalhar com as mãos, certa senhora de recursos, D. Úrsola Cota, atraída por suas orações na igreja e comovida pela humilde maneira de receber quaisquer restos de comida, na porta, acolheu-o entre a família. Pela primeira vez Lutero sentira fartura. Mais tarde, ele referia-se à cidade de Eisenach como a “cidade bem amada”. Quando Lutero se tornou famoso, um dos filhos da família Cota cursava em Wittenberg, onde Lutero o recebeu na sua casa.
Logo depois, os pais de Martinho alcançaram certa abastança. O pai alugou um forno para fundição de cobre e depois passou a possuir mais dois. Foi eleito vereador na sua cidade e começou a fazer planos para educar seus filhos.
Aos dezoito anos, Martinho ansiava estudar numa universidade. Seu pai, reconhecendo a idoneidade do filho, enviou-o a Erfurt, o centro intelectual do país, onde cursavam mais de mil estudantes. O moço estudou com tanto afinco que, no fim do terceiro semestre, obteve o grau de bacharel de filosofia. Com a idade de vinte e um anos, alcançou o segundo grau acadêmico e o de doutor em filosofia. Os estudantes, professores e autoridades prestaram-lhe significativa homenagem.
Seu pai, desejoso de que seu filho se formasse em direito e se tornasse célebre, comprou-lhe a caríssima obra: “Corpus Juris”. Mas a alma de Lutero suspirava por Deus, acima de todas as coisas. Vários acontecimentos influenciaram-no a entrar na vida monástica, passo que entristeceu profundamente seu pai e horrorizou seus companheiros de universidade.
Durante o ano de noviciato, antes de Lutero ser feito monge, os seus amigos fizeram de tudo para dissuadi-lo de confirmar esse passo. Os companheiros, que convidara para cearem com ele, quando anunciou a sua intenção de ser monge, ficaram no portão do convento dois dias, esperando que ele voltasse. Seu pai, vendo que seus rogos eram inúteis e que todos os seus anelantes planos acerca do filho iam fracassar, quase enlouqueceu.
Quão grande, porém, era sua ilusão. Depois de procurar crucificar a carne pelos jejuns prolongados, pelas privações mais severas, e com vigílias sem conta, achou que, embora encarcerado em sua cela, tinha ainda de lutar contra os maus pensamentos. A sua alma clamava: “Dá-me santidade ou morro por toda a eternidade; leva-me ao rio de água pura e não a estes mananciais de águas poluídas; traze-me as águas da vida que saem do trono de Deus!”;
Certo dia Lutero achou, na biblioteca do convento, uma velha Bíblia latina, presa à mesa por uma cadeia. Achara, enfim, um tesouro infinitamente maior que todos os tesouros literários do convento. Ficou tão embevecido que, durante semanas inteiras, deixou de repetir as orações diurnas da ordem. Então, despertado pelas vozes da sua consciência, arrependeu-se da sua negligência : era tanto o remorso, que não podia dormir. Apressou-se a reparar o seu erro: fê-lo com tanto anseio que não se lembrava mais de alimentar-se. Nessa altura, o vigário geral da ordem agostiana, Staupitz, visitou o convento. Era homem de grande discernimento, e devoção enraizada; compreendeu logo o problema do jovem monge; ofereceu-lhe uma Bíblia na qual Lutero leu que o “justo viverá da fé. Por quanto tempo tinha ele anelado : “Oh ! se Deus me desse um livro destes só para mim!” - e agora o possuía !
Na leitura da Bíblia achou grande consolação, mas a obra não poderia completar-se em um só dia. Ficou mais determinado do que nunca a alcançar paz para a sua alma, na vida monástica, jejuando e passando noites a fio sem dormir. Gravemente enfermo, exclamou : “Os meus pecados ! Os meus pecados !”. Apesar da sua vida ter sido livre de manchas, como ele afirmava e outros testificavam, sentia sua culpa perante Deus, até que um velho monge lhe lembrou uma palavra do Credo: “Creio na remissão dos pecados”. Viu então que Deus não somente perdoara os pecados de Daniel e de Simão Pedro, mas também os seus. Pouco tempo depois destes acontecimentos, Lutero foi ordenado padre.
Depois de completar vinte e cinco anos de idade, Lutero foi nomeado para a cadeira de filosofia em Wittenberg, para onde se mudou para viver no convento da sua ordem. Porém a sua alma anelava pela Palavra de Deus, e pelo conhecimento de Cristo. No meio das ocupações de professorado, dedicou-se ao estudo das Escrituras, e no primeiro ano conquistou o grau de “baccalaureus ad biblia”. Sua alma ardia com o fogo dos céus; de todas as partes acorriam multidões para ouvir os seus discursos, os quais fluíam abundantemente e vivamente do seu coração, sobre as maravilhosas verdades reveladas nas Escrituras.
Um dos pontos mais iluminantes da biografia de Lutero é a sua visita a Roma. Surgiu uma disputa renhida entre sete conventos dos agostianos e decidiram deixar os pontos de dissidências para o Papa resolver. Lutero sendo o homem mais hábil, mais eloqüente e altamente apreciado e respeitado por todos que o conheciam, foi escolhido para representar seu convento em Roma. Fez a viagem a pé, acompanhado de outro monge. Em Roma, visitou os vários santuários e os lugares de peregrinação. Numa certa ocasião, subindo a Santa Escada de joelhos, desejando a indulgência que o chefe da igreja prometia por esse ato, ressoaram nos seus ouvidos como voz de trovão, as palavras de Deus: “O justo viverá da fé”. Lutero ergueu-se e saiu envergonhado.
Depois da corrupção generalizada que viu em Roma, a sua alma aderiu à Bíblia mais do que nunca. Ao chegar novamente ao convento, o vigário insistiu em que desse os passos necessários para obter o título de doutor, com o qual teria o direito de pregar. Lutero, porém, reconhecendo a grande responsabilidade perante Deus e não querendo ceder, disse: “Não é de pouca importância que o homem fale em lugar de Deus....Ah ! Sr. Dr., fazendo isto, me tirais a vida; não resistirei mais que três meses”. O vigário geral respondeu-lhe : “Seja assim, em nome de Deus, pois o Senhor Deus também necessita nos céus de homens dedicados e hábeis”.
O coração de Lutero, elevado à dignidade de doutor em teologia, abrasava-se ainda mais do desejo de conhecer as Sagradas Escrituras e foi nomeado pregador da cidade de Wittenberg.
Acerca da grande transformação da sua vida, nesse tempo, ele mesmo escreve: “Apesar de viver irrepreensivelmente, como monge, a consciência perturbada me mostrava que era pecador perante Deus. Assim odiava a um Deus justo, que castiga os pecadores...Senti-me ferido de consciência, revoltado intimamente, contudo voltava sempre para o mesmo versículo ( Rm 1: 17 ), porque queria saber o que Paulo ensinava. Contudo, depois de meditar sobre esse ponto durante muitos dias e noites, Deus, na sua graça, me mostrou a palavra : ' O justo viverá da fé '. Vi então que a justiça de Deus, nessa passagem, é a justiça que o homem piedoso recebe de Deus pela fé, como dádiva”.
A alma de Lutero dessa forma saiu da escravidão; ele mesmo escreveu assim: “Então me achei recém-nascido e no Paraíso. Todas as escrituras tinham para mim outro aspecto; perscrutava-as para ver tudo o que ensinavam sobre a ' justiça de Deus ' . Antes, estas palavras eram-me detestáveis; agora as recebo com o mais intenso amor. A passagem me servia como a porta do Paraíso”.
Depois dessa experiência, pregava diariamente; em certas ocasiões, pregava até três vezes ao dia, conforme ele mesmo conta: “O que o pasto é para o rebanho, a casa para o homem, o ninho para o passarinho, a penha para a cabra montês, o arroio para o peixe, a Bíblia é para as almas fiéis”. A luz do Evangelho, por fim, tomara o lugar das trevas e a alma de Lutero abrasava por conduzir os seus ouvintes ao Cordeiro de Deus, que tira todo o pecado.
Lutero levou o povo a considerar a verdadeira religião, não como uma mera profissão, ou sistema de doutrinas, mas como vida em Deus. A oração não era mais um exercício sem sentido, mas o contato do coração com Deus que cuida de nós com um amor indizível. Nos seus sermões, Deus revelou o seu próprio coração a milhares de ouvintes, por meio do coração de Lutero.
A fama do jovem monge espalhou-se até longe. Entretanto, sem o reconhecer, enquanto trabalhava incansavelmente para a igreja, já havia deixado o rumo liberal que ela seguia em doutrinas e práticas.
“Em outubro de 1517, Lutero afixou a porta da Igreja do Castelo em Wittenberg, as suas 95 teses, o teor das quais é que Cristo requer o arrependimento e a tristeza pelo pecado e não a penitência”. Lutero afixou as teses ou proposições para um debate público, na porta da Igreja, como era costume nesse tempo. Mas as teses, escritas em latim, foram logo traduzidas em alemão, holandês e espanhol. Antes de decorrido um mês, para a surpresa de Lutero, já estavam na Itália, fazendo estremecer os alicerces do velho edifício de Roma. Foi desse ato de afixar as 95 teses na Igreja de Wittenberg, que nasceu a Reforma Protestante, isto é, que tomou forma o grande movimento de almas que em todo o mundo ansiavam voltar para a fonte pura, a Palavra de Deus. Contudo Lutero não atacara a Igreja Romana, mas antes, pensou fazer defesa do Papa contra os vendedores de indulgências.
Em agosto de 1518, Lutero foi chamado a Roma para responder a uma denúncia de heresia. Contudo, o eleitor Frederico não consentiu que fosse levado para fora do país; assim Lutero foi intimado a apresentar-se em Augsburgo. “Eles te queimarão vivo”, insistiram seus amigos. Lutero, porém, respondeu resolutamente: “Se Deus sustenta a causa, ela será sustentada”.
A ordem do núncio do Papa em Augsburgo foi: “Retrata-se ou não voltará daqui”. Contudo Lutero conseguiu fugir, passando por uma pequena cancela no muro da cidade, na escuridão da noite. Ao chegar de novo em Wittenberg, um ano depois de afixar as teses, era o homem mais popular em toda a Alemanha. Não havia jornais nesse tempo, mas fluíam da pena de Lutero respostas a todos os seus críticos para serem publicadas em folhetos. O que escreveu dessa forma, hoje seriam cem volumes.
Quando a bula de excomunhão, enviada pelo Papa, chegou em Wittenberg, Lutero respondeu com um tratado dirigido ao Papa Leão X, exortando-o, no nome do Senhor, a que se arrependesse. A bula do Papa foi queimada fora do muro da cidade de Wittenberg, perante grande ajuntamento do povo.
Porém, o imperador Carlos V, que ia convocar sua primeira Dieta na cidade de Worms, queria que Lutero comparecesse para responder, pessoalmente, aos seus acusadores. Os amigos de Lutero insistiram em que recusasse ir. “Não fora João Huss entregue a Roma para ser queimado, apesar da garantia de vida por parte do imperador?!”. Mas em resposta a todos que se esforçavam por dissuadi-lo de comparecer perante seus terríveis inimigos, Lutero, fiel a chamada de Deus, respondeu : “Ainda que haja em Worms, tantos demônios como quantas sejam as telhas nos telhados, confiando em Deus, eu aí entrarei”. Depois de dar ordens acerca do trabalho, no caso de ele não voltar, partiu.
Na sua viagem para Worms, o povo afluía em massa para ver o grande homem que teve coragem de desafiar a autoridade do Papa. Em Mora, pregou ao ar livre, porque as igrejas não mais comportavam as multidões que queriam ouvir seus sermões. Ao avistar as torres das igrejas de Worms, levantou-se na carroça em que viajava e cantou o seu hino, o mais famoso da Reforma: " Ein Feste Berg ", isto é : “Castelo forte é o nosso Deus”. Ao entrar, por fim, na cidade, estava acompanhado de uma multidão de povo muito maior do que fora ao encontro de Carlos V . No dia seguinte foi levado perante o imperador, ao lado do qual se achavam o delegado do Papa, seis eleitores do império, vinte e cinco duques, oito margraves, trinta cardeais e bispos, sete embaixadores, os deputados de dez cidades e grande número de príncipes, condes e barões.
Sabendo que tinha de comparecer perante uma das mais imponentes assembléias de autoridades religiosas e civis de todos os tempos, Lutero passou a noite anterior de vigília. Prostrado com o rosto em terra, lutando com Deus, chorando e suplicando.
Quando, na assembléia, o núncio do Papa exigiu de Lutero, perante a augusta assembléia, que se retratasse, ele respondeu : “Se não me refutardes pelo testemunho das Escrituras, ou por argumentos - desde que não creio somente nos papas e nos concílios, por ser evidente que já muitas vezes se enganaram e se contradisseram uns aos outros - a minha consciência tem de ficar submissa à Palavra de Deus. Não posso retratar-me, nem me retratarei de qualquer coisa, pois não é justo nem seguro agir contra a consciência. Deus me ajude ! Amém”.
Apesar de os papistas não conseguirem influenciar o imperador a violar o salvo-conduto, para que pudesse queimar na fogueira o assim chamado “herege”, Lutero teve de enfrentar outro grave problema. O edito de excomunhão entraria imediatamente em vigor; Lutero por causa da excomunhão, era criminoso e, ao findar o prazo do seu salvo-conduto, devia ser entregue ao imperador; todos os seus livros deviam ser apreendidos e queimados; o ato de ajudá-lo em qualquer maneira era crime capital.
Mas para Deus é fácil cuidar dos seus filhos. Lutero, regressando a Wittenberg, foi repentinamente rodeado num bosque por um bando de cavaleiros mascarados que, depois de despedirem as pessoas que o acompanhavam, conduziram-no, alta noite, ao castelo de Wartburgo, perto de Eisenach. Isto foi um estratagema do príncipe de Saxônia para salvar Lutero dos inimigos que planejavam assassiná-lo antes de chegar a casa. No castelo, Lutero passou muitos meses disfarçado; tomou o nome de cavaleiro Jorge e o mundo o considerava morto. Contudo, no seu retiro, livre dos inimigos, foi-lhe concedido a liberdade de escrever, e o mundo logo soube, pela grande quantidade de literatura, que essa obra saía da sua pena e que, de fato, Lutero vivia. O reformador conhecia bem o hebraico e o grego e em três meses tinha vertido todo o Novo Testamento para o alemão - em poucos meses mais a obra estava impressa e nas mãos do povo. Cem mil exemplares foram vendidos, em quarenta anos, além das cinqüenta e duas edições impressas em outras cidades. Era circulação imensa para aquele tempo, mas Lutero não aceitou um centavo de direitos. A maior obra de toda a sua vida, sem dúvida, fora de dar ao povo alemão a Bíblia na sua própria língua - depois de voltar a Wittenberg. O seu êxito em traduzir as Sagradas Escrituras para o uso dos mais humildes, verifica-se no fato de que, depois de quatro séculos, sua tradução permanece como a principal.
Depois de abandonar o hábito de monge, Lutero resolveu deixar por completo a vida monástica, casando-se com Catarina von Bora, freira que também saíra do claustro, por ver que tal vida é contra a vontade de Deus. O vulto de Lutero sentado ao lume, com a esposa e seis filhos que amava ternamente, inspira os homens mais que o grande herói ao apresentar-se perante o legado em Augsburgo.
Nas suas meditações sobre as Escrituras, muitas vezes se esquecia das refeições. Ao escrever o comentário sobre o Salmo 23, passou três dias no quarto comendo somente pão e sal. Quando a esposa chamou um serralheiro e quebraram a fechadura, acharam-no escrevendo, mergulhado em pensamentos e esquecido de tudo em redor.
É difícil concebermos a magnitude das coisas que devemos atualmente a Martinho Lutero. O grande passo que deu para que o povo ficasse livre para servir a Deus, como Ele mesmo ensina, está além da nossa compreensão. Era grande músico e escreveu alguns dos hinos mais espirituais cantados atualmente. Compilou o primeiro hinário e inaugurou o costume de todos os assistentes aos cultos cantarem juntos. Insistiu em que não somente os do sexo masculino, mas também os do feminino fossem instruídos, tornando-se, assim, o pai das escolas públicas. Antes dele, o sermão nos cultos era de pouca importância. Mas Lutero fez do sermão a parte principal do culto. Ele mesmo servia de exemplo para acentuar esse costume: era pregador de grande porte. Considerava-se como sendo nada; a mensagem saía-lhe do íntimo do coração: o povo sentia a presença de Deus. Em Zwiekau pregou a um auditório de 25 mil pessoas na praça pública.
Calcula-se que escreveu 180 volumes na língua materna e quase um número igual no latim. Apesar de sofre de várias doenças, sempre se esforçava dizendo: “Se eu morrer na cama será uma vergonha para o Papa”.
Os homens geralmente querem atribuir o grande êxito de Lutero à sua extraordinária inteligência e aos seus destacados dons. O fato é que Lutero também tinha o costume de orar horas a fio. Dizia que se não passasse duas horas de manhã orando, recearia que Satanás ganhasse a vitória sobre ele durante o dia. Certo biógrafo seu escreveu : “O tempo que ele passa em oração, produz o tempo para tudo que faz. O tempo que passa com a Palavra vivificante enche o coração até transbordar em sermões, correspondência e ensinamentos”.
Encontra-se o seguinte na História da Igreja Cristã, por Souer, Vol, 3, pág. 406 : “Martinho Lutero profetizava, evangelizava, falava línguas e interpretava; revestido de todos os dons do Espírito”. [Nota do site: Esta informação não é verdadeira. Não há nada, seja em seus escritos ou biografias confiáveis, que possa sequer supor isso. Pelo contrário, em seus escritos encontramos frases como esta: “Fiz uma aliança com Deus: que Ele não me mande visões, nem sonhos nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer tanto para esta vida quanto para a que há de vir”].

Nos seus sessenta e dois anos pregou seu último sermão sobre o texto: “Ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos”. No mesmo dia escreveu para a sua querida Catarina : “Lança o teu cuidado sobre o Senhor, e Ele te susterá. Amém”. Isso foi na última carta que escreveu. Vivia sempre esperando que o Papa conseguisse executar a repetida ameaça de queimá-lo vivo. Contudo não era essa a vontade de Deus : Cristo o chamou enquanto sofria dum ataque do coração, em Eisleben, cidade onde nascera .
São estas as últimas palavras de Lutero : “Vou render o espírito”. Então louvou a Deus em alta voz : “Oh! meu Pai celeste! meu Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, em quem creio e a quem preguei e confessei, amei e louvei! Oh! meu querido Senhor Jesus Cristo, encomendo-te a minha pobre alma. Oh! meu Pai celeste! em breve tenho de deixar este corpo, mas sei que ficarei eternamente contigo e que ninguém me pode arrebatar das tuas mãos”. Então, depois de recitar João 3:16 três vezes, repetiu as palavras: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito, pois tu me resgataste, Deus fiel”. Assim fechou os olhos e adormeceu.
Um imenso cortejo de crentes que o amavam ardentemente, com cinqüenta cavaleiros à frente, saiu de Eisleben para Wittenberg; passando pela porta da cidade onde o reformador queimara a bula de excomunhão, entrou pelas portas da Igreja onde, há vinte e nove anos, afixara suas 95 teses. No culto fúnebre, Bugenhangen, o pastor, e Melancton, inseparável companheiro de Lutero, discursaram. Depois abriram a sepultura, preparada ao lado do púlpito, e ali depositaram o corpo.
Quatorze anos depois, o corpo de Melancton achou descanso do outro lado do púlpito. Em redor dos dois, jazem os restos mortais de mais de noventa mestres da universidade.
As portas da Igreja do Castelo, destruídas pelo fogo no bombardeio de Wittenberg em 1760, foram substituídas por portas de bronze em 1812, nas quais estão gravadas as 95 teses. Contudo, este homem que perseverou em oração, deixou gravadas, não no metal que perece, mas em centenas de milhões de almas imortais, a Palavra de Deus que dará fruto para toda a eternidade



Fonte: Heróis da Fé, Editora CPAD.

Pingente daOESI

Este é o pingente oficial da OESI. Feito de Metal fundido banhado a ouro branco. A Cruz de Jerusalém e o peixe estilizado com o nome OESI ao centro. Ficou muito lindo.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

VI Retiro de Espiritualidade e Contemplação da OESI

O Retiro de Contemplação e Espiritualidade tem sido uma prática em minha vida espiritual há seis anos.
            Neste ano desejamos retornar ao Caminho de Emaús. Verificar a espiritualidade desta caminhada e aprender caminhando. Não existe caminho pronto. Sempre será uma experiência nova. Cada retiro Deus trabalha áreas específicas em nosso coração.
            Nesta caminhada tivemos a companhia dos Padres do Deserto. O termo, Padres do Deserto inclui um grupo influente de eremitas (sozinho) e cenobitas (em grupo) do século IV que se estabeleceram no deserto egípcio. As origens do monaquismo oriental se encontram nessas ermidas primitivas e comunidades religiosas.
            Paulo de Tebas é o primeiro eremita do qual se tem notícia, a estabelecer a tradição do ascetismo e contemplação monástica e Pacômio de Tebaida é considerado o fundador do cenobitismo, do monasticismo primitivo.
            Ao final do terceiro século, contudo, Antão do Egito orienta colônias de eremitas na região central. Esses primitivos monásticos atraíram um grande número de seguidores aos seus retiros, através da influência de sua simples e concentrada busca pela união com Deus e santificação. Os Padres do Deserto eram frequentemente solicitados para dar direção espiritual e conselho aos seus discípulos. Suas respostas foram gravadas e colecionadas num trabalho chamado "Paraíso" ou "Apotegmas dos Padres".
            Neste Retiro os Apotegmas e Orações dos Padres do Deserto foram refletidos por Anselm Grün. Também estudamos uma parte da palestra de Armand Veilleux sobre a “Lectio Divina como escola de oração entre os Padres do Deserto”.
            Como todos os Retiros anteriores, a “espinha dorsal” do encontro foi o Livro de Oração Comum considerado por João Wesley o melhor livro de oração.
            Também tivemos um momento especial para os Exercícios Espirituais no modelo de Inácio de Loyola. 

            Neste Retiro encontramos com o Cristo ressuscitado, tivemos nosso coração abrasado por sua presença e fomos renovados para a caminhada da fé.


Pastor Edmar e Patrícia

Na capela

Oração da manhã

Ministros da Oração

Livro de Oração



Cânticos de adoração

Reflexão Bíblica

Palavra compartilhada


Diaconisa Suely


Jandira e Dirce

Comentário Bíblico



Elonede e Tersa

Paulo Soares


Momento de oração

    

Creusa, Eliane e Patrícia

Os participantes

Preparação para a foto oficial

Lugar lindo

Espaço de oração

Silêncio


Caminho de Emaús




Creusa


sábado, 9 de agosto de 2014

Grupo de Estudo de Espiritualidade Cristã



Iniciamos um Grupo de Estudo sobre Espiritualidade Cristã no dia 02 de agosto de 2014. Iniciamos estudando a Espiritualidade do Livro de Didaqué.  Iremos reler todo o Didaqué revendo a espiritualidade dos primeiros cristãos e cristãs. Depois iremos reler o livro História Eclesiástica de Eusébio de Cesareia. Sempre introduzindo com a Palavra de Deus. Somos apenas cristãos e cristãs. Aqui estão presbiterianos, metodistas e católicos, mas nos Estudos de Espiritualidade da OESI (Ordem Evangélica dos Servos Intercessores) somos apenas cristãos. Após os estudos temos uma devocional onde oramos a Oração das Vésperas e cantamos músicas de Taizé. Nossas reuniões tem ocorrido aos sábados, às 17 horas. Hoje tivemos nosso segundo encontro.    

sábado, 12 de julho de 2014

Como surgiu o Novo Monasticismo na Igreja Evangélica?


Como surgiu o Novo Monasticismo na Igreja Evangélica?

Introdução:

            O que é o Novo Monasticismo?
            Tanto o termo em si, e a existência real do movimento chamado de novo monasticismo teve realmente suas origens na escrita, o ensino e prática de Dietrich Bonhoeffer .
            Começou no dia 26 de abril de 1935, quando Bonhoeffer colocou em prática o seu interesse no ensino monástico na fundação de um seminário ilegal em Zingst, Alemanha , durante a Segunda Guerra Mundial. Em junho do mesmo ano, mudou-se para Finkenwalde . A Polícia de Segurança do Estado fechou a instituição em 1937, prendendo 27 dos seus alunos.
            No mesmo ano, Bonhoeffer escreveu seu famoso livro,  o Preço do discipulado .  Dietrich foi executado pelos nazistas em 9 de abril de 1945 em Flossenburg, na prisão , apenas algumas semanas antes do fim da Segunda Guerra Mundial. Ele tinha 39 anos.
           

            I. 1940: Irmão Roger de Taizé, na França
            O irmão Roger (luterano)  deixou sua casa na Suíça e se mudou para a França para ajudar os refugiados fugindo da ocupação nazista. Ele fundou a comunidade monástica de Taizé , em França .
            Embora à primeira vista e de muitos modos, aparentemente  era uma parte do"monaquismo antigo" , mas sua Comunidade monástica ajudou a construir muitos dos "marcos" da corrente "do monaquismo Novo" no sentido criar uma "ponte" entre os dois.
            É uma Comunidade monástica independente, que era no início Interdenominacional e Protestante.  Eles agora se referem como um grupo "ecumênico".  Atualmente, seus monges também incluem os membros da Igreja Católica Romana  e Ortodoxa Oriental .
            Três marcas de Taizé no novo monaquismo:
            1.) Taizé foi a primeira comunidade independente monástica (não filiado a uma denominação).
            2.) Taizé foi a primeira  Comunidade Interdenominacional monástica (a primeira protestante, mais tarde, incluindo Católica Romana e Ortodoxa Oriental).
            3.) Taizé foi a primeira Comunidade monástica a apelar para um grande número de jovens. Começando em 1950, e especialmente a partir de 1960. São Jovens em número cada vez maior na busca de Deus e do sentido da vida.

             II. 1944: Irmandade Evangélica de Maria
            As fundadoras foram Madre Basilea (Drª Klara Schlink, 1904 - 2001), doutorado em Psicologia na Universidade de Hamburgo, 1934 - foi líder do Movimento Cristão das Estudantes Alemãs e Madre Martyria (Erika Madauss,1904 - 1999), formada Faculdade de Treinamento para Assistência Social, em Hamburgo e Londres.
            Madre Basilea e Madre Martyria tomaram uma corajosa posição cristã, durante o regime de Hitler. Quando era a presidente nacional do "Movimento Cristão das Estudantes Alemãs" (1933-35), Madre Basilea recusou-se a compactuar com a política nazista, que impedia aos judeus cristãos de participarem dos encontros e reuniões.
             Durante a II Guerra Mundial ela arriscou a vida e a carreira, falando publicamente sobre o destino singular de Israel. Convocada duas vezes a comparecer perante a polícia de segurança nazista pelo fato de proclamar o senhorio de Jesus Cristo, permitiram-lhe que saísse ilesa, a despeito de sua firme postura.
            Madre Martyria mantinha estudos da Bíblia para jovens e também ensinava-lhes o Antigo Testamento, que  era proibido durante o regime de Hitler.
            Em 11 de Setembro de 1944 Darmstadt (Alemanha) é destruída por um ataque aéreo; mais de 12.000 pessoas foram mortas. Durante anos as Madres haviam orado por um reavivamento nos grupos de estudos bíblicos para moças que elas lideravam; agora, suas orações haviam sido atendidas -mas de maneira diferente daquela que haviam esperado. Naquela noite, as moças conheceram a Deus em Sua santidade, como Juiz e Senhor sobre a vida e a morte. Nada podia ficar escondido; nenhum cristianismo morno poderia manter-se em Sua presença santa.
            Em seguida àquela noite de terror, houve um movimento dentre as moças, para que  trouxessem à luz o pecado e  recebessem o perdão. "Onde existe perdão dos pecados, há também vida e salvação" (Martinho Lutero). O momento de Deus havia chegado. Das cinzas surgiu vida nova.
            Tem início uma nova Irmandade Evangélica: 30 de março de 1947: Cerimônia inaugural da Irmandade, na casa dos pais da Madre Basilea, chamada "Casa Steinberg", que havia, em grande parte, escapado ao bombardeio.
            O co-fundador, Paul Riedinger, um Pastor-Superintendente da Igreja Metodista (f. 1949), deu à Irmandade o nome de Maria, a mãe de Jesus, que exemplificava a fé e a dedicação à vontade de Deus, seguindo Jesus até à cruz.
            As primeiras Irmãs eram na maioria da igreja luterana, mas atualmente a Irmandade conta com membros de muitas denominações evangélicas, procedentes de 18 nacionalidades.

            III. R.A. Torrey III, funda a Abadia de Jesus na Coréia em 1964
            Por volta de 1964, Reuben Archer Torrey III , um sacerdote episcopal e Missionário na Ásia ( ele tinha sido criado na China, seus pais também foram missionários ), neto de Dwight Moody's, R.A.Torrey , fundada a Abadia de Jesus como uma comunidade missionária da Coreia.  
            É filiada livremente com a Episcopal Church.  Eles são evangélicos na doutrina e são uma Comunidade Monástica Leiga. Usam o termo "monges" ao se referir a si mesmos.

            IV. 1994: Comunidade Northumbria 
            O Nether Springs Trust foi criada em meados dos anos oitenta, na jornada espiritual em finais dos anos setenta e início dos anos oitenta por John e Linda Skinner e Andy Raines , que começaram a tentar seguir Dietrich Bonhoeffer  nas idéias de um novo monasticismo --- pessoas comuns aprendendo e praticando em suas próprias vidas, os aspectos da espiritualidade monástica tradicional. 
            Em 1989 Nether Springs fundiu com o Ministério Northumbria, e em 1994 tornou-se Comunidade Northumbria (uma comunidade dispersa). 
            São evangélicos influenciados tanto pelos primeiros franciscanos como pelos primeiros monges celtas.

            V. 1999: S G Preston ( Monge Preston ) e sua esposa Linda (Monja Linda ) co-fundam a The Prayer Fundação e os Cavaleiros de Oração:  Ordens Monásticas 
            Em 1999, a SG Preston ( Monk Preston ) e sua esposa Linda ( Linda Monk ), fundam a Oração Fundação , um ministério Evangélico Interdenominacional para promover e incentivar a oração no Corpo de Cristo. Acreditam que todos os ministérios cristãos, também devem pregar o Evangelho.
             A partir de outubro 2007, registraram Monges em 7 países da América e Europa e mais de 1.700 voluntários em 43 países no mundo.
             Ao mesmo tempo, eles fundaram a Interdenominacional ( Monjes que permanecem em suas próprias denominações ) a Ordem Monástica Cavaleiros de Oração como um dos ministérios da Fundação Oração. 
            Foi a primeira Ordem Monástica para permitir Monjas. 
            Ensinaram que o monaquismo deveria ter sido posto à prova das grandes doutrinas dos protestantes da Reforma, como a Igreja institucional foi, e chegaram à conclusão de que os monges devem ser autorizados a casar . 
            Mais tarde, eles aprenderam que os monges cristãos Celtas (400-1100 dC) também tinham essa opinião, e também estavam muito ocupados com missões, viajando como monges missionários para a Inglaterra e Europa Continental.  
            Oração Fundação  re-definiu o termo "Monge", indicando: "tudo o que realmente significa o termo" monge "é um cristão, especialmente dedicado à Palavra de Deus e a oração" . 
            Em 19 de julho de 1999, Linda se tornou a primeira mulher Monja: a primeira mulher a receber oficialmente"status de monja" na história do cristianismo.  Eles são uma moderna Ordem Religiosa dos monges celtas no espírito Franciscano.

            VI. O crescimento do Novo Movimento Monaquismo: 2004-2005
            Entre 2004 e 2005 dezenas de Ordens evangélicas monásticas foram formadas, principalmente em nos EUA, mas também no Reino Unido. Estes costumam combinar grupos de casados e solteiros, alguns com filhos. Fazendo missões e evangelismo em suas próprias localidades, e geralmente zelosos para ajudar os pobres. 
            A ideia é ir além de aceitar a Cristo, e viver o Evangelho em sua vida diária. Os termos Novo Monaquismo e Neo-Monaquismo entrou em uso geral para descrever o que é agora um movimento, e começa a influenciar a comunhão cristã inteira.
            Em 2008 foi estimado mais de 100 grupos na América do Norte que afirmam ser "evangélicos" e "monástico" de acordo com o The Boston Globe  (3 de fevereiro de 2008).



domingo, 15 de junho de 2014


Dia da Santíssima Trindade
Rev. Edson Cortasio Sardinha


No domingo após o Pentecostes a Igreja Celebra o Dia da Santíssima Trindade. Os Ciclos do Natal e da Páscoa apontam para a Ação do Deus Triuno na Salvação da humanidade.
Há somente um DEUS, e uma só Trindade (ou "triunidade"). Deus subsiste numa unidade de três pessoas igualmente divinas e distintas.
            A oração familiar e cotidiana dos judeus, extraída de Deuteronômio 6.4, enfatiza a suprema grandeza da unidade divina: "Ouve, Israel, o Senhor nosso DEUS é o único Senhor".  A palavra "único", aqui usada, corresponde ao hebraico, "echad", que pode representar uma unidade composta ou complexa. Embora o hebraico possua uma palavra que signifique "somente um" ou "o único", "yachid", esta jamais é usada em relação a DEUS.
            Paralelamente a unidade de DEUS, deparamo-nos com o conceito de sua personalidade. A personalidade envolve o conhecimento (ou inteligência), os sentimentos (ou afetos) e a vontade. O PAI, o FILHO e o ESPÍRITO SANTO, cada um de per si, revelam tais características à sua própria maneira.
            O ESPÍRITO SANTO, por exemplo, faz coisas que o mostram realmente como uma pessoa distinta, e não como mero poder impessoal (At 8.29; 11.12; 13.2,4; 16.6,7; Rm 8.27; 15.30; 1Co 2.11; 12.11). A personalidade também requer comunhão. Todavia, antes da existência do Universo, onde estava a possibilidade de comunhão? A resposta está na Trindade.
A unidade de DEUS não exclui a possibilidade de nela haver personalidades compostas. Há três personalidades distintas, cada qual inteiramente divina, mas encontram-se tão harmonicamente inter-relacionadas que resultam numa única essência. Como se vê, seria totalmente errado afirmar que na Trindade haja três deuses e Uma maneira de se desvendar as distinções das pessoas, na divindade, consiste em se observar as funções atribuídas especificamente a cada uma delas.
            DEUS PAI é relacionado à obra da criação; DEUS FILHO é o principal agente da obra de redenção da humanidade; e DEUS ESPÍRITO SANTO é a garantia de nossa herança futura. Esta tríplice distinção é esboçada no primeiro capítulo de Efésios.
            Contudo, não devemos pressionar tais distinções, pois há abundante testemunho bíblico quanto à cooperação do FILHO e do ESPÍRITO SANTO na obra da criação: o PAI criou através do FILHO (Jo 1.3); o ESPÍRITO SANTO pairava gentilmente sobre a terra, preparando-a para os seis dias da criação (Gn 1.2). O PAI enviou o FILHO ao mundo para efetuar a redenção (Jo 3.16), e o próprio FILHO, em seu ministério, veio "no poder do ESPÍRITO" (Lc4.14).
            O PAI e o FILHO, de igual modo, tomam parte no ministério do ESPÍRITO SANTO, que consiste em santificar o crente. A Trindade é uma comunhão harmoniosa dentro da deidade. Essa comunhão é amorosa, porque DEUS é amor. Mas esse amor é expansivo, e não auto-centralizado.
            Ele requeria que, antes da criação, houvesse mais de uma Pessoa dentro do Divino Ser. Um importante vocábulo para se guardar, no tocante à doutrina da Trindade, é "subordinação". Há uma espécie de subordinação na ordem das relações das pessoas da Trindade, mas sem qualquer implicação quanto à natureza de cada uma delas.
            O FILHO e o ESPÍRITO são declarados como "procedentes" do PAI. É uma subordinação, pois, quanto às relações, mas não quanto à essência. O ESPÍRITO, por sua vez, é declarado procedente do PAI e do FILHO. Esta é a declaração ortodoxa da Igreja Ocidental, adotada por ocasião do Concílio de Nicéia, em 325 d.C, e incorporada em diversos credos.
            Embora o termo "trindade" não seja encontrado em nenhum lugar da Bíblia, há numerosas passagens que lhe fazem alusão. Um exemplo é visto de maneira clara nos eventos que cercam o batismo de JESUS no rio Jordão: -Batizado JESUS, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o ESPÍRITO de DEUS descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é meu FILHO amado, em quem me comprazo" (Mt 3.16,17).
            Nos 25 Artigos de Religião, John Wesley inicia dizendo:

“Há um só Deus vivo e verdadeiro, eterno, sem corpo nem partes; de poder, sabedoria e bondade infinitos; criador e conservador de todas as coisas visíveis e invisíveis. Na unidade desta Divindade, há três pessoas da mesma substância, poder e eternidade - Pai, Filho e Espírito Santo.

Fonte pesquisada: Livro A TRINDADE de Willian W.Menzies e Stanley M.Horton,  Rio de Janeiro: CPAD, 1995.

Os 25 Artigos de Religião dos Metodistas. Cânones 2012.