Entre a Terra e o Céu: férias de janeiro no Mosteiro Terra Santa
Ji-Paraná (RO), janeiro de 2026
As férias de janeiro de 2026, vividas no Mosteiro Terra Santa, em Ji-Paraná (RO), não foram um tempo de interrupção da vocação, mas de aprofundamento dela. Para nós, Edson e Marisa, esse período revelou, de forma concreta e silenciosa, a verdade antiga e sempre nova da espiritualidade cristã: orar e trabalhar são um só movimento quando tudo é oferecido a Deus.
O dia começava cedo, sob o céu ainda suave da Amazônia. Antes que o calor se impusesse, as mãos já tocavam a terra. Plantar, limpar os jardins, cuidar do que cresce — cada muda colocada no chão era também uma oração sem palavras. A terra revolvida lembrava o coração humano: precisa ser cuidada, limpa, regada, para que a vida floresça. Não há espiritualidade autêntica que despreze o chão; foi do pó que Deus nos formou e é na terra que aprendemos a humildade.
Entre uma atividade e outra, o ritmo do mosteiro era marcado pela oração comunitária, pela escuta do Evangelho do Dia e pela Eucaristia diária, centro silencioso e firme de toda a jornada. A Palavra proclamada iluminava o trabalho, e o trabalho devolvia à Palavra sua densidade concreta. O que se ouvia no Evangelho pela manhã ganhava corpo no esforço da tarde, no suor, no cansaço aceito com gratidão.
Marisa, com sua sensibilidade atenta e espírito de serviço, esteve presente em cada detalhe: no cuidado com os espaços, na organização, no zelo com o que parece pequeno, mas sustenta a vida comum. Seu trabalho discreto lembrava o testemunho de tantos servos e servas do Evangelho que, sem visibilidade, constroem diariamente o Reino de Deus. Há uma liturgia escondida no cuidado, e ela foi celebrada ali, longe dos holofotes, mas muito próxima do coração de Deus.
Entre as tarefas mais exigentes estiveram a colocação dos mourões das cercas e a instalação das telas, trabalho pesado, repetitivo, que exigiu paciência e perseverança. Cada mourão fincado no chão parecia afirmar, simbolicamente, que o mosteiro não é apenas um espaço espiritual, mas também um lugar concreto, com limites, proteção e responsabilidade. A cerca não separa do mundo por desprezo, mas guarda um espaço de silêncio, oração e acolhimento.
Também houve tempo para a pintura da casa, gesto simples, mas profundamente simbólico. Renovar as paredes foi, de certo modo, renovar o compromisso de fazer do mosteiro uma morada digna, bela e hospitaleira. A tinta fresca falava de cuidado, de esperança, de um futuro que se constrói com gestos simples e fiéis.
O ponto alto da semana era o culto dominical na Capela, celebrado com sobriedade e reverência. Ali, todo o trabalho da semana encontrava seu sentido. O louvor comunitário reunia terra e céu, corpo e espírito, silêncio e Palavra. Não se tratava de “pausar” o trabalho para cultuar, mas de reconhecer que todo o trabalho já era culto, prolongado agora na assembleia reunida em nome do Senhor.
Esses dias no Mosteiro Terra Santa foram, ao mesmo tempo, um relato simples do cotidiano e uma profunda experiência devocional. Nada de extraordinário aos olhos do mundo: plantar, limpar, construir, pintar, orar. Mas tudo extraordinário aos olhos da fé, porque feito na presença de Deus e para a glória de Deus.
Assim, as férias se tornaram peregrinação interior. O descanso não veio da ausência de tarefas, mas da certeza de estar no lugar certo, vivendo o chamado com inteireza. Entre a terra que se cultiva e o céu que se espera, seguimos aprendendo que o Reino de Deus cresce como semente pequena, lançada no chão, cuidada com fidelidade e confiada à graça do Senhor.
> “Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor” (Cl 3,23).
Que este testemunho simples fortaleça a caminhada da OESI, recordando-nos que a vida espiritual não se vive à margem do cotidiano, mas dentro dele, com mãos sujas de terra e coração elevado em oração.