quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Dia da Reforma Protestante

Necessidade de Reformas
Dia da Reforma Protestante
A Casa de Deus no Antigo testamento precisou de muitas reformas e reparos. Observe os versículos abaixo:
Trabalho de reparação / restauração da casa de Deus: E os que tinham o encargo da obra faziam com que o trabalho de reparação fosse crescendo pelas suas mãos; e restauraram a casa de Deus no seu estado, e a fortaleceram. 2 Crônicas 24:13
Reparar as fendas da casa: Os sacerdotes o recebam, cada um dos seus conhecidos; e eles mesmos reparem as fendas da casa, toda a fenda que se achar nela. 2 Reis 12:5
Consertaram e Repararam a casa: E eles o entregaram aos que tinham o encargo da obra, e superintendiam a casa do Senhor; e estes o deram aos que faziam a obra, e trabalhavam na casa do Senhor, para consertarem e repararem a casa.  2 Crônicas 34:10.
A Igreja Cristã na Idade Média assimilou muitos costumes e manias dos pagãos. O poder temporal e a política contaminaram a Igreja. A ganância e a busca de riquezas para alimentar a guerra foram feridas para o cristianismo.
Várias heresias foram inventadas principalmente a da indulgência.
Apesar de tudo a Igreja continuava sendo do Senhor Jesus, mas precisava de reformas. Deus levantou vários homens para reparar, restaurar, fechar as fendas e consertar sua casa.
Louvamos a Deus por todos os reformadores, principalmente pelos que foram mortos pela fé como o padre Jerônimo de Savanarola e João Huss. Louvamos a Deus por Martinho Lutero e por sua coragem em reformar a Igreja do Senhor.
Martim Lutero não fez tudo e também foi limitado em vários aspectos. Foi um homem de sua época. Mas a reforma da Igreja não é obra de homem, mas de Deus. Por isso o Senhor Jesus continuou levantando Reformadores. Homens e mulheres que continuaram a trabalhar na Reforma da Casa do Senhor.
Hoje a Casa do Senhor continua necessitando de Reformas. Isso é lógico e necessário. Sempre precisaremos consertar as fendas e restaurar a casa.
Que Deus nos ajude a enxergar as áreas que necessitam de Reformas e ter a coragem de Lutero para colocar a mão na massa e fazer a parte que nos cabe.
Quero ser reformado e me reformar a cada dia na graça do Senhor.



sábado, 19 de outubro de 2013

Orando no Santo Domingo

O Santo Domingo tem início na tarde do sábado, ao por do Sol, na oração das Vésperas. Nesta oração nós já celebramos a entrada da Ressurreição do Senhor. Todo Sábado a noite é o início da celebração da Páscoa.
A noite de sábado é o início do domingo. Nos reunimos na Capela do Mosteiro às 18 horas. Com cânticos, leituras Bíblicas e pregação, entramos com alegria no Domingo do Senhor.
A liturgia é simples e baseada no Livro de Oração Comum da Igreja da Inglaterra. Lemos os Evangelhos com relatos da ressurreição, cantamos hinos e meditamos na Palavra do Senhor.
Saímos da Capela e vamos direto para o simples jantar. Conversamos com alegria e aguardamos, geralmente ao ar livre, o Momento da Oração das Completas, às 21 horas. Após as Completas (Oração da Noite) retornamos para os nossos quartos (celas) e esperamos pela Santa Manhã de Domingo.
No Domingo acordamos as 6:30h. Na Capela fazemos a Santa Oração da Manhã às 7h. Depois tomamos o café e retornamos para a Capela às 8h onde celebramos a Santa Ceia (Eucaristia) e depois temos nossa tradicional Escola Dominical (geralmente é uma palestra sobre um assunto bíblico).
O Domingo é um dia especial. Dia de Festa, família e descanso. A Oração do Meio Dia é muito celebrada e depois almoçamos em família e descansamos. O Domingo é um retorno ao Túmulo vazio, um encontro com o Cristo vivo, celebramos o dia da Pedra Removida. Para nós todo domingo é Páscoa. Nos sentimos retornando para Jerusalém. Voltamos ao Jardim do Túmulo ao ao Santo Sepulcro e celebramos com a cristandade a Vitória de Cristo sobre a Morte, a nossa vitória. É neste dia que oramos pela unidade da Igreja de Cristo.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Prepare-se para os Exercícios Espirituais da Quaresma.


Leitura Orante da Bíblia - Exercícios Espirituais

Escolha um lugar confortável e silencioso para se sentar em oração. Escolha um texto da Bíblia para a Leitura Orante da Bíblia.
Siga os seguintes passos:

1.      Invocação: Invocar o Espírito Santo

2.      Leitura: Leia com calma o Texto Bíblico: ______________________

3.      Silêncio e Contemplação: Faça um silêncio lembrando o que leu

4.      Imaginação: Imagine a cena que você acabou de ler

5.      Atualize a Palavra: O que este texto fala comigo?

6.      Compromisso: Faça um compromisso com Deus para sua vida: Como deverei ser a partir de hoje?

7.      Registro no caderno: Registre o que foi mais importante neste momento: O que o texto me falou e qual foi o meu compromisso assumido?
________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

8.      Orar a Palavra: Ore a Deus baseado na Palavra e na experiência do Exercício. Ore e depois escreva esta oração.
____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

9.      Diagnóstico: Revisão da oração: O que mais me atrapalhou na oração, sentimento que eu tive, maior dificuldade.

10.  Memorizar: Escolher uma frase como resumo de tudo e memorizar.

________________________________________________________________

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Francisco de Assis soube imitar o Senhor Jesus


           
Rev. Edson Cortasio Sardinha
            Francisco de Assis teve seu encontro com o Evangelho na prisão da Perúsia em 1202, talvez com 20 anos. Começou seu caminho de encontro com o Jesus pobre.
            Ele era filho do comerciante Pedro Bernardone e percebeu que em vida Jesus não teve nada.
            O Senhor Jesus nasceu em um estábulo, que foi emprestado. Jesus montou em um burrico, que foi emprestado. Jesus realizou o milagre da multiplicação dos peixes e pães, que foram emprestados. Jesus pregava em vários locais emprestados. Jesus usou um barco emprestado. Jesus não teve nada deste mundo. Tudo foi emprestado.
            Francisco entendeu que o Senhor Jesus, sendo o Todo-Poderoso Deus, foi um simples homem na terra: um Homem que nasceu e cresceu em uma humilde aldeia, que trabalhou como um modesto carpinteiro até os 30 anos, que somente durante os três anos seguintes pregou sua mensagem. Nunca escreveu um livro. Nunca exerceu qualquer cargo. Nunca teve um lar próprio depois de adulto. Nunca constituiu família. Nunca frequentou uma universidade. Nunca a planta dos seus pés pisaram uma grande cidade, exceto Jerusalém. Nunca fez alguma coisa que pudesse aparentar grandeza. Nada teve em comum com este mundo, exceto o simples poder de sua singular personalidade. Esta descoberta marcou a vida de Francisco de Assis.
            Francisco se apaixonou pelo Senhor Jesus e se converteu.
            Desejou viver como o Senhor Jesus: abriu mão de tudo e viveu alegremente a vida terrena evangelizando e cantando a alegria de ser pobre como o Senhor.
            Morreu no dia 04 de outubro de 1226.
            Antes de morrer pediu com muita insistência que fosse retirado da cama e colocado na grama. Desejava sentir a natureza, que Cristo criou, pela última vez.
            Morreu cantando: Seja Bem-vinda irmã morte!
            Francisco descobriu um grande Tesouro e deu toda sua vida por Ele.

            Foi realmente feliz porque conseguiu viver integralmente para o Senhor Jesus.  

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Um Mosteiro Evangélico ou um Ermitério Evangelico

Estamos construindo, num terreno pequeno de 5 mil metros quadrados, a nossa Casa de Retiros Terra Santa. Fica na zona rural da cidade de Ji-Paraná - Rondônia. Um lugar lindo e sempre quente, com noites bem estreladas e um suave vento.
A casa de retiro será o início de um sonho.
Está sendo construída para ser um pequeno ermitério para pastores e líderes evangélicos que desejam ter momentos de contemplação e espiritualidade cristã.
Uma casa compacta com cinco quartos, uma sala, banheiros, copa e cozinha.
Depois vamos construir uma pequena capela e um bosque muito bonito e planejado.
Ore por este trabalho.
Desejando mais informações ou nos ajudar em alguma coisa, nos escreva: ordemevangelica@hotmail.com
Lado esquerdo da Casa. Janelas da sala e de dois quartos (celas de oração)

Vista da parte esquerda com as janelas dos dois banheiros.

Vista da copa e da cozinha. Parte externa da Casa - Uma idícula


Vista da casa a partir do fundo do terreno. A área demarcada está sendo construída a edícula

Dormitórios e cozinha ao fundo. Parte direita da casa.

Vista do terreno antes da construção






quinta-feira, 29 de agosto de 2013

“Voltar ao passado é progredir”

“Voltar ao passado é progredir” — Os cristãos celtas e um modelo de espiritualidade

Voltar ao passado é progredir” — esta expressão, que tem se tornado proverbial, revela algumas vezes profunda verdade: em determinadas situações, por mais estranho que pareça, voltar ao passado significa progresso, não retrocesso. É o caso da vivência da espiritualidade a partir do modelo do cristianismo celta antigo. Diante de tal afirmativa, alguém poderia pensar: “mas o que cristãos do século 21 poderiam aprender com cristãos que viveram em pleno período medieval?” Certamente o cristianismo contemporâneo tem a aprender com o cristianismo celta, entre muitas outras possibilidades, também no que diz respeito a uma vivência da espiritualidade em harmonia com a natureza, entendida como criação de Deus.

O cristianismo conhecido como “celta” floresceu na Irlanda, na Escócia, no País de Gales e mesmo em partes da Inglaterra, grosso modo, do quarto ao décimo séculos. São conhecidos os nomes de missionários celtas como Patrício, Columba e Columbano, que evangelizaram o norte das Ilhas Britânicas e vastas partes do continente europeu. Mas o cristianismo celta floresceu, humanamente falando, não apenas devido ao trabalho dos missionários mais conhecidos, mas também devido ao esforço de incontáveis anônimos, pessoas sinceras em sua fé, que viviam o cristianismo com “alegria e singeleza de coração”. Foi um cristianismo que desenvolveu características próprias, que o tornavam distinto do cristianismo de inspiração romana que florescia na Europa continental no mesmo período. O cristianismo celta tinha muitas características notáveis. Entre tantas, destaca-se aqui apenas a que interessa diretamente aos propósitos desta breve reflexão: um modelo de espiritualidade centrado na criação.

Os celtas desenvolveram uma teologia que enfatizava uma visão de Deus como Senhor da criação. Ainda que não haja nada de original nesta perspectiva — os cristãos celtas não foram os inventores desta teologia —, não se pode deixar de mencionar que há diversas implicações práticas dessa visão. Uma dessas conseqüências é exatamente ter uma atitude constante de júbilo e regozijo na criação, que revela Deus. Como os celtas eram um povo com forte inclinação à poesia, produziram muitas poesias comoventes, louvando a Deus pela obra da criação. Um poema datado do século nono, escrito na antiga língua do País de Gales, tem início com as seguintes palavras:

Todo Poderoso Criador, que fizeste todas as coisas;

O mundo não pode expressar toda a tua glória,

Ainda que a grama e as árvores possam cantar.

Outro poema escrito no século oitavo, na antiga língua irlandesa, declara:

Somente um tolo não seria capaz de louvar a Deus pelo seu poder,

Quando as pequeninas aves incapazes de pensar

O louvam com seu vôo.1


Estes versos expressam o lugar de destaque que a natureza ocupava na maneira como os cristãos celtas antigos viam a vida e pensavam sua relação com Deus. A visão da criação como reveladora de Deus está profundamente enraizada na Bíblia. Os fragmentos poéticos citados revelam influência de textos bíblicos como Salmos 98.7-8 ou Isaías 55.12. De fato, muito da poesia e das orações daqueles cristãos denotam influência da visão bíblica a respeito da natureza. Textos como o de Salmos 19.1eram particularmente queridos pelos cristãos celtas. Para eles, o mundo criado é uma teofania, isto é, uma manifestação de Deus. Nesse sentido, deve-se observar que os celtas contrastavam com os cristãos do mesmo período na Europa continental — enquanto estes tinham sua vivência de espiritualidade na escuridão de seus conventos, aqueles viviam uma espiritualidade ao ar livre, em meio à natureza. Não se importavam com o frio tão característico das Ilhas Britânicas! Antes, regozijavam-se no Senhor pelo cenário de deslumbrantes belezas naturais daquelas ilhas. No continente europeu prevaleceu uma visão influenciada pela antiga filosofia platônica, que via as coisas materiais como sendo inferiores às espirituais — nada mais distante do pensamento celta! Aliás, nada mais distante do pensamento bíblico!

Outro aspecto admirável da teologia desenvolvida pelos cristãos celtas é a sua concepção da soteriologia, isto é, da doutrina da salvação. Eles criam firmemente em Jesus Cristo, o Filho de Deus, que morreu na cruz para a salvação e libertação de todo aquele que crer. A cruz celta, que era esculpida em pedra, tornou-se uma figura conhecida em praticamente todo o mundo. As características básicas da cruz celta são: ter o braço horizontal tão largo quanto a sua base vertical, e ser circundada por um círculo, que provavelmente representa uma visão unificada das obras da criação e da redenção. Há também o aspecto de que tanto o poste como a trave da cruz celta são marcados por figuras esculpidas. Em muitas dessas cruzes há representações de animais. Desse modo, aqueles cristãos representavam esteticamente sua leitura de Romanos 8.19-23, que afirma a globalidade da obra de Cristo Jesus na cruz. Tal obra tem efeitos salvíficos para o povo de Deus e para o restante da obra das mãos de Deus, suas criaturas não-humanas. Os cristãos celtas demonstravam, dessa maneira, uma sofisticada teologia, holística em sua maneira de encarar a criação e a redenção. Assim, o cristão celta da Idade Média ficaria horrorizado se pudesse viajar no tempo e ver a destruição desenfreada da natureza que acontece em nosso tempo.

Há relatos documentais impressionantes de antigos santos celtas que tinham um relacionamento todo especial com os animais, criaturas não-humanas de Deus. Talvez alguns desses relatos sejam exagerados, mas mesmo assim deixam claro que eles levavam a sério, no sentido literal, a expressão “não fazer mal a uma mosca”. Columbano, por exemplo, chegou a afirmar: “Entenda a criação se desejas conhecer o Criador... pois aqueles que desejam conhecer as grandes profundidades precisam primeiro perceber o mundo natural”. Ian Bradley, professor de teologia prática e história da Igreja na Faculdade de Teologia da Universidade de Saint Andrews, na Escócia, afirma que esses relatos demonstram que os celtas se relacionavam com os animais no mesmo estilo de Jesus. Marcos afirma que Jesus estava com animais selvagens no deserto, mas eles não o feriam (não há como ler Marcos 1.13 e não se lembrar de passagens como Gênesis 2 ou Isaías 11.6-8). Neste sentido, o cristianismo celta antecipa em séculos uma ênfase que só viria ser encontrada em Francisco de Assis, tido em nossos dias como “patrono” do movimento ecológico. Bradley afirma também que há comprovação de que Francisco visitou uma comunidade monástica em Bobbio, na Itália. Essa comunidade (assim como outras nas vizinhanças de Assis) fora fundada pelo próprio Columbano. Bradley defende a teoria de que, nesses mosteiros de origem irlandesa, Francisco aprendeu o amor à natureza, que o tornou tão conhecido.

Portanto, dos cristãos celtas medievais podemos aprender a ver a natureza com espírito de alegria, gratidão e louvor a Deus. Aprendemos com eles a ter uma espiritualidade que não é descolada nem deslocada da criação.

“Voltar ao passado é progredir”; no que diz respeito à prática da espiritualidade centrada na criação, este provérbio é absolutamente verdadeiro e necessário para o nosso tempo.



Nota - Texto da Revista Ultimato: www.ultimato.com.br › revista › edicao 294
1. Os versos citados e as referências a Bradley foram extraídos do livro The Celtic Way, de Ian Bradley (London: Darton, Longman & Todd, 2003).




Carlos Caldas é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Leciona na Escola Superior de Teologia e no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo.