segunda-feira, 18 de março de 2013


Orações para a
SEMANA SANTA 
Baseado no Livro de Oração Comum
da Igreja Protestante da Inglaterra no Século XVI

ANO C

Igreja Metodista da Vila Isabel - Rev. Edson Cortasio Sardinha.
2013


Orientação: Ore a oração do Dia, leia as Leituras indicadas, faça um período de silêncio (5 minutos) e termine com a Oração do Pai Nosso.

LITURGIA DE RAMOS – Domingo pela manhã.
Cor litúrgica: vermelho
Oração
            Onipotente e Eterno Deus, de tal modo amaste o mundo, que enviaste teu Filho, nosso Salvador Jesus Cristo, para tomar sobre si a nossa carne e sofrer morte na cruz, dando ao gênero humano exemplo de sua profunda humildade; concede, em tua misericórdia, que imitemos a sua paciência no sofrimento e possamos participar também de sua ressurreição; mediante o mesmo Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém
 Leituras:
Ano C : Lc 19:28-40 , Jo 12:12-16; Sl 118:1-2, 19-29

LITURGIA DA PAIXÃO  - Domingo a Noite.
Cor litúrgica: vermelho
Oração
            Deus Todo-poderoso, o teu Filho querido não ascendeu à alegria sem que primeiro sofresse a dor, nem entrou na glória sem ser crucificado; concede-nos misericordioso que, andando nós no Caminho da Cruz, nele encontremos a vida e a paz. Mediante Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.
Leituras:
Ano C: Is 49:1-7; Sl 71:1-14; 1 Co 1:18-31; Lc 22:14- 23:56

SEGUNDA-FEIRA SANTA
Cor litúrgica: vermelho
Oração:
            Onipotente Deus, cujo Filho muito amado não gozou perfeita alegria, senão após o sofrimento, e só subiu à glória depois de crucificado; concede-nos misericordioso que, seguindo o caminho da cruz, seja este para nós vereda de vida e paz; por Jesus Cristo, teu Filho, nosso Senhor, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.
 Leituras:
Anos A, B, C: Is 42:1-7; Sl 27:1-8; Heb 9:11-15; Jo 12:1-8.

TERÇA-FEIRA SANTA
Cor litúrgica: vermelho
Oração:
            Ó Deus, que pela paixão de teu bendito Filho, fizeste com que o instrumento da morte vergonhosa se tornasse para nós símbolo de vida; concede que nos glorifiquemos na cruz de Cristo, a fim de que alegremente suportemos infâmias e privações, por amor de teu Filho, nosso Salvador Jesus Cristo, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.
 Leituras: Anos A, B, C: Is 49:1-6; Sl 71:1-12; 1 Cor 1:18-31; Jo 12:27-36

QUARTA-FEIRA SANTA
Cor litúrgica: vermelho
Oração:
            Ó Senhor Deus, cujo bendito Filho, nosso Salvador Jesus Cristo, teve o seu corpo torturado e seu rosto cuspido; concede-nos a graça de enfrentar com esperança os sofrimentos deste tempo e de confiar na glória que há de ser revelada; por Jesus Cristo teu Filho, nosso Senhor, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.
 Leituras: Anos A, B, C: Is 50:4-9a; Sl 70; Heb 12:1-3; Jo 13:21-30  e  Mc 12:1-11

QUINTA-FEIRA SANTA
Cor litúrgica:
branco

Oração
            Ó Pai Onipotente, cujo amado Filho, na noite anterior à sua paixão, instituiu o Sacramento do seu Corpo e Sangue; concede-nos, misericordioso, que dele participemos agradecidos, em memória daquele que nestes santos mistérios nos dá o penhor da vida eterna, teu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

Leituras:
Ano C: Êx 12:1-14; Sl 116:1-2, 12-19; 1 Co 11:23-26; Jo 13:1-17, 31-35
SEXTA-FEIRA SANTA
Cor litúrgica:
vermelho
Oração
             Deus Onipotente, nós te suplicamos olhes com misericórdia para esta família que é tua, e pela qual nosso Senhor Jesus Cristo não hesitou em entregar-se, traído, às mãos de homens iníquos, e sofrer morte de cruz; o qual vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.
            Onipotente e Eterno Deus, que por teu Espírito governas e santificas todo o corpo da Igreja; recebe as súplicas e orações que por todos os seus membros te oferecemos, para que estes, na sua vocação e ministério, te sirvam com verdadeira piedade e devoção; mediante nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.
           
 Leituras:
Ano C: Os 5:15b- 6:6; Sl 22; Hb 4:14-16, 5:7-9; Lc 23:33-49

SÁBADO SANTO PELA MANHÃ
Cor litúrgica:
vermelho
Oração
Ó Deus, Criador do céu e da terra; concede que, assim como o corpo crucificado de teu amado Filho foi colocado no túmulo e descansou neste sábado santo, também sepultados com Ele aguardemos o terceiro dia e com Ele ressuscitemos para uma vida nova; o qual vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.

 Leituras: Anos A, B, C: Jó 14:1-14,  Lm 3:1-9, 19-24; Sl 31:1-4,15-16; 1 Pe 4:1-8; Mt 27:57-66 e  Jo 19:38-42






A Grande Semana Santa
Do Domingo de Ramos ao Tríduo Pascal
Rev. Edson Cortasio Sardinha

            O Domingo de Ramos é também chamado de Domingo da Paixão do Senhor. Inicia o caminho para o sofrimento e a morte de Senhor. Nossa igreja começa a se preparar para acompanhar o caminho do Senhor até o Calvário.  A Semana Santa é o coração da Liturgia. É a celebração completa da Morte e Ressurreição do Senhor.
            Algumas igrejas protestantes tem uma programação especial para nos auxiliar a caminhar pelos passos de Jesus. Outras preferem se voltar a festividades judaicas ou aproveitar o feriado para fazer retiros de recreações e congraçamentos.
Eu, particularmente, prefiro fazer da Semana Santa um retiro espiritual acompanhando a dor e o sofrimento do Senhor através da liturgia da Igreja. Esta liturgia me levará até ao Domingo da Ressurreição, a Páscoa do Senhor.
            Ela tem início com o Domingo de Ramos. Pela manhã lembramos a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e a tarde a Paixão do Senhor.

            Cada dia da semana tem um significado próprio:
            Segunda-feira santa: Jesus protesta contra o comércio no templo em Jerusalém (Mateus 21.12-13 /Marcos 11.15-18). e depois ensina no templo em Jerusalém (Mateus 21.28-23.29 / Marcos 12.1-44 / Lucas 20.9-21.4).
            Na Terça-feira santa: Jesus prediz a data de sua execução e debate com líderes religiosos. Jesus é ungido em Betânia (Mateus 26.6-13 / Marcos 14.3-9 / João 12.2-11).
            Na Quarta-feira Santa: Judas é contratado para trair Jesus. Jesus chora, no Monte das Oliveiras, a rejeição de Jerusalém e lamenta a destruição da cidade (Lucas 19.41-44).  
            Na quinta-feira santa tem início o Tríduo Pascal: Quinta: Jesus celebra a Santa Ceia e vai ao Jardim do Getsêmani para ser preso. Sexta-feira Santa: Jesus morre na cruz do calvário. No Sábado a Noite (já é domingo pela liturgia): A Igreja Celebra a ressurreição do Senhor.
            O Domingo é a Páscoa do Senhor. A Igreja canta e conta a História da ressurreição e da aparição as mulheres e aos apóstolos.

I. A História das solenidades da Semana Santa.
            As Solenidades da Semana Santa teve início em Jerusalém. De lá vem o Domingo de Ramos e o Tríduo Pascal.
a) Domingo de Ramos
            A feição característica do Domingo de Ramos na Jerusalém do quarto século era a procissão de palmas iniciada no Monte das Oliveiras na direção da cidade, de tarde. Essa cerimônia foi imitada pelos fiéis da Espanha no quinto século, e da Gália, no sétimo.  Desde os tempos primitivos começava em algum lugar fora da igreja principal. No início da idade média, o centro da atenção era o Livro do Evangelho, infelizmente depois foi substituído por relíquias e pela adoração da hóstia.
            Na Alemanha empregava-se um burrico de madeira, sobre rodas, com a figura de Jesus montado em seu dorso, chamado Palmesel.
b) Quinta-Feira Santa: Início do Tríduo Pascal.
            A Quinta-feira Santa é o dia mais complexo do calendário Cristão. Na Igreja Antiga, neste dia combinavam três elementos importantes: a comemoração da última Ceia, a reconciliação dos penitentes e os vários ritos preparatórios para o batismo do Sábado Santo, especialmente a consagração dos óleos. Na época de Ambrósio (340-397 d.C.) praticava-se o Lava-pés em Milão no Sábado Santo, contudo, esta celebração foi originalmente realizada na Quinta-feira. A Igreja do II século celebrava a primeira Santa Ceia da Semana Santa neste dia.

c) Sexta-feira da Paixão
            As duas características mais marcantes da liturgia da Sexta-feira Feira da Paixão no Ocidente era a veneração da Cruz e a comunhão do sacramento reservado, também chamada de Missa dos Pré-Santificados. Era costume, nos dias de semana, quando não havia celebração da Missa, ter a comunhão nas casas a partir do sacramento reservado. Não se sabe exatamente quando o costume passou das casas para as igrejas, mas a mais antiga evidência documentada situa-se no começo do século sétimo em Constantinopla.

d) Sábado Santo e Vigília da Páscoa
            A característica mais antiga do Sábado Santo era o jejum total. Era um dia considerado a-liturgico por excelência: nele não se celebrava a Santa Ceia nem nas Igrejas do oriente nem nas Igrejas do Ocidente.
            Neste dia dava-se início a uma grande vigília que durava a noite inteira com cânticos, leituras e orações. Em algumas igrejas eram celebradas reuniões de oração que começavam na parte da tarde e ia até o outro dia.
            Agostinho dizia que esta era a mãe de todas as vigílias. 23 sermões de Agostinho que sobreviveram até aos nossos dias, foram pregadas nas vigílias pascais.
            Ao longo do tempo, a vigília do Sábado Santo ganhou três propósitos: O batismo dos Catecúmenos, a iluminação e bênção do Círio Pascal (a maior vela da Igreja) e a bênção do fogo novo.
            A véspera da Páscoa já era considerada tempo por excelência para o batismo nos dias de Tertuliano (160-220 d.C.), mas foi apenas no quarto século que o número de batizados de adultos aumentou. Neste dia também se celebravam a bênção da Pia Batismal, onde as pias eram consagradas.


II. As Orações da Semana Santa.
            O Livro protestante do século XVI conservou importantes orações para a Semana Santa:
            RAMOS – Domingo pela manhã - "Onipotente e Eterno Deus, de tal modo amaste o mundo, que enviaste teu Filho, nosso Salvador Jesus Cristo, para tomar sobre si a nossa carne e sofrer morte na cruz, dando ao gênero humano exemplo de sua profunda humildade; concede, em tua misericórdia, que imitemos a sua paciência no sofrimento e possamos participar também de sua ressurreição; mediante o mesmo Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém."
            DOMINGO DA PAIXÃO - Domingo a Noite - "Deus Todo-poderoso, o teu Filho querido não ascendeu à alegria sem que primeiro sofresse a dor, nem entrou na glória sem ser crucificado; concede-nos misericordioso que, andando nós no Caminho da Cruz, nele encontremos a vida e a paz. Mediante Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém".
            SEGUNDA-FEIRA SANTA - "Onipotente Deus, cujo Filho muito amado não gozou perfeita alegria, senão após o sofrimento, e só subiu à glória depois de crucificado; concede-nos misericordioso que, seguindo o caminho da cruz, seja este para nós vereda de vida e paz; por Jesus Cristo, teu Filho, nosso Senhor, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém".
            TERÇA-FEIRA SANTA - "Ó Deus, que pela paixão de teu bendito Filho, fizeste com que o instrumento da morte vergonhosa se tornasse para nós símbolo de vida; concede que nos glorifiquemos na cruz de Cristo, a fim de que alegremente suportemos infâmias e privações, por amor de teu Filho, nosso Salvador Jesus Cristo, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém".
            QUARTA-FEIRA SANTA - "           Ó Senhor Deus, cujo bendito Filho, nosso Salvador Jesus Cristo, teve o seu corpo torturado e seu rosto cuspido; concede-nos a graça de enfrentar com esperança os sofrimentos deste tempo e de confiar na glória que há de ser revelada; por Jesus Cristo teu Filho, nosso Senhor, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém".
            QUINTA-FEIRA SANTA - "            Ó Pai Onipotente, cujo amado Filho, na noite anterior à sua paixão, instituiu o Sacramento do seu Corpo e Sangue; concede-nos, misericordioso, que dele participemos agradecidos, em memória daquele que nestes santos mistérios nos dá o penhor da vida eterna, teu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém".
            SEXTA-FEIRA SANTA- "Deus Onipotente, nós te suplicamos olhes com misericórdia para esta família que é tua, e pela qual nosso Senhor Jesus Cristo não hesitou em entregar-se, traído, às mãos de homens iníquos, e sofrer morte de cruz; o qual vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém".
            "Onipotente e Eterno Deus, que por teu Espírito governas e santificas todo o corpo da Igreja; recebe as súplicas e orações que por todos os seus membros te oferecemos, para que estes, na sua vocação e ministério, te sirvam com verdadeira piedade e devoção; mediante nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém".
            SÁBADO SANTO PELA MANHÃ - "Ó Deus, Criador do céu e da terra; concede que, assim como o corpo crucificado de teu amado Filho foi colocado no túmulo e descansou neste sábado santo, também sepultados com Ele aguardemos o terceiro dia e com Ele ressuscitemos para uma vida nova; o qual vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.
            VIGÍLIA PASCAL - “Senhor Deus, Tu fizeste resplandecer esta noite com a glória da ressurreição de Cristo; faz com que a sua luz brilhe na tua Igreja para que sejamos renovados no corpo e na alma e nos entreguemos plenamente ao teu serviço. Amém.

III. Leituras do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor
            Is 50.4-7. Isaías profetiza a dor e o sofrimento do Senhor. O sofrimento de Jesus só foi possível ser suportado por causa da ajuda de Deus. O Pai ajuda o filho a sofrer em nosso lugar.
            Sl 22. O Salmo 22 profetiza a dor da cruz. É o Salmo que Jesus citou na Cruz: "Meu pai porque me desamparaste". Profetiza detalhadamente a dor do Senhor para nos trazer a salvação.
            Fl 2.6-11. Paulo aos filipenses lembra a humildade do Senhor que sendo Deus não usurpou em ser igual a Deus, mas foi obediente até a morte e morte de cruz. Por isso o Senhor lhe deu um nome que está acima de todos os nomes. A morte do Senhor é fruto de sua obediência e amor.
            Lc 19.29-44. Este texto de Lucas é ligo no início do processional de Ramos. Relata a entrada triunfal do Senhor Jesus de Betfagé até Jerusalém. Jesus entra e é saudado como Rei dos Judeus. A ele as pessoas pedem "Hosana" que significa "Salva-nos".
            Lc 22.14-23, 53. O Evangelho lido é a instituição da Santa Ceia. Jesus agora fará a nova aliança no seu sangue. Inaugura com sua morte a nova dispensação. Vivemos hoje na dispensação da graça que nos acolhe e nos salva.

Conclusão:
            Esta semana é grande. É o coração da liturgia da Igreja. Preparamo-nos durante a Quaresma para chegar a esta semana com o coração aberto e refletir sobre a misericórdia e o amor do Senhor.
            Para estes dias serem completos necessitam de tempo, oração e silêncio.
            Faça diariamente seu Retiro espiritual e aproveite a Semana Santa para viver a espiritualidade da nossa salvação em Cristo.

quarta-feira, 13 de março de 2013


5º Domingo da Quaresma – ANO C
O Acolhimento e Perdão do Senhor
Rev. Edson Cortasio Sardinha

 

Estamos entrando na última Semana da Quaresma. Na próxima semana estaremos iniciando a Semana Santa com o Domingo de Ramos.
O Quinto Domingo da Quaresma do Ano C sempre irá falar do Deus que ama e cujo amor nos desafia a ultrapassar as nossas escravidões para chegar à vida nova, à ressurreição.
O Evangelho diz-nos que, na perspectiva de Deus, não são o castigo e a intolerância que resolvem o problema do mal e do pecado; só o amor e a misericórdia geram ativamente vida e fazem nascer o homem novo. É esta lógica – a lógica de Deus – que somos convidados a assumir na nossa relação com os irmãos e irmãs.

Leituras do 5º Domingo da Quaresma – Ano C

A primeira leitura é Isaías 43.16-21. Apresenta-nos o Deus libertador, que acompanha com solicitude e amor a caminhada do seu Povo para a liberdade. Esse “caminho” é o paradigma dessa outra libertação que Deus nos convida a fazer neste tempo de Quaresma e que nos levará à Terra Prometida onde corre a vida nova.
Deus faz coisas novas. Ele diz: 18 - Não vos lembreis das coisas passadas, nem considereis as antigas. Somos convidados a perceber a novidade de Deus. Deus colocará águas no deserto e trará alegria ao povo. Esta alegria é a salvação em Cristo efetuada em sua morte e ressurreição.

O Cântico responsorial é o Salmo 126. Este salmo fala de restauração. Celebra a restauração realizada no passado e solicita nova restauração para o presente. É uma afirmação de fé de que aquele que semeia com  choro, colherá com alegria.
Jesus semeou vida na cruz do calvário e colheu vitória em sua ressurreição. A quaresma é o tempo que nos prepara para este caminho de transformação espiritual e restauração.

A Segunda leitura é Filipenses 3.8-14. É um desafio a libertar-nos do “lixo” que impede a descoberta do fundamental: a comunhão com Cristo, a identificação com Cristo, princípio da nossa ressurreição. Paulo considerava tudo como perda por causa de sua intimidade com Cristo. O desejo de Paulo é (10) “conhecer o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte; (11)   para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos”. Paulo avança para Cristo e nos convida nesta quaresma a avançar para a vida em santidade.

O Evangelho é João 8.1-11. Jesus perdoa uma mulher pega em adultério e diz: Vá e não peques mais. O Senhor ministra a restauração da santidade em sua vida.
O Site dos Dehoinianos da Província portuguesa tem uma excelente reflexão sobre o Evangelho deste 5º Domingo da Quaresma:
“...os esquemas de Deus são diferentes dos esquemas da Lei, Jesus fica em silêncio durante uns momentos e escreve no chão, como se pretendesse dar tempo aos participantes da cena para perceber aquilo que estava em causa. Finalmente, convida os acusadores a tomar consciência de que o pecado é uma consequência dos nossos limites e fragilidades e que Deus entende isso: “quem de vós estiver sem pecado, atire a primeira pedra”. E continua a escrever no chão, à espera que os acusadores da mulher interiorizem a lógica de Deus – a lógica da tolerância e da compreensão. Quando os escribas e fariseus se retiram, Jesus nem sequer pergunta à mulher se ela está ou não arrependida: convida-a, apenas, a seguir um caminho novo, de liberdade e de paz (“vai e não tornes a pecar”). A lógica de Deus não é uma lógica de morte, mas uma lógica de vida; a proposta que Deus faz aos homens através de Jesus não passa pela eliminação dos que erram, mas por um convite à vida nova, à conversão, à transformação, à libertação de tudo o que oprime e escraviza; e destruir ou matar em nome de Deus ou em nome de uma qualquer moral é uma ofensa inqualificável a esse Deus da vida e do amor, que apenas quer a realização plena do homem. O episódio põe em relevo, por outro lado, a intransigência e a hipocrisia do homem, sempre disposto a julgar e a condenar… os outros. Jesus denuncia, aqui, a lógica daqueles que se sentem perfeitos e autossuficientes, sem reconhecerem que estamos todos a caminho e que, enquanto caminhamos, somos imperfeitos e limitados. É preciso reconhecer, com humildade e simplicidade, que necessitamos todos da ajuda do amor e da misericórdia de Deus para chegar à vida plena do Homem Novo. A única atitude que faz sentido, neste esquema, é assumir para com os nossos irmãos a tolerância e a misericórdia que Deus tem para com todos os homens. Na atitude de Jesus, torna-se particularmente evidente a misericórdia de Deus para com todos aqueles que a teologia oficial considerava marginais. Os Pecadores públicos, os proscritos, os transgressores notórios da Lei e da moral encontram em Jesus um sinal do Deus que os ama e que lhes diz: “Eu não te condeno”. Sem excluir ninguém, Jesus promoveu os desclassificados, deu-lhes dignidade, tornou-os pessoas, libertou-os apontou-lhes o caminho da vida nova, da vida plena. A dinâmica de Deus é uma dinâmica de misericórdia, pois só o amor transforma e permite a superação dos limites humanos. É essa a realidade do Reino de Deus”.

Conclusão:
            Quaresma é um tempo de renovo e restauração. É uma campanha de oração e preparação para a Santa Páscoa do Senhor. Que esta última Semana da Quaresma possa nos ajudar a viver plenamente a realidade da Paixão e ressurreição do Senhor.

quarta-feira, 6 de março de 2013

IV Domingo da Quaresma: “Domingo Laetare”
O Pai das Misericórdias
Rev. Edson Cortasio Sardinha

 

            A Quaresma é uma caminhada de contrição, jejum e oração. Um período de preparação espiritual para a Semana Santa.
A cor desse período é o roxo, mas no decorrer da Quaresma temos um momento de júbilo, onde a cor litúrgica passa do roxo para o rosa. É o chamado “Domingo Laetare”, ou “Domingo da Alegria”, ou ainda “Domingo das Rosas”.
             O IV Domingo da Quaresma recebeu estes nomes porque assim começava a Antífona de Entrada da Santa Ceia: “Laetare, Ierusalem, (“Alegrai-vos, Jerusalém, reuni-vos, todos que a amais; regozijai-vos com alegria, vós que estivestes na tristeza; exultai e sereis saciados com a consolação que flui de seu seio”, Isaías 6. 10-11).
            A cor litúrgica passa do roxo para o rosa para representar a alegria pela proximidade da Páscoa.
            Este domingo, como já foi dito, já foi chamado também de “Domingo das Rosas”, pois, na antiguidade, os cristãos costumavam se presentear com rosas no quarto domingo da quaresma. No século X surgiu a tradição da “Bênção da Rosa” onde o Papa passou a dar uma rosa de ouro às pessoas consideradas importantes para a Igreja Católica. Esta tradição permanece até hoje.

As leituras do Quarto domingo da Quaresma

Primeira Leitura:     A primeira leitura é Josué 5.9-12. Deus fala com Josué para preparar a grande celebração da Páscoa. O Povo estava agora na Terra Prometida e iria iniciar a festividade da lembrança do livramento. O Deus da misericórdia libertou o povo e sustentou no deserto. Agora o povo iria celebrar a Ação do Senhor, o Pai das Misericórdias.

Cântico Responsorial:
O Cântico Responsorial é o Salmo 34. O Salmista bendiz ao Senhor, pois Deus o respondeu quando este lhe procurou. Deus o libertou da ansiedade. Ele procurou o Senhor e este o livrou de todas as suas angústias. É uma Celebração ao Pai das Misericórdias.

Segunda leitura:
A Segunda Leitura é 2 Cor 5,17-21. Paulo escreve aos Coríntios dizendo que “Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. As coisas antigas passaram; tudo foi renovado”. Somos reconciliados com Deus através de Cristo.  Em Cristo herdamos o ministério da reconciliação com o Pai. Jesus toma o nosso pecado e nos dá sua justiça. Agora temos a reconciliação com o Pai das Misericórdias através do Filho Jesus.

Terceira Leitura:
            A terceira Leitura é Lucas 15. No início do capítulo o Senhor Jesus está acolhendo publicanos e pecadores que vieram para lhe ouvir. Com esta atitude acolhedora e inclusiva de Jesus, os fariseus e escribas começaram a murmurar dizendo: "Este recebe pecadores e come com eles" (2). Jesus apresenta três parábolas para mostrar a alegria de Deus em acolher o perdido. Deus é o Pai das Misericórdias. No Evangelho de Lucas temos três parábolas com a mesma aplicação: a alegria de Deus com o retorno do pecador - parábolas da ovelha perdida, a dracma perdida e o filho perdido. É o Pai das Misericórdias que acolhe seu filho e lhe dá a nova chance do recomeço.

Conclusão:
            Este é o “Domingo Laetare”, o domingo da Alegria. Alegramo-nos pela acolhida que o Pai das Misericórdias. Somos amados e restaurados em Cristo. Nós preparamos para a alegria da Páscoa. 
            A grande felicidade da quaresma é a reconciliação. Mas muitas vezes não nos lembramos desta graça e nossa vida se entristece novamente. Como diz João-Maria Vianney (1786-1859), presbítero, Cura de Ars , no 1º sermão sobre a misericórdia de Deus:

“Ó meu Deus, como é terrível o pecado! Como é possível que o cometamos? Mas, por muito miseráveis que sejamos, desde que tomemos a resolução de nos convertermos, [...] as Suas entranhas de misericórdia são tocadas pela compaixão. Esse terno Salvador corre com a Sua graça ao encontro dos pecadores, abraça-os, favorecendo-os com as consolações mais deliciosas. [...] Que momento delicioso! Como seríamos felizes se tivéssemos a felicidade de o compreender! Mas, infelizmente, não correspondemos à graça e por isso esses momentos felizes desaparecem”.
            Por isso devemos lembrar sempre: Somos filhos e filhas do Pai das Misericórdias.


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013


3º Domingo da Quaresma
A Espiritualidade do Arrependimento
Rev. Edson Cortasio Sardinha


A Quaresma é uma caminhada espiritual. Uma oportunidade para toda a Igreja fazer um Retiro de Silêncio, oração, santidade e Jejum. No 3º Domingo da Quaresma do ano C, o tema é o Arrependimento.
A conversão só é possível mediante o sincero arrependimento.
A espiritualidade deste domingo nos revela que a Quaresma é uma caminhada possível pelo caminho do arrependimento e contrição.
O Livro de Oração Comum nos ensina a orar dizendo:
“Ó Deus, que sabes quão frágeis somos, guarda-nos a nós, teus servos, defendendo exteriormente nossos corpos de toda a adversidade e purificando interiormente nossas almas de todo mau pensamento; por Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém”.

Leituras do III Domingo da Quaresma:

A primeira leitura é Ex 3.1-8, 13-15.
Este texto fala do encontro de Moisés com Deus no Monte Horebe. Deus aparece num fogo e para falar com Moisés exige santidade: (5) “Não te chegues para cá; tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa”. Deus lembra Moisés da Aliança e diz ter visto a aflição do povo Hebreu no Egito. Deus convoca-o para ser o libertador. Moisés inicia seu trabalho de renuncia ao chamado de Deus. Mas o Senhor diz: “Eu serei contigo; e este será o sinal de que eu te enviei: depois de haveres tirado o povo do Egito, servireis a Deus neste monte”. Deus se apresenta como o grande EU SOU. O Deus eterno.
Deus nos chama para uma grande missão. Esta grande missão tem início com o arrependimento e o reconhecimento da santidade de Deus.

O Cântico Responsorial é o Sl 103.
O Salmista inicia bendizendo ao Senhor. O Senhor é apresentado como aquele que “perdoa todas as tuas iniquidades; quem sara todas as tuas enfermidades”.(3). A ação de Deus é fazer justiça ao oprimido. Ele (7) “Manifestou os seus caminhos a Moisés e os seus feitos aos filhos de Israel”. O tema é a misericórdia do Senhor (8). “Mas a misericórdia do SENHOR é de eternidade a eternidade, sobre os que o temem, e a sua justiça, sobre os filhos dos filhos” (17). O Salmo termina convidado a congregação a louvar o Senhor.
O Deus rico em misericórdia espera o nosso arrependimento para restaurar nossas feridas e perdoar nossas iniquidades.

A segunda leitura é I Co 10.1-12.
Paulo relata a experiência do povo de Deus no deserto na época de Moisés. O povo teve grande experiência com Deus, (5) “Entretanto, Deus não se agradou da maioria deles, razão por que ficaram prostrados no deserto”. Paulo diz que “(6)   ...estas coisas se tornaram exemplos para nós, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram”. Paulo fala do pecado da idolatria, imoralidade, tentar a Deus e a murmuração. Paulo diz que (11) “ Estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado”. Por isso “(12) Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia”.
O único caminho para permanecer em pé é o caminho do arrependimento.

O Evangelho proclamado é Lc 13.1-9.
Alguns homens chegam para Jesus e falam a respeito dos galileus que foram mortos por Pilatos quando ofereciam sacrifícios a Deus. Jesus interrompe dizendo: (2) “Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem padecido estas coisas?” Jesus afirma que todos necessitam de arrependimento. O Senhor fala sobre os dezoito homens que morreram no desabamento de uma Torre em Siloé e afirma: eles não eram mais pecadores. Todos necessitam de arrependimento para não sofrer de igual maneira.
No final o Senhor pronuncia uma parábola sobre a situação de uma figueira que não produzia frutos. O cuidador pede mais tempo para trata-la e se não corresponder ao tratamento, permitirá que a mesma seja arrancada. O Deus misericordioso, em Cristo, trabalha para restaurar nossas vidas. A ação de Deus aguarda nossa resposta através dos frutos do arrependimento.

Conclusão:
Quaresma é um convite a renovação espiritual e ao arrependimento: Esta é a reflexão do religioso Roberto Nentwig: “Estamos no tempo da Quaresma, tempo de cultivar o dom da conversão. Trata-se de um processo que percorre toda a nossa vida. Seguimos a existência procurando nos configurar cada vez mais a Cristo, para sermos como Ele, tendo os seus sentimentos e atitudes, até que tenhamos a estatura do homem perfeito, como nos diz São Paulo em sua carta aos Efésios. Deus na sua bondade é paciente em aguardar a nossa conversão. Poderia nos arrancar e queimar, mas não é o deus da punição, e sim o Deus amor. Mesmo que mereçamos tal sorte, Ele nos diz; “Vou dar mais uma oportunidade; virei em outra ocasião para colher os frutos”. Temos neste tempo mais uma oportunidade. Que frutos o Senhor encontrará?”       (catequeseebiblia.blogspot.com.br).




Segundo Domingo da Quaresma: A Oração que Transfigura
Rev. Edson Cortasio Sardinha


            No dia 14 de julho de 2012 estava com a família na Terra Santa, na Galiléia, na cidade de Tiberíades. Era um Sábado, dia santo dos Judeus. A cidade estava totalmente parada. Marisa, minha esposa, estava completando seus 43 anos de vida. Pela manhã tivemos a alegria de visitar o Monte Tabor. Pela tradição este monte foi o local da transfiguração. Ali foi construída uma bela igreja e várias capelas para adoração ao Senhor Jesus. É uma montanha linda a 660 km acima do nível do mar. Este local aponta para o mistério do segundo Domingo da Quaresma: A Transfiguração do Senhor.
            No primeiro domingo meditamos sobre a tentação que o Senhor sofreu no deserto. Agora estaremos meditando sobre a  experiência no Monte.
            "Depois da experiência no deserto, temos a experiência na Montanha" (Alberto Beckhãuser).

I. A Oração do II Domingo da Quaresma
            Para este dia o Livro de Oração Comum  nos ensina a clamar a Deus dizendo: "Ó Deus, cuja glória é sempre ser misericordioso, sê benigno para com todos os que se afastaram dos teus caminhos, conduze-os de novo a ti, com corações arrependidos e viva fé, para que se firmem na verdade imutável da tua Palavra, Jesus Cristo, teu Filho, que, contigo e com o Espírito Santo, vive e reina, um só Deus, agora e sempre. Amém".

II. As Leituras do II Domingo da Quaresma
            As leituras do Lecionário Comum nos convida a vida de oração que Transfigura: Gn 15.5-12,17-18 / Sl 27 / Fl 3.17-4.1 / Lc 9.28-36.
            Na primeira Leitura (Gn 15.5-12,17-18 ) Deus promete a Abraão descendência numerosa como as estrela.  Abraão creu no Senhor, e isso lhe foi imputado para justiça.
            Para certificar Abraão do cumprimento da promessa, Deus exige sacrifício. Abraão prepara o sacrifício, Deus aceita com fogo e faz a aliança dizendo: "À tua descendência dei esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates".
            É na oração que Abraão tem sua grande experiência com Deus. No Monte da oração Deus faz Aliança com Abraão e promete prosperidade para sua descendência.
            O Cântico responsorial é o Salmo 27. O salmista inicia afirmando a confiança em Deus que afasta o medo (1-5). Fala de seu amor pela casa de Deus. Dos Tabernáculos de Deus vem a alegria e proteção (4-6). O Salmista pede socorro a Deus e livramento (7-12).Termina afirmando sua fé e esperança no Senhor (13-14).
            É na oração que o Salmista tem força para afirmar sua fé e confiança. A casa de Deus é lugar de Oração que trás força e coragem para enfrentar a vida.
            A segunda leitura é Filipenses 3.17 - 4.1. Paulo fala dos inimigos da Cruz de Cristo. São os falsos cristãos que se preocupam apenas com as coisas terrenas. O verdadeiro cristão tem seu tesouro no céu. Paulo orienta a Igreja fixar no Senhor e aguardar sua volta em glória. A igreja agora precisa permanecer "deste modo, firme no Senhor".
            É na Oração que encontramos forças para permanecer firmes no Senhor.
            O Evangelho aclamado é Lucas 9.28-36.  O Evangelho fala da experiência do Senhor no Monte. O Senhor sobe ao monte com o propósito de orar. Para a oração ele leva Pedro, João e Tiago. Na experiência da oração seu rosto "se transfigurou e suas vestes resplandeceram de brancura". Apareceram Moisés e Elias que "falavam da sua partida, que ele estava para cumprir em Jerusalém".   Pedro, diante da glória do Monte diz: "Mestre, bom é estarmos aqui; então, façamos três tendas: uma será tua, outra, de Moisés, e outra, de Elias". A grande experiência termina com a voz do Pai que diz: "Este é o meu Filho, o meu eleito; a ele ouvi".
            Com a Oração o Senhor é transfigurado. Subiu ao monte para orar e teve a experiência para preparar seus discípulos para a Semana Santa e a Páscoa (Morte e ressurreição).

Conclusão:
            Na Oração somos Transfigurados. Como escreveu o Frei Alberto Beckhãuser: "Somos convidados a sempre de novo mergulhar em Deus. Sentar-nos no alto do Tabor e ouvi a voz do Pai: Tu és meu Filho muito amado, tu és minha filha muito amada. Assim fortalecidos por momentos de Tabor, podemos descer à planície e acompanhar Jesus até o Monte do Calvário, onde a própria morte será transfigurada".