sexta-feira, 2 de março de 2012

Dia de João Wesley



Hoje é o dia da Morte de João Wesley.
A Igreja Anglicana no Livro de Oração Comum, no Capítulo Dias Santos e Festas Maiores tem a seguinte Oração para o Dia 02 de Março:

Dia 2  - João e Charles Wesley, reformadores    
Oração Comum dos reformadores
Recebe, Senhor, nós te rogamos, as preces da Tua Igreja, hoje quando nos lembramos de teu servo Wesley e de sua luta em favor do cristianismo reformado. Concede a nós a coragem deste irmão do passado para que lutemos com fé e coragem pela fé uma vez dada aos santos. Mediante Jesus Cristo, nosso Salvador. Amém.
Leituras: Ex 3:1-15; Salmo 31; Cl 3:12-17; Mt 12:46-50

Quem foi João wesley?
522 anos depois de Francisco, nasceu João Wesley.
Wesley viveu na Inglaterra do século XVIII, numa sociedade trasnformada e doente pela Revolução Industrial, onde crescia em muito o número de desempregados. A Inglaterra estava cheia de mendigos itinerantes, políticos corruptos, vícios e violência generalizada. O cristianismo, em todas as suas denominações, estava definhando e necessitava de uma Reforma. A Igreja estava em ruínas semelhante a igreja da época de Francisco.
Ao invés de influenciar o mundo, o cristianismo estava sendo influenciado pela sociedade pagã.João Wesley não se conformava com esse estado paralisante da religião cristã. Foi o décimo terceiro filho do ministro anglicano Samuel e de Susana Wesley. Nasceu a 17 de junho de 1703, em Epworth na Inglaterra.
Como já descrevemos, o pai de Francisco era um rico comerciante, pouco preocupado com a religião, apesar de ser católico praticante. Sua mãe, dona Pica, foi a grande influência na Vida de Francisco.
João Wesley, por sua vez, foi neto e filho de pobres pastores anglicanos. Mas devido às atividades pastorais do seu pai, Reverendo Samuel, Wesley não teve a devida assistência paterna. Susana, sua mãe, assumiu a administração financeira da família e a educação dos filhos e filhas. Disciplinava com rigidez os filhos, mantendo horário para cada atividade e reservando um tempo de encontro com cada filho para conversar, estudar e orar.
Tanto Francisco quanto Wesley tiveram como referência a influência cristã de suas mães. Mas Wesley teve, desde a infância, uma inclinação para a ação de Deus em sua vida.
Ainda na infância, João Wesley foi o último a ser salvo, de forma miraculosa, em um incêndio que destruiu toda sua casa, onde estivera preso no segundo andar. A partir desse dia, Susana, sua mãe, dedicou-lhe atenção especial, pois entendeu que Deus havia poupado sua vida para algo muito especial.
Aos cinco anos de idade, Susana Wesley começou a alfabetizar João, usando o livro dos Salmoscomo apostila. João estudou com sua mãe até os 11 anos. Entrou, então, para uma escola pública, onde ficou como aluno interno por seis anos. Aos 17 anos, foi para a Universidade de Oxford.
Em Oxford onde começa a se reunir com um grupo de estudantes para meditação bíblica e oração, sendo conhecidos pelos colegas universitários de "Clube Santo",
Wesley não inventou o nome Metodista. Os alunos de Oxford, notando que os membros do grupo tinham horário e método para tudo que faziam, os taxaram como "metodistas".
Neste grupo Wesley e seu irmão Carlos iniciaram um trabalho de visista e evangelismo nospresídios. Wesley passou então a se interessar mais pela questão social de seu país, ou seja, se voltou para a miséria que a Inglaterra vivia na época. Wesley graduou-se em Teologia, e ajudou seu pai na direção da Igreja Anglicana.
Com 32 anos, ouviu a necessidade de missionários na Virgínia, Nova Inglaterra. Foi aos EUA para "evangelizar os índios" sendo praticamente fracassado. Em sua viagem de retorno expressa sua frustração: "fui à América evangelizar os índios, mas quem me converterá?".
Durante uma tempestade na travessia do Oceano Atlântico, Wesley ficou impressionado com a espiritualidade de um grupo de morávios (grupo de cristãos pietistas que buscavam a conversão pessoal mediante o Espírito Santo) a bordo do navio. A fé que tinham diante do risco da morte (o medo de morrer acompanhava Wesley constantemente durante a sua juventude) predispôs Wesley à fé evangélica dos morávios. Retornou à Inglaterra em 1738.
Após 2 anos, volta desiludido com o trabalho realizado na Virgínia. Encontra-se, então, com Pedro Böhler, em Londres. Böhler era pastor moraviano (da MoráviaAlemanha) e com ele João Wesley se convence de que a fé é uma experiência total da vida humana.
Após esse encontro João Wesley procurou libertar-se da religião formalista e fria para viver, na prática, os ensinos de Jesus.
No dia 24 de maio de 1738, na rua Aldersgate, em Londres, numa pequena reunião, ouvindo a leitura de um comentário escrito por Martinho Lutero, sobre a carta aos Romanos, João sente seu coração se aquecer. Experimenta grande confiança em Cristo e recebe a segurança de que Deus havia perdoado seus pecados.
Nos 50 anos seguintes, Wesley pregou uma média de três sermões por dia; a maior parte ao ar livre. Houve uma vez que pregou a cerca de 14.000 pessoas. Milhares saíram da miséria e da imoralidade. João Wesley e seu irmão Carlos deram a religião cristã um novo sentido de alegria e vida.

Quaresma: Tempo de Oração Ardente


Quaresma é um ótimo tempo para Retiros Espirituais. A Quaresma nos fala de Oração e Contemplação.
São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero em Antioquia, depois bispo de Constantinopla, em suas “Homilias sobre a incompreensibilidade de Deus, n° 5” nos escreve sobre a Oração:
«Quem pede recebe»
A oração é uma arma poderosa, um tesouro indestrutível, uma riqueza inesgotável, um porto ao abrigo das tempestades, um reservatório de calma; a oração é a raiz, a fonte e a mãe de bens consideráveis. [...] Mas a oração de que falo não é medíocre nem negligente; é uma oração ardente, que brota do sofrimento da alma e do esforço do espírito. Eis a oração que sobe aos céus. [...] Escuta o que diz o escritor sagrado: «Ao Senhor, no meio da angústia, eu clamo e Ele me ouve» (Sl 119,1). Aquele que ora assim na sua angústia poderá, após a oração, desfrutar na sua alma de uma grande alegria. [...]
Por «oração» entendo não aquela que se encontra apenas na boca, mas a que brota do fundo do coração. Como as árvores cujas raízes estão profundamente enterradas não se quebram nem são arrancadas mesmo que os ventos desencadeiem mil assaltos contra elas, porque a suas raízes estão fortemente presas nas profundezas da terra, também as orações que vêm do fundo do coração, assim enraizadas, sobem ao céu com toda a segurança e não são desviadas por nenhum pensamento de falta de segurança ou de mérito. É por isso que o salmista diz: «Do fundo do abismo, clamo a vós, Senhor» (Sl 129,1). [...]
Se o facto de contares aos homens os teus infortúnios pessoais e descreveres as provações por que passaste traz algum alívio à tua desventura, como se através das palavras se exalasse uma brisa refrescante, com muito mais razão se falares ao Senhor dos sofrimentos da tua alma encontrarás consolo e conforto em abundância! De facto, muitas vezes os homens dificilmente suportam aqueles que vêm lamentar-se e chorar para o pé de si: afastam-se e repelem-nos. Mas Deus não age assim; pelo contrário, Ele faz com que te aproximes e abraça-te; e mesmo que passes o dia inteiro a narrar os teus infortúnios, ficará ainda mais disposto a amar-te e a acolher favoravelmente as tuas súplicas.

Quaresma: Tempo favorável


É difícil para alguns protestantes entenderem o que é Quaresma. Quaresma é o tempo de pararmos e recordarmos o dia da nossa conversão. É também o tempo para perguntarmos: Será que não preciso me converter de verdade? O que está faltando em minha conversão? Quais são as áreas da minha vida que ainda não foram convertidas?
A Quaresma é «tempo favorável» para a confissão e o perdão, antes de nos aproximarmos do altar do Senhor.
São Cirilo de Jerusalém (313-350), bispo de Jerusalém, em sua Catequese para o Batismo, nº 1, escreve:
É agora o tempo da confissão. Confessa os teus pecados de palavra e de ação, os da noite e os do dia. Confessa-os neste «tempo favorável» e, no «dia da salvação» (Is 49,8; 2Co 6,2), recebe o tesouro celeste. [...] Deixa o presente e crê no futuro. Andaste tantos anos sem parares os teus trabalhos vãos aqui da terra, e não podes parar quarenta dias para te ocupares do teu próprio fim? «Parai! Reconhecei que Eu sou Deus», diz a Escritura (Sl 46,11). Renuncia ao chorrilho de palavras inúteis, não digas mal nem escutes o maldizente, mas dispõe-te desde já a orar. Mostra, na ascese, o fervor do teu coração; purifica esse receptáculo, para receberes uma graça mais abundante. Porque a remissão dos pecados é dada de modo igual a todos, mas a participação no Espírito Santo é concedida segundo a medida da fé de cada um. Se não te esforçares, recolhes pouco; se te esforçares muito, grande será a tua recompensa. És tu próprio que estás em jogo; vela pelos teus interesses.
Se tens um agravo contra alguém, perdoa-lhe. Acabas de receber o perdão dos teus pecados; impõe-se, portanto, que também perdoes o pecador, senão como dirás ao Senhor: «perdoa-me os meus muitos pecados», se tu próprio não perdoares ao teu companheiro de trabalho algumas faltas que tenha cometido contra ti? (cf Mt 18,23ss).

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A Quaresma do Senhor Jesus: Comentário de Orígenes



A Tentação de Jesus - Imagem do Site: http://domvob.wordpress.com/
 
No primeiro domingo da Quaresma lemos o Evangelho que fala da Tentação do Senhor Jesus.
O Senhor Jesus passou uma quresma de oração e jejum. Hoje também somos convidados a viver a vida de Jejum e preparação para a grande manifestação de Jesus.
Orígenes (c. 185-253), presbítero e teólogo. No seu “Comentário sobre o Cântico dos Cânticos”, III, 27-33, fala sobre a Tentação sofrida pelo Senhor Jesus.
Este texto de Orígenes nos auxilia na caminhada quaresmal.
Assim diz Orígenes:
“A vida dos mortais está cheia de armadilhas que nos fazem tropeçar, está cheia de redes de enganos [...]. E como o inimigo teceu essas redes por todo o lado, e nelas apanhou quase todos os homens, era necessário que aparecesse Alguém mais forte para as dominar, as romper, e para trilhar o rumo àqueles que O seguissem. Eis porque, antes de vir unir-se à Igreja como Sua esposa, também o Salvador foi tentado pelo diabo. [...] Ensinava desta maneira à Igreja que não seria por ociosidade e prazer, mas através de provações e tentações, que ela haveria de chegar a Cristo. Mais ninguém poderia, de facto, triunfar daquelas teias. Porque «todos pecaram», como está escrito (Rm 3, 23) [...]; Nosso Senhor e Salvador Jesus foi o único que «não cometeu pecado» (1Pe 2,22). Mas o Pai «O fez pecado por nós» (2Co 5,21). [...] «De facto, Deus fez o que era impossível à Lei, por estar sujeita à fraqueza da carne: ao enviar o Seu próprio Filho, em carne idêntica à do pecado e como sacrifício de expiação pelo pecado, condenou o pecado na carne» (Rm 8,3). Jesus entrou portanto naquelas teias, mas foi o único a não ficar nelas enleado. Mais ainda, tendo-as rompido e rasgado, deu confiança à Igreja, de tal forma que ela ousou, a partir de então, calcar aos pés as armadilhas, libertar-se das teias, e dizer cheia de alegria: «A nossa vida escapou como um pássaro do laço de caçadores; rompeu-se o laço e nós libertámo-nos» (Sl 123,7).  Também Ele sucumbiu à morte, mas voluntariamente e não, como nós, pela sujeição do pecado. Porque Ele foi o único a ter sido libertado de «entre os mortos» (Sl 87,6, LXX). E porque estava livre entre os mortos, venceu «aquele que tinha o poder da morte, isto é, o diabo» (Heb 2,14) e levou-lhe os «cativos em cativeiro» (Ef 4,8) que estavam prisioneiros na morte. Não só Ele próprio ressuscitou dos mortos, como, simultaneamente, «nos ressuscitou e nos sentou no alto do Céu, em Cristo» (Ef 2,5ss); «ao subir às alturas, levou cativos em cativeiro» (Ef 4,8)”.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Quaresma: Orientações de São Cirilo de Jerusalém

São Cirilo de Jerusalém (313-350), bispo de Jerusalém, em seu escrito Catequeses baptismais, n°1, orienta os catecúmenos que estavam no jejum da Quaresma aguardando o Santo Batismo que ocorria sempre no domingo de Páscoa.

São Cirilo exorta:

"Vós sois catecúmenos, sois aqueles que se preparam para o baptismo, discípulos da Nova Aliança e já participantes dos mistérios de Cristo, pelo chamamento e também pela graça. Foi-vos dado «um coração novo e um espírito novo» (Ez 18,31), para alegria dos habitantes dos céus. Se efectivamente, de acordo com o Evangelho, a conversão de um só pecador provoca esta alegria (Lc 15,7), quanto mais a salvação de tantas almas não incitará ao júbilo dos habitantes dos céus?       Empreendestes uma boa e muito bela viagem: aplicai-vos a percorrer o caminho com fervor. O Filho Único de Deus está pronto a resgatar-vos: «Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos» (Mt 11,28). Vós que soçobrais sob o pecado, presos pelas cadeias das vossas faltas, ouvi o que diz a voz de um profeta: «Lavai-vos, purificai-vos, tirai da frente dos meus olhos a malícia das vossas acções» (Is 1,16), para que o coro dos anjos vos apregoe: «Feliz aquele a quem é perdoada a culpa e absolvido o pecado» (Sl 31,1) Vós que acabais precisamente de acender as lâmpadas da fé, que as vossas mãos diligentes guardem a chama, de modo que Aquele que, na nossa santíssima colina do Gólgota, abriu pela fé o paraíso ao ladrão (Lc 23,43), vos conceda cantar o cântico nupcial.    Se alguém é escravo do pecado, que se prepare, através da fé batismal, para o novo nascimento que fará dele um homem livre, um dos filhos de adoção. Que abandone a lamentável escravidão dos seus pecados para adquirir a bem-aventurada escravidão do Senhor. [...] Adquiri pela fé «os primeiros dons do Espírito Santo» (2Co 5,5) a fim de poderdes ser recebidos na morada eterna; recebei o sacramento que vos marcará, tornando-vos íntimos do Mestre.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Quaresma: O Início do Ciclo da Pascal

Quaresma: O Início do Ciclo da Pascal
Minha casa já está decorada para a Quaresma. Prevalece a cor roxa. É um período de jejum em família. Um momento muito rico para a nossa espiritualidade. Parece que vivemos o período litúrgico em nosso próprio corpo. Tudo muda. A partir da quarta-feira de cinzas tem início uma preparação para a Semana Santa. Tento viver cada período litúrgico celebrado pela Igreja.
Leio com a família o livro mais amado por Wesley depois da Bíblia: O Livro de Oração Comum. Na quarta-feira de Cinzas somos convidados a orar:

Onipotente e Eterno Deus, que amas tudo quanto criaste, e que perdoas a todos os penitentes; cria em nós corações novos e contritos, para que, lamentando deveras os nossos pecados e confessando a nossa miséria, alcancemos de ti, Deus de suma piedade, perfeita remissão e perdão; por nosso Senhor Jesus Cristo, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém
No primeiro domingo da Quaresma, na oração em família dizemos:
Onipotente Deus, cujo bendito Filho foi conduzido pelo Espírito para ser tentado pelo demônio, apressa-te em socorrer a nós, que somos assaltados por muitas tentações, nós te rogamos. E, assim como conheces as fraquezas de cada um de nós, permite que cada qual encontre em ti o poder de salvação. Por Jesus Cristo teu Filho, nosso Senhor, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.
            Na verdade este não é um caminho criado por minha família. A Igreja Metodista caminha em torno de dois Ciclos litúrgicos. O Ciclo do Natal e o Ciclo Pascal. Cada Ciclo tem quatro celebrações litúrgicas. No Ciclo do Natal celebramos: Advento (quatro domingos antes do natal); Natal (nascimento de Cristo); Epifania (Manifestação do Senhor – Segundo domingo depois do Natal) e Batismo do Senhor.
No Ciclo Pascoal celebramos: Quaresma (da quarta-feira de Cinzas até o Domingo de Ramos); Semana Santa; Páscoa e Pentecostes.
Entre um ciclo e outro a Igreja Anuncia o Reino e Celebra o Reino através do Tempo Comum (geralmente o Tempo comum são 34 semanas).
Através dos períodos litúrgicos, celebramos o Mistério de Deus: Cristo Jesus.
A Quaresma abre o Ciclo Pascal. O Centro do Culto é a ressurreição do Senhor Jesus. A Quaresma é uma longa caminhada de Exercícios espirituais. Jejum, orações, leituras bíblicas, cânticos sobre conversão e arrependimento. É um tempo no Kairós de Deus para refazermos interiormente.
O Evangelho de São Marcos Mc 1.13 diz que o Senhor permaneceu quarenta dias sendo tentado por Satanás. O deserto do Senhor Jesus durou uma quaresma. Assim também Moisés ficou no monte do Senhor uma quaresma. Elias caminhou uma Quaresma até ter um encontro com Deus (I Reis 19.8). O povo de Israel caminhou quarenta anos no deserto. Jonas pregou que em quarenta dias Deus iria destruir Nínive (Jonas 3.1-10).
O número quarenta simboliza tempo de tentação, provação, sofrimento, arrependimento e preparação.
No início do terceiro século o batismo ocorria somente no domingo de Páscoa. Os catecúmenos (neófitos) ficavam em jejum e oração durante 40 dias em preparação para o santo batismo. Esta campanha de oração passou a ser praticada por toda a igreja, pois o Batismo estava associado a Páscoa.
A celebração da Páscoa era um grande culto a Deus que durava toda a noite pascal. Era considerada a mãe de todas as vigílias por Santo Agostinho. Temos mais de 20 sermões de Santo Agostinho pregados na Vigília Pascal.
Esta santa vigília tinha como preparação necessária a Quaresma. Era uma forma de acompanhar Jesus pelo deserto. Ter experiências com Deus no deserto. Para este período Inácio de Loyola escreveu o livro “Exercícios Espirituais”. Até hoje este livro é a base para os Retiros Quaresmais de muitas igrejas protestantes e católicas.
            São Gregório Magno (c. 540-604), em sua “Homilias sobre os evangelhos”, nº 16 pregou sobre o início da Quaresma:
“Iniciamos hoje os santos quarenta dias da quaresma, e convém-nos examinar atentamente por que razão esta abstinência é observada durante quarenta dias. Moisés, para receber a Lei pela segunda vez, jejuou quarenta dias (Gn 34,28). Elias, no deserto, absteve-se de comer durante quarenta dias (1Rs 19,8). O Criador dos homens, ao vir para o meio dos homens, não tomou qualquer alimento durante quarenta dias (Mt 4,2). Esforcemo-nos também nós, tanto quanto nos for possível, por refrear o nosso corpo pela abstinência neste tempo anual dos santos quarenta dias [...], a fim de nos tornarmos, segundo a palavra de Paulo, «uma hóstia viva» (Rom 12,1). O homem é, ao mesmo tempo, uma oferenda viva e imolada (cf Ap 5,6) quando, sem deixar esta vida, faz morrer nele os desejos deste mundo. Foi a satisfação da carne que nos levou ao pecado (Gn 3,6); que a carne mortificada nos leve ao perdão. O autor da nossa morte, Adão, transgrediu os preceitos de vida comendo o fruto proibido da árvore. É por conseguinte necessário que nós, que fomos privados das alegrias do Paraíso pelo alimento, nos esforcemos por reconquistá-las pela abstinência. Mas ninguém suponha que esta abstinência é suficiente. O Senhor disse pela boca do profeta: «O jejum que Eu aprecio é este, [...] repartir o teu pão com o esfomeado, dar abrigo aos infelizes sem asilo, vestir o nu, e não desprezar o teu irmão» (Is 58,6-7). Eis o jejum que Deus aprova [...]: um jejum realizado no amor ao próximo e impregnado de bondade. Prodigaliza pois aos outros daquilo que retiras a ti próprio; assim, a tua penitência (arrependimento) corporal permitir-te-á cuidar do bem-estar físico do teu próximo em necessidade”.

Para Gregório a Quaresma era tempo de Jejum e tempo de caridade. Tempo de se abrir o coração para auxiliar na necessecidade do outro. Tempo de reflexão que me leva ao encontro do outro e no outro sirvo a Deus.
Um feliz e santa Quaresma.
Rev. Edson Cortasio Sardinha.
Irmã Marisa da Silva Fernandes Sardinha 



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Cirilo, Monge e Missionário

Mosteiro de São Cirilo

Cirilo nasceu na Grécia, no ano de 826. Amava os estudos e estudou e lecionou filosofia.
Tornou-se embaixador e diplomata grego junto aos povos árabes.
Mas tudo isso não preenchia sua vida.  Tinha uma sede por se entregar totalmente ao Senhor Jesus.
Cirilo abandonou tudo para viver uma grande aventura santa com seu irmão que já era monge: Metódio (Metódio mais tarde foi consagrado bispo).
Cirilo seguiu o caminho do monasticismo com seu irmão. Juntos, movidos pelo Espírito, foram como missionários ao encontro dos povos eslavos. Conheceram a cultura e se inculturaram. A língua, os costumes, o amor àquele povo, tudo isso foi fundamental para que Cirilo, juntamente com seu irmão, pudessem apresentar o Evangelho vivo, Jesus Cristo.
Devido a ação do Espírito Santo em suas vidas, traduziram as liturgias para a língua dos eslavos.
Tiveram de ir muitas vezes para Roma e os líderes da igreja perceberam o amor missionário que tinham pelo povo eslavo e, acima de tudo, o amor a Deus. Desejavam, como monges, ganhar o povo para o Senhor Jesus. Eram monges missionários apaixonados pelo Evangelho do Senhor.
Numa dessas viagens para Roma, Cirilo tinha um pouco mais de 40 anos e ficou enfermo. O Papa quis ordená-lo Bispo, mas Cirilo faleceu.
A cristandade comemora o dia de S.Cirilo, monge e São Metódio, bispo no dia 14 de fevereiro.
Como estes homens de Deus, hoje somos chamados a viver a radicalidade do Evangelho.
Cirilo abandonou sua profissão e aceitou um caminho superior. Aceitou o chamado de Jesus e foi missionário em terras distantes.
Você tem sido chamado por Deus? Você já conhece o projeto de Deus para sua vida?
Oração: Senhor. Que eu seja sábio para ouvir sua voz e abrir mão de tudo o que o Senhor me pede para avançar na carreira da fé. Usa-me na sua seara assim como o Senhor usou Cirilo e Metódio. Em Nome de Jesus.